PC em caixa Amiga 1200 – Parte 1

Um retro nerd geek que se preze gosta de inventar. Faz parte da sua natureza. Aquele que nunca pegou numa chave de fendas para abrir uma máquina não é um dos genuínos. “Há e tal, eu sou um retro nerd geek…”  – mentira, não és nada, és um tangas! O verdadeiro, o original, o genuíno, não se envolve só com software, não joga e programa apenas, ele gosta de criar e inventar, trata o ferro de soldar por tu e o circuito impresso por “bacano”.

Confesso que não entro nesta categoria. O retro nerd geek está na 1ª divisão e eu jogo na 3ª divisão centro. Mas, calma, dou uns toques! Dou umas apertadelas com a chave de fendas, soldo umas cenas e tal… por vezes sem saber bem o que estou a fazer, já não é a primeira vez que tento arranjar e a máquina ainda fica pior…. Mas ando a tomar uns comprimidos:  Nerdex 100gr e BioGeek 200gr e estou bem melhor agora. O meu colega Daniel que me enviou um ZxSpectrum para arranjar, depois de ler isto, vai roer as unhas das mãos e dos pés. Calma jovem, até já descobri o 1º problema com o ZX, faltam os outros 25… Continuando, estou a estudar para quando for crescido ser um geek e para entrar no círculo restrito do Retro Geek High Society Club. E para tal tenho acabar o Manic Miner com os olhos fechados (faltam-me 2 níveis) e o Space Invaders com uma perna às costas e a TV virada de pernas para o ar (neste ainda estou a treinar para meter a perna às costas).

Chega de parvoíce e vamos ao assunto, um geek gosta de inventar, ponto final.

No meio de várias compras no ebay e amibay entre outros, acabei por ficar com uma caixa de Commodore Amiga 1200 a mais. Sendo a plataforma de que mais gosto, achei que tinha que dar uso à caixa, então o que fazer? Não tenho uma Board Amiga a mais para lá meter dentro, então porque não meter um PC para fazer emulação? Ou puristas vão dizer que sou maluco, que é uma heresia, mas tentem perceber que Amigas já tenho vários e… porque não? É uma maneira de aproveitar peças e também pelo gozo que dá.

Estava decidido, iria cria um “PC inside Amiga case”. Comecei por estudar que M.Board podia lá meter dentro:  Board de PC normal era muito grande, uma Mini/macro ATX muito caras… um portátil talvez? Teria de ser um já com uns anos, para sair baratinho. Resolvi enviar uns mails a algumas almas caridosas para me ajudarem e alimentarem a veia geek. E não é que resultou? O meu amigo Pedro Adão arranjou-me um portátil todo esfrangalhado, sem imagem no próprio monitor, os plásticos partidos e com alguns indícios de ter sido abusado. Recebi o dito de bom grado e testei a ver o que podia aproveitar. A saída de vídeo estava boa, CPU e RAM, aparentavam estar ok, USBs davam sinais de vida, e o mais importante, a M.Board parecia ter as dimensões necessárias, estava perfeito! Com um portátil nas mãos só me faltava um método de utilizar as teclas originais do Amiga 1200. Um portátil tem o seu próprio teclado e não é compatível com o teclado Amiga, então virei-me para um interface da Individual Computers, o Keyrah. Este circuito liga-se ao teclado Amiga pela fita (ribbon cable) e ao portátil via USB; o resultado é podermos usar o teclado Amiga como teclado PC com o extra de ter 2 portas DB9 para joystick. Excelente, mandei vir uma de Inglaterra.

Virei-me novamente para o portátil e comecei a estripar o tipo. Devo dizer que não é nem parecido com abrir um PC desktop ou torre, aquilo tem mais parafusos que a Space Shuttle! Contei até aos 30 e depois perdi a conta, parece que metade do peso é parafusos. Como se não chegasse um número infinito deles, alguns estão em posições que um tipo perde a cabeça. Devo ter demorado uma hora para desfazer o bicho, mas lá consegui. Foi uma vitória fortemente comemorada com umas quantas Minis, devo dizer que comecei a celebrar desde que tirei o primeiro parafuso, se calhar foi por isso que demorei tanto tempo….

Já com as peças todas separadas liguei-as para ver se ainda funcionavam. Sucesso! Sou o maior!

Foi altura de fazer um primeiro teste com a Board e ver se cabia dentro da caixa do Amiga. Suei para arranjar uma posição em que conseguisse fechar a caixa, só consegui com ela virada ao contrário e meio na diagonal. Mas, pronto, o que interessa é que cabia. Agora que sabia que podia contar com esta board, tive que planear como usar as várias peças em sintonia com a caixa do 1200.

O Commodore Amiga 1200 tem na sua caixa várias aberturas na parte de trás para as portas de vídeo, som, paralela, série, joystick, rato e alimentação. Visto que não tem a board original, ficaram os buracos vazios por preencher pelos componentes do portátil. Acontece que as portas do portátil não encaixam nas do 1200. Visto não querer dessoldar a board, o que me pareceu mais correcto seria fazer extensões, de um lado a outro. Então teria de ter:

– Extensão do conector de vídeo VGA da board para um dos espaços livres da caixa;

– Extensão do conector de alimentação da board para um dos espaços livres da caixa;

– Extensão de portas USB da board para um dos espaços livres da caixa;

– Extensão de das duas portas DB9 (joystick) da Keyrah para um dos espaços livres da caixa;

– Extensão dos RCAs de áudio da board para um dos espaços livres da caixa;

– Extensão do conector SATA do disco rígido para o colocar num espaço livre dentro da caixa.

 

E este mês ficamos por aqui.

Para o próximo mês trago-vos a montagem e soldagem das peças todas.

PC em caixa Amiga 1200 – Parte 2

Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

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