The Last Of Us – Antevisão

Na indústria de hoje em dia os novos IPs são sempre encarados com algum cepticismo, no entanto, tal não acontece com o novo jogo da Naughty Dog, estúdio que nos trouxe algumas das séries mais conhecidas dos últimos tempos como Crash Bandicoot, Jak & Daxter e mais recentemente Uncharted. Mantendo a tradição de lançar os jogos exclusivamente nas consolas da SONY, chega até nós The Last of Us, um dos títulos mais esperados deste ano e que a PUSHSTART teve o prazer de experimentar.

Quando peguei no comando para jogar a demo alargada de The Last of Us sabia muito pouco sobre o jogo, o que é comum, porque quando tenho interesse neste tento ver o mínimo possível sobre ele de modo a evitar qualquer tipo de spoiler e disfrutar uma experiência o mais genuína possível. Para os mais desatentos, The Last of Us passa-se 20 anos depois de um fungo ter aniquilado a maior parte da população transformando grande parte dos sobreviventes em infected. Os sobreviventes vivem em zonas de quarentena controladas pelos militares Norte Americanos.

A demo começa com os dois personagens, Joel e Ellie, a tentar chegar até Bill com o objectivo de arranjarem um carro. Logo no início saímos da estrada para tomar um atalho pelo meio de um bosque. Aquilo que sobressai de imediato são os excelentes gráficos, algo a que a Naughty Dog nos habituou ao longo dos anos, culminando na série Uncharted que faz cair o queixo até àqueles que pouco querem saber de videojogos. No entanto os gráficos dizem muito pouco sobre aquilo que realmente interessa, se o jogo é divertido ou não, tal é evidenciado pela posição do mercado mobile na indústria dos dias que correm. Ao caminharmos pelo bosque rapidamente descobrimos sinais de uma passada ocupação humana, agora abandonada e reclamada pela natureza, e este é um dos pontos mais belos do jogo, o ambiente em que nos encontramos dá uma sensação de abandono, solidão mas também perigoso e inseguro. Este ambiente leva-nos a um ponto importante na jogabilidade, o de explorar todos os recantos à procura de algo que nos possa ser útil quando estamos num aperto, o ambiente hostil parece fazer com que o jogador faça isto por si próprio sem precisar de ter a indicação para o fazer.

Neste aspecto The Last of Us consegue exactamente aquilo que que se queria de um jogo deste tipo, causando pressão ao jogador e mostrando que o novo estilo que a equipa queria criar (Survival-Action) foi sem duvida bem conseguido. Todas as balas contam, e temos de as poupar para situações de necessidade, e com isto em mente convém ao jogador tentar perceber qual a melhor maneira de se desembaraçar dos inimigos, os infected, que vai encontrando pelo caminho. Por esse motivo usar as armas de fogo nem sempre é a melhor solução e como tal, evitar ou recorrer a uma arma corpo-a-corpo, é, quando possível, a melhor solução. É aqui que até o som se torna uma parte vital da acção porque qualquer barulho mais elevado faz com que sejamos detectados e atacados pelos infected, situação que podemos evitar, caminhando devagar até passar por eles ou atirar algo como um tijolo ou uma garrafa para atrair a atenção deles para longe de nós. Estas mecânicas são algo que funcionam bem mas não são propriamente inovadoras.

Algo impressionante foi conseguir gostar tanto de Joel e Ellie em tão pouco tempo, pois com apenas um demo é possível ligarmo-nos às personagens a ponto de querermos que elas tenham sucesso e consigam atingir os seus objectivos. A interacção entre as próprias personagens é também bastante interessante com vários eventos não programados em que estas interagem com o cenário e entre elas. A inteligência artificial é outro ponto a salientar, com inimigos agressivos e que agem conforme a situação em que nos encontramos e em que se encontram, se por exemplo estivermos a recarregar a arma eles sabem que o estamos a fazer e atacam freneticamente criando momentos de bastante stress para o jogador. Apesar de haver espaço para exploração desapontou-me ver que é bastante mais linear do que eu pensava, sendo que o espaço que temos para exploração não é muito maior do que o espaço que tínhamos na série Uncharted para encontrar um tesouro escondido num local pouco acessível. É possível mais exploração mas não tem nada a ver com um mundo aberto, continua a ser um jogo linear com um caminho predefinido algo restrito, embora as possibilidades de como percorrer esse caminho sejam várias.

Resumidamente The Last of Us deixou uma impressão bastante positiva, apesar de alguns problemas como frame-rate drops que não nos ajudam a matar os inimigos mas a conseguir o efeito contrário. Temos de ter em consideração que é uma versão beta que foi certamente melhorada e esses problemas provavelmente resolvidos. Parece ser um jogo que cativa bastante o jogador pela história, pela interacção entre as personagens e pelo ambiente fantástico e opressivo que incute no jogador, um alerta permanente e o uso de vários sentidos como a audição que é uma parte importante na mecânica de jogo. The Last of Us não é um jogo particularmente inovador, junta boas ideias de outros jogos e acrescenta-lhes algumas coisas interessantes, não consigo deixar de pensar que The Last of Us se inspirou no mundo de Enslaved: Odyssey To The West, adicionando elementos stealth de Metal Gear Solid e apimentando as coisas com a sensação de insegurança de jogos de survival horror. Penso que seja mais do que seguro dizer que podemos esperar um produto de qualidade bastante elevada típico da Naughty Dog, no entanto a expectativa é tão elevada que quem sabe não virá a prejudicar The Last of Us

Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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