Olympus Has Fallen VS White House Down

Já não haverá grandes dúvidas da triste tendência que os estúdios americanos têm para se… copiarem. Os exemplos são variados tal como os género abrangidos. Volcano e The Dante´s Peak (1997), Armageddon e Deep Impact (1998), The Illusionist e The Prestige (2006), Finding Nemo e A Shark Tale (2003 e 2004 respectivamente) ou até casos mais recentes mostram o quanto estão em standby as ideias para argumentos inovadores, ou pelo menos diferentes entre si. Este é um fenómeno cíclico para os lados de Hollywood, sendo que em 2013 temos para já o mais recente capítulo.

WHD4

O alvo é desta feita a Casa Branca em todo o seu esplendor, e o principal visado, o seu hóspede número um. Mas as coincidências (semelhanças) não se ficam por aqui. Temos um wannabe a agente dos serviços secretos num caso e noutro um que caiu em desgraça depois de uma situação complicada com a primeira-dama; um plano para assumir o poder do Mundo; bandeiras furadas pelas balas que esvoaçam em câmara lenta ao sabor do vento; a respectiva destruição dos mais variados e emblemáticos edifícios e não só; traidores que actuam internamente; e pelo menos um general normalmente burro que nem uma porta!

olympus-has-fallen-3

Roland Emmerich é, convenhamos, perito nestas andanças e provavelmente o guru do cinema espectáculo e de entretenimento e arriscaria eu a dizer, o pai do cinema catástrofe do séc XX. Desde Independence Day (1996) a 2012 (2009) que o realizador alemão se e nos diverte a destruir os grandes ícones da sociedade americana (e do mundo), sendo que em prol de espectáculos, apresenta filmes sem grandes valores de argumento ou até de interesse para a história do cinema. Antoine Fuqua é por sua vez um realizador mais sóbrio, onde por norma predominam argumentos mais densos e profundos; Training Day (2001), mas que também já provou que consegue fazer cinema de entretenimento com alguma facilidade e interesse, Shooter (2007).

WHD6

Por tudo isto, é impossível não se comparar Olympus Has Fallen (estreado em Maio deste ano) e White House Down (Setembro). E o maior problema é mesmo o facto de terem estreado no mesmo ano, com datas tão aproximadas. Por muito que queiramos, não conseguimos evitar pensar que isto ou aquilo foi melhor num ou no outro. Por isso, é importante dizer que ambos os títulos têm apenas um objectivo; entreter o espectador, ainda que para tal, cada um tenha seguido por caminhos bastante distintos. Olympus Has Fallen (OHF) é um cinema de acção mais duro e seco, com alguma violência e cenas gore à mistura, mas com uma temática (invasão por parte da Coreia) mais distante dos nossos tempos. Por sua vez, White House Down (WHD) é aparentemente mais leve, até porque apresenta uma vertente bastante mais cómica que o anterior, e a sua contextualização, que reflecte o actual conflito no médio oriente, é bastante mais próxima de nós.

WHD8

OHF apresenta-nos a dupla Gerard Butler, na pele de agente secreto e Aaron Eckhart como presidente dos EUA, e no que respeita a cinema de acção, Butler tem aquele carisma Escocês que ninguém consegue bater, o que acaba por transmitir bastante autenticidade ao filme. Isto é também ajudado pela cinematografia de Fuqua que confere ao filme um realismo atroz e bastante envolvente. Contudo, a meu ver há um caminhar para a acção demasiado rápido, o que acaba por resultar em pouco tempo para aprofundamento de personagens, sendo que estas ficam demasiado estereotipadas.

Gerard-Butler-in-Olympus-Has-Fallen-2013-Movie-Image-3

Já em WHD temos Channing Tatum (como o wannabe a agente secreto) e Jamie Foxx (como presidente), dois nomes que provavelmente estão muito mais próximos do público, apoiados ainda pela irrequieta filha do primeiro (Joey King), que acaba por ter um papel preponderante em toda a narrativa. A química entre Tatum e Foxx é evidente, mas onde o filme brilha é na nítida homenagem que faz ao cinema de acção dos anos 80, bem ao estilo de Die Hard (1988). Aliás, WHD tem mais de Die Hard do que o próprio Die Hard 5, que à excepção da memorável cena de perseguição, é muito fraquinho. Os momentos de comédia entram na perfeição e não são na grande maioria das vezes forçados, além de que Emmerich “perde” inclusivamente algum tempo a caracterizar as suas personagens, algo que não é muito frequente no seu cinema. Outra nota é que o filme segue uma certa lógica e ao contrário de muitos dos seus títulos, a destruição não é gratuita, mas sim necessária em função da história.

Film Review White House Down

Da mesma forma, ambos apresentam os clichés típicos, as falhas do costume, com as incoerências habituais neste género ou tipo de cinema. Códigos que não são alterados durantes meses (estranho, diria eu); traidores nas mais estranhas e altas posições hierárquicas; ou até as normais idiotices de ambas as partes do conflito, ou as frases mais básicas que se podem imaginar. Visualmente há que reconhecer a capacidade de Emmerich, mas neste caso Fuqua não lhe fica nada atrás. Os efeitos visuais e especiais são genericamente bons nos dois exemplares, e sonoramente há efeitos sonoplásticos para todos os gostos e feitios. Definitivamente não será pela parte técnica que estes dois filmes não agradarão.

1183878 - WHITE HOUSE DOWN

Bem vistas as coisas, nenhum dos títulos desilude – a não ser pela cópia de temáticas que só em Hollywood parece ser totalmente aceitável e tolerável. Por outro lado, ambos têm pontos fracos e fortes. Mas no seu cerne, são ambos filmes pipoca que pouco ou nada acrescentam à história do cinema, mas que cumprem em pleno o seu objectivo: entreter o espectador, causar alguma emoção neste, e acima de tudo, alimentar (e de que maneira) empresa(s)s que apesar da crise, continuam a apresentar lucros enormes e estranhamente explicáveis (ou talvez não). É portanto, algo difícil escolher ou dizer que um é melhor que o outro, tendo apenas em conta os aspectos que definem e distinguem o bom do mau cinema. Assim, e a minha escolha pessoal iria recair para White House Down como sendo aquele de que mais gostei. A razão pela qual o escolho prende-se essencialmente com o que ele me fez sentir e o recuar até aos tempos áureos de Die Hard, altura em que o cinema de acção era verdadeiramente cool.

Não que não tenha gostado de Olympus Has Fallen note-se. Aliás, a ter que os classificar, daria exactamente a mesma nota, mas a verdade é que me “diverti” mais com WHD pelas razões que já referi.

olympus-has-fallen-4

Em síntese, a conclusão é só uma. Continuamos a ser inundados com objectos de mentes que se acham iluminadas, mas que não desconfiam o quão estranho é apresentar dois filmes tão próximos entre si num tão curto espaço de tempo. Contudo, não deixam de ser duas idas ao cinema que premeiam o simples prazer de entreter e consumir um balde de pipocas híper gigante. À parte disso, podemos facilmente também chegar à conclusão que um dia a Casa Branca virá mesmo abaixo. Pelo menos este ano, por duas vezes, já um dos principais ícones americanos sofreu danos para vários empreiteiros esfregarem as mãos de contentamento.

Autor: Andre Santos Pesquise todos os artigos por

One Comment on "Olympus Has Fallen VS White House Down"

Deixe aqui o seu comentário