Castlevania 2D VS Castlevania 2D

Desde os velhos tempos da Nintendo Entertainment System até às consolas de hoje, a série Castlevania tem sido uma constante na nossa indústria e no geral um sinónimo de qualidade. Apesar de alguns títulos menos bem-sucedidos a série chega aos dias de hoje com uma fórmula de sucesso que continua a fazer novos fans e a deliciar os veteranos da série.

Castlevania-NES

Em Setembro de 1986, a Konami lançou Akumajō Dracula para a Famicom Disk System no Japão e após o sucesso no mercado japonês o jogo teve um port directo para a NES em 1987. É o nome desse port que ainda hoje conhecemos. Um dos maiores e mais amados franchises da história dos videojogos, Castlevania. Nos anos 80 e inícios dos anos 90 os sidescrollers dominavam por completo a indústria dos videojogos, o equivalente aos first person shooters na actualidade, e Castlevania não era excepção. Um sidescroller com a particularidade de ser inspirado num dos mais conhecidos romances da história literária, Drácula de Bram Stoker. Castlevania tentava recriar um ambiente digno da sua inspiração e foi esse ambiente que atraiu milhares de jogadores à série sendo um dos motivos do seu sucesso.

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O jogo conta-nos a história de Simon Belmont, descendente de uma longa linhagem de caçadores de vampiros, que em 1691 parte para a aventura de derrotar Drácula, uma vez que este regressa a cada 100 anos e a tarefa de o derrotar cai sobre os ombros da família Belmont. Em Castlevania assumimos o controlo de Simon e do seu chicote Vampire Killer. O jogo é bastante simples, no entanto na altura juntar plataformas e acção foi algo fantástico e acabou por ser um dos títulos pioneiro no género action platformer. Como outros sidescrollers, temos de seguir por vários corredores e eliminar uma série de inimigos que tentam impedir-nos de chegar até ao seu mestre, Drácula. Além dos típicos zombies e morcegos o jogo contava com alguns monstros bem conhecidos da cultura ocidental como Frankenstein ou a “Morte”. Aliado ao excelente ambiente, conseguido em parte pelos cenários, na altura assustadores, estava uma banda sonora inesquecível (com esta simples referência, aposto que começaram a cantar o tema principal), que acabou por ser algo icónico, pois todas as entradas na série, vieram a ter bandas sonoras de luxo extremamente reconhecíveis e facilmente associadas ao franchise Castlevania.

Super-Castlevania-IV-intro-SNES

Apesar da simplicidade esta era também sinónimo de qualidade e Castlevania era e é um dos melhores no seu género, onde o seu sucesso levou, não apenas a uma, mas muitas sequelas. Durante a época de 8bit a saga teve mais dois jogos: Simon’s Quest e Dracula’s Curse, onde ambos trouxeram algo de novo e por sua vez no segundo houve uma tentativa de exploração à la Zelda II e no terceiro surgiram novas personagens jogáveis, destacando a primeira participação na série de Alucard, filho de Drácula. Na era de 16bit a série contou com mais três jogos: Super Castlevania IV, Castlevania: Vampire’s Kiss ambos na SNES e Castlevania: The New Generation na Mega Drive, que preservaram a fórmula da série e continuaram o seu sucesso. O Castlevania: The New Generation da Mega Drive foi na Europa o primeiro contacto para muitos com a série Castlevania devido ao enorme sucesso da plataforma e permanece, sem dúvida até hoje, um dos títulos mais icónicos e mais amado pelos jogadores Europeus e não só. Foi também durante a era dos 16bit, em 1994, que saiu um jogo extremamente importante, fora desta série, que serviu de inspiração para a reformulação do franchise e continuação do seu sucesso, Super Metroid.

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Em meados dos anos 90 onde reinavam os polígonos tridimensionais e os 32bits, Castlevania: Symphony of the Night chega à Playstation em 1997 marcando uma nova era para o franchise, assim como um novo standard no género sidescroller e mostrou que o antigo género não estava morto, nem esquecido, mostrando maneiras de inovar o velho género que havia dominado a indústria até então. Foi também nesta altura que a série se “bifurcou” e fez a sua estreia em 3D na N64, mas essa história fica para a segunda parte deste Old vs New que se irá focar na parte 3D da série.

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Symphony of the Night aka SOTN não era apenas um nome bonito, era também um jogo fantástico, onde a série voltou a pegar na ideia de exploração de Simon’s Quest e inspirado em Super Metroid decidindo levar a série para o patamar seguinte, criando um estilo que é ainda hoje a base dos jogos da série e que ficou conhecido por Metroidvania. Agora além de ser um sidescroller era também um jogo de exploração e que sítio melhor para fazer tal coisa do que o castelo de Drácula? E além de explorar, este novo título contava ainda com elementos de RPG, pois o nosso personagem podia evoluir, tal como as nossas armas, que já não se resumiam apenas ao chicote. SOTN marcou também o regresso de Alucard, que se viria a transformar, provavelmente na personagem mais conhecida da série. O objectivo do jogo continuava a ser simples: entrar no castelo de Drácula e derrotá-lo. No entanto, era necessário muito mais do que simplesmente andar para a direita e matar inimigos, agora eram precisos itens, poderes ou chaves para abrir portas até então fechadas que permitiam acesso a novas áreas do castelo para explorar e progredir na história. Voltar a antigas áreas onde já tínhamos estado era uma constante porque com novos poderes vinham novas formas de jogabilidade e novas maneiras de alcançar sítios até então inacessíveis. A batalha entre pai e filho, Drácula e Alucard, serviu de base à história e criou uma sensação tão épica no jogador que ainda hoje a Konami tenta e tenta recriar e até à data sem sucesso.

Castlevania--The-New-Generation-Mega-Drive

Devido à tecnologia do CD tínhamos agora uma banda sonora mais refinada e igualmente espectacular que fez as delícias de quem teve o prazer de a ouvir. Músicas como Dracula’s Castle e Lost Painting ainda ecoam pela cabeça dos jogadores, tornando-se sucesso até mesmo fora do mundo dos videojogos. Para além da banda sonora, o CD permitia uma variedade de cenários incrível devido aos 650mb de espaço e isto possibilitou a existência de imensas zonas completamente distintas no jogo, desde caves submersas em água até à torre do relógio. A variedade de inimigos também aumentou em comparação com os títulos antecessores e os “Boss” abundavam. Estes dois aspectos deram uma variedade incrível ao franchise e fez com que o backtracking necessário fosse perfeitamente aceitável e não maçador.

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Depois de Symphony of the Night e do seu sucesso a Konami lançou, três jogos no GameBoy Advance, três na Nintendo DS e mais um na Nintendo 3DS, todos baseados em Castlevania: Symphony of the Night, pois foi o jogo que marcou a transição na série e que ainda hoje é considerado a melhor e mais importante entrada na série Castlevania. O franchise evoluiu de algo simples para algo mais complexo mas conseguiu não perder a sua essência, o que é de louvar nos dias de hoje. Os jogos mais recentes não são melhores nem piores do que em 1987, são simplesmente uma evolução mas a série continua a ser tão boa como era e por isso se mantém connosco há 26 anos. Poucos franchises se podem orgulhar de tal coisa. No próximo Old vs New iremos olhar para a vertente 3D da série que nos deu algumas dores de cabeça mas também bons momentos.

Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

One Comment on "Castlevania 2D VS Castlevania 2D"

  1. Atos 16 August 2013 at 18:00 - Reply

    O título da matéria está certo???

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