A ascensão e queda de Flappy Bird

Acho que não será exagero afirmar que o jogo mais mediático do último mês foi o Flappy Bird. Mas o que se passou? Porque é que um jogo tão simples e, por muitos considerado tão mau, deu tanto que falar? Este improvável sucesso estava já presente na App Store desde Maio do ano passado mas apenas nas últimas semanas, voou sorrateiramente até ao número 1 do top desta loja e da Google Play. Há quem diga que o conseguiu por algum tipo de hack ou batota mas na minha opinião foi apenas mais um sucesso viral como muitos vídeos do YouTube em que nunca se saberá como raio determinado conteúdo foi de repente tornar-se um fenómeno global. Sites como o Kotaku terão tido a sua influência com críticas que classificavam Flappy Bird como uma aberração que plagiava elementos gráficos do Super Mario Bros. É certo que a publicidade, mesmo quando é má, desperta sempre a curiosidade.

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No meu caso o jogo chamou-me a atenção por duas razões: A primeira pelos artigos anteriormente referidos e, a segunda, porque vi uns primos meus a jogá-lo e resolvi experimentar. A jogabilidade consiste simplesmente em dar pequenos toques no ecrã que fazem um pássaro feio e pixelado bater as suas asas e propulsionar-se brevemente. O objectivo é passar pelo meio de tubos saídos do imaginário do clássico da Nintendo. Estes tubos aparecem de forma aleatória mas sempre justa, o que significa que se perdermos é por nossa própria culpa… e perderemos, mesmo muito! É normal que nas primeiras vezes nem consigam sequer 1 ponto, o que significa que nem passaram por entre 2 tubos. Isto acontece não porque os controlos sejam complicados, muito pelo contrário, simplesmente o espaço de passagem é algo limitado e o bater de asas tem que ser dado no momento certo para não estragar tudo. Esta dificuldade faz com que o jogo se torne altamente viciante, pois não queremos admitir a vergonha de que nem chegamos aos 2 dígitos de pontuação, principalmente se estivermos a competir pelo recorde com algum amigo. Será então legítimo dizer que Flappy Bird é um mau jogo? Na minha opinião, não. É simples, sem dúvida, mas se tanta gente o joga é porque sem dúvida diverte e, mais que isso, vicia. Para um jogo feito em 2 ou 3 dias isto já é um sinal de sucesso.

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Se considerarmos o relato de que Flappy Bird rendia 50 mil dólares por dia em publicidade, percebemos que a sua criação foi um golpe de génio (e de sorte) para o seu criador, Dong Nguyen. Mas, aparentemente, o dinheiro não é tudo para este game designer vietnamita. O que Dong quer é uma vida simples e que as pessoas joguem as suas criações mas que não exagerem, não se viciem! Foi esta a justificação que deu para retirar Flappy Bird das lojas. É difícil de perceber esta decisão quando é evidente que poderia ganhar ainda mais dinheiro com o seu jogo visto que o retirou numa altura em que a sua popularidade não parava de crescer. Será verdade que o dinheiro não traz felicidade? De qualquer forma não se esqueçam que a publicidade continua activa dentro de Flappy Bird, por isso o jogo continua sem dúvida a render bastante dinheiro. Há quem afirme que isto possa ser um golpe de marketing. Talvez sair quando se está no topo seja uma forma de chamar mais atenção para as suas restantes criações? Ou se calhar Dong quis simplesmente alguma paz.

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Interessante foi o que aconteceu desde então. Por um lado surgem os oportunistas. Não demoram nada a aparecer clones do jogo ou negócios mirabolantes da venda de dispositivos com o Flappy Bird instalado. Por outro lado surgem as homenagens. Foi feita uma Game Jam de apoio a Dong Nguyen e proliferam pela net jogos que se inspiram no seu sucesso de forma bem mais interessante do que simples clones. Vejamos o exemplo do jogo online de Maverick Bird de Terry Cavanagh, que é uma espécie de filho bastardo entre Flappy Bird e Super Hexagon (um dos sucessos críticos de Cavanagh). É psicadélico ao máximo, vale a pena experimentarem se não tiverem medo de enlouquecer. Em Squishy Bird o objectivo é o inverso do original, temos que esmigalhar o passarito. Em FlapMMO jogamos simultaneamente a dezenas de internautas e vemos um enxame de pássaros (ou seja, jogadores) a ficar pelo caminho na inevitável derrota. Veja-se que até para o Oculus Rift foi desenvolvido um Floculus Bird em que a acção passa a ser em primeira pessoa.

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Não sei o que pensará Dong Nguyen de tudo isto. Se o seu objectivo é que as pessoas se esquecessem rapidamente de Flappy Bird, isso certamente ainda não aconteceu. Algo tão simples e, aparentemente, tão despretensioso gerou uma grande movimentação pela net trazendo reacções que variam do ódio ao gozo e à admiração. O fenómeno viral tornou-se um jogo de culto.

Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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