Johnny Scraps: Clash of Dimensions

Já começam a ser habituais os casos de jogos portugueses que encontram o caminho para as lojas dos dispositivos móveis, mas é sempre uma notícia positiva quando uma empresa portuguesa nos consegue representar. Desta vez foi a Immersive Douro, que conseguiu a sua estreia com Johnny Scraps: Clash of Dimensions, o jogo que pode deixar qualquer suíno com fobia a actividades paranormais em estado de ansiedade.

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Um terrível vilão com planos para dominar o mundo vê-se empatado por um porco estranhamente dotado para a porrada, que temos de ajudar para que consiga voltar a casa e salvar o mundo. O jogo consegue a início surpreender-nos. Os controlos são intuitivos e de rápida resposta. A inteligência artificial dos inimigos está bem conseguida e apesar de o feeling de controlo não nos fazer encarnar a pele de um suíno (como foi extraordinariamente conseguido com o gato em A Walk in the Dark), o porco torna-se uma personagem interessante e que se consegue uma intuitiva aceitação.

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À medida que jogamos, Johnny Scraps começa a fazer-nos sentir aquela que parece ser a maior dificuldade das novas empresas que tentam adaptar-se ao mercado das plataformas móveis: o game design.

Logo a início, o tutorial é exageradamente explícito e resistente, mesmo para um público-alvo de jogadores casuais. As habilidades são quase que oferecidas no jogo e deixam a certo ponto de oferecer motivações ao jogador. Os jogos difíceis não são necessariamente desmotivantes, mas os jogos demasiadamente fáceis correm esse risco. Johnny Scraps apenas nos oferece dificuldade através dos inimigos, pelo número ou pela força, mas nunca permite ao jogador conseguir melhorar com a experiência que este adquire. É pouco o esforço que o jogador tem de fazer para conseguir ter acesso a novas habilidades ou poderes. É verdade que os jogadores casuais gostam de variedade, mas é preciso saber criar no jogador essa necessidade de ter algo diferente. A enorme quantidade de modos de jogo, desafios e níveis que o jogo tem acabam por se tornar exagerados quando o jogo nos oferece um gameplay demasiadamente benevolente e repetitivo.

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Graficamente o jogo está bem conseguido. O cel shade adequa-se ao tom cartoonesco do jogo e as transições em BD dão de forma bastante clara um contexto ao jogador. Apesar de o nosso porco se mostrar por vezes pouco carismático, as personagens estão bastante bem desenvolvidas e conseguem manter-nos interessados. O único senão é a incoerência que por vezes há entre os ambientes gráficos, principalmente entre os fundos e as personagens.

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O som e a banda sonora do jogo mostram-se bem enquadrados e há uma boa ligação entre os ambientes gráficos e sonoros, ao ponto de nos conseguir abstrair. No final, com contas feitas, Johnny Scraps consegue dar uns bons tempos de jogo com heróis improváveis e situações no mínimo, inesperadas. Tive o privilégio de acompanhar o jogo desde fases iniciais em que nada fazia prever este resultado.

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A Immersive Douro está de parabéns, Johnny Scraps não é o melhor jogo português alguma vez lançado, mas mostraram que para um primeiro projecto há talento dentro de portas para continuar a desenvolver um trabalho cada vez com mais qualidade. Ficamos à espera.

Autor: Diogo Martins Pesquise todos os artigos por

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