A guerra vista de dentro

O Outro Lado

A guerra sempre foi um tema muito explorado no mundo dos jogos. Passando por guerras que reflectem a realidade a outras puramente fictícias ou até mesmo alteradas para pôr em evidência o “e se tivesse acontecido assim”. Contudo, há um lado que raramente é falado, o dos civis, e é nesse sentido que entra o This War of Mine.

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Para quem não está familiarizado, este jogo passa-se durante uma guerra civil, numa cidade apanhada no meio do conflito. O que o diferencia é que aqui somos civis, pessoas comuns, pessoas presas no centro dos horrores da guerra. Em vez do género shooter, comum ao tema, este jogo baseia-se mais no aspecto de sobrevivência e testa os limites humanos em situações onde a moralidade se torna escassa.

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É-nos claro que o papel de antagonista está reservado para a própria guerra e as acções de cada um são consequências causadas pela mesma. Um dos aspectos que mais me espantou foi o peso na consciência ao fazer determinados actos. Não só na minha consciência, mas também no facto de as personagens partilharem isso comigo. Para sobreviver vi personagens a roubar, e mesmo matar, e ficarem afectadas emocionalmente com isso ao ponto de não quererem continuar mais, num local onde a melhor decisão tomada não quer dizer que seja a mais correcta.

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Esta perspectiva traz algo novo ao tema, algo que é fácil esquecer em outros jogos. Torna-o mais emotivo, não só por termos de lidar com as questões de sobrevivência, mas sobretudo por termos uma visão mais humana da situação. É interessante ver o ponto de vista de quem não tem influência activa na resolução do conflito. É angustiante a espera para saber quando, finalmente, a guerra terá fim.

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Normalmente, nos jogos que representam a guerra não existe esta preocupação com civis. Estes são remetidos para um papel secundário, sem sequer mencionados serem. São jogos em que estamos no centro do conflito e, usualmente, controlamos alguma força militar ou pelo menos uma personagem que tem experiência suficiente para saber o que fazer em situações assim. Controlamos aqueles que chegamos a odiar em This War of Mine. Em outros, onde também existe uma preocupação com a população comum, habitualmente não se foge muito do perfil do soldado e se é verdade que esta preocupação existe, não deixa de ser testemunhada pelo lado militar.

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Se bem que com temáticas semelhantes, são exemplos de géneros de jogos baseados e desenvolvidos com fins diferentes. Porém até agora parece-me que só uma das perspectivas era abordada e é nesse aspecto que This War of Mine marca a diferença. Por fugir do papel militar, ou até mesmo do heróico. Não somos soldados e não depende de nós a resolução do conflito. Somos o outro lado, a maioria, somos civis que só querem, e precisam, de sobreviver mais um dia.

Autor: Rafael Tabosa Pesquise todos os artigos por

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