24: Live Another Day S09EP12 – 10:00 PM – 11:00 AM

O último episódio estava, como é fácil depreender, direccionado para um conteúdo recheado de acção e tensão, bem como o fecho de muitos tópicos. Quanto à primeira parte, nada a apontar, já relativamente à segunda… nem por isso. A acção é retomada desta forma do episódio anterior, no qual Audrey se encontra refém de um sniper a mando de Cheng. Jack e Kate tentam assim, a duas mãos, evitar o pior e a verdade é que Audrey acaba por ter um final nada feliz, e até justo, para todas as provações de que foi alvo ao longo das temporadas. Por sua vez, Cheng tem um final de cortar a respiração – e não só – que resulta igualmente no término do conflito e clima de “guerra-fria” entre chineses e americanos. Posteriormente há poucos acontecimentos a registar além… de uma legenda a indicar “twelve hours later”, onde podemos observar o regresso de Heller e o “final” de Jack Bauer.

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No geral é um regresso em força de 24. Desde o primeiro episódio que o que caracteriza esta série esteve sempre bem presente e ainda melhor representado, tanto pela equipa técnica, como pela equipa de actores, nomeadamente os protagonistas. O desenvolvimento da história foi sempre o adequado, sem grandes inverosimilhanças ou incoerências, realçando que nos onze episódios, tudo foi acontecendo a bom ritmo e nos momentos certos. Pena que seja nos últimos minutos deste último episódio, apesar de estar mais ou menos implícito para quem acompanhou esta temporada, que exista a necessidade de colocarem a tão detestável legenda “twelve hours later” que indica que, ao contrário do que foi dito, ou pelo menos por mim depreendido, apenas tenhamos acesso a dozes horas do dia de Jack Bauer devidamente aprofundadas, e as outras dozes que ocupem apenas uns míseros minutos, em jeito de encerramento. Creio que ficaria melhor a divisão das horas ao longo do dia, mesmo que isso implicasse mais que uma hora por episódio, do que esta forma pouco original (e acima de tudo evidentemente preguiçosa), quase a obrigar uma continuidade. E de facto, em Hollywood, não há maneira de se aprender que para uma série ter uma nova temporada não é obrigatoriamente necessário deixar a anterior em aberto, já que, e com argumentistas à altura, há sempre possibilidade de se iniciarem novas linhas narrativas, pegando nas anteriores. Com isto, o final de Jack Bauer, além de obviamente aberto, acaba por ser demasiado previsível – e também ele evidencia uma enorme preguiça em tentar-se criar algo mais, mas acima de tudo, melhor.

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Outro aspecto negativo é aquele que tenho vindo a referir nos últimos episódios. Londres é apenas um nome que serve, infelizmente e maioritariamente, de adereço, já que não acresce nada à série em si. Passar-se aqui ou noutra qualquer cidade europeia é basicamente o mesmo, o que para uma cidade com tamanha importância, me parece um tremendo desaproveitamento do seu potencial. Mesmo o trailer e todos os teasers que foram disponibilizados há mais de doze semanas sugeriam muito mais, já que além da explosão no estádio de Wimbledon e a destruição parcial de um hospital, pouco ou nada acontece… o que leva a pensar se era isto que os produtores tinham em mente, ou se a meio da produção, se viram obrigados a enveredar por outros caminhos. À parte destes (grandes) pormenores, há também muitos aspectos positivos a realçar. Jack Bauer está cada vez melhor, Kiefer Sutherland nasceu para este papel, Chloe continua magnifica, e a grande aquisição da temporada, foi mesmo Kate (Yvonne Strahovski), com uma personagem bem caracterizada e da qual conseguiu dar muito de si. Michael Wincott, Tzi Ma, Tate Donovan e até Benjamin Bratt foram secundários excepcionais, apesar de nalguns casos, pouco aproveitados.

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Tecnicamente 24 não desiludiu. Visualmente continua um must com uma total utilização soberba e praticamente imaculada de câmara móvel, que intensifica imenso as cenas, mas principalmente as sequências de acção, onde o frenesim é maior, mas também se enquadra ao ritmo que a série sempre teve e continua a apresentar. Aqui não cabem planos fixos, porque tudo ocorre demasiado rápido para tal. A montagem merece igualmente uma palavra de apreço, pois além de transmitir uma ainda maior sensação de rapidez ao espectador, causa também um frenesim imenso a este, que e para quem gosta, é uma das imagens de marca da série. Sonoramente continuamos com excelentes trechos sonoros, tanto ao nível da musicalidade, bem como de todos os sound effects em cada episódio.

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24 é uma verdadeira montanha-russa de emoções. Live Another Day não é excepção e é provavelmente uma das melhores temporadas, bastante próxima do nível da qualidade da quinta. Apesar de alguns altos e baixos e alguma previsibilidade, que ao mesmo tempo que é conhecida, acaba por nunca desiludir, chega ao fim esta nova temporada, com estrondo e impacto em todos os fãs – tenho a certeza – o que irá com certeza, servir como mote para uma décima. Se assim for, eu como muitos, cá estaremos para a presenciar e viver… mas por favor, até porque nós sabemos que conseguem bem mais e melhor, deixem-se dessas legendas da treta, como “twelve hours later”, que isso já ninguém atura!

Jack Bauer: The operation is simple. Capture Cheng alive…

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Autor: Andre Santos Pesquise todos os artigos por

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