Old vs New: Shadow Warrior (1997) vs Shadow Warrior (2013)

Quem quer um pouco de Wang?

Após o enorme sucesso que foi Duke Nukem 3D, a 3D Realms não se ficou por aí e no ano seguinte de 1997, presenteou-nos com um outro first person shooter, que para além de partilhar o mesmo motor gráfico, humor negro e violência over-the-top, era passado num Japão moderno, repleto de clichés e estereótipos asiáticos. O jogo chamou-se de Shadow Warrior, onde jogávamos com o mercenário Lo Wang, em busca de vingança contra o seu antigo patrão da Zilla Industries. Para além de tudo isso, e de algum armamento original como as sticky bombs, ou a possibilidade de usar duas Uzis ao mesmo tempo, o que brilhava era o sabre japonês que podíamos usar para cortar os nossos inimigos ao meio. Remember 1997.

Shadow Warrior (1)

Mas eis que algures em 2013 surge algo completamente surpreendente e inesperado: o lançamento de um novo Shadow Warrior, nada mais, nada menos produzido pela Devolver Digital, o mesmo estúdio que nos trouxe o super violento e viciante Hotline Miami. Sendo eu um grande fã da 3D Realms e depois de toda a confusão que se gerou com o “fecho” desse estúdio e o lançamento do Duke Nukem Forever já pelas mãos da GearBox, esta notícia trouxe-me um misto de emoções. Mas felizmente tudo correu pelo melhor, e este novo Shadow Warrior é uma autêntica bomba!

Shadow Warrior (1)

O original de 1997 era um FPS à moda antiga, do mesmo género do Duke Nukem 3D. Os níveis eram variados, bem construídos, e para além de termos muitos inimigos à espreita, tínhamos os habituais puzzles de alavancas ou botões mistos, ir buscar chaves para abrir outras portas, e muitos, muitos segredos escondidos como paredes que se podem rebentar com um rocket bem posicionado e que escondem vários easter eggs. Aqui muitas dessas coisas se mantiveram, embora muitos dos segredos que podemos encontrar neste reboot estejam escondidos à vista de todos, muitas vezes basta procurar bem nos cantos ou avançar por caminhos alternativos. Algo que mudou e sinceramente já não gostei tanto é o facto de a grande maioria dos inimigos que vamos enfrentando virem em grandes waves ao mesmo tempo, sendo combatidos muitas vezes em zonas mais abertas tal como nos Serious Sam.

Shadow Warrior (2)

Mas isso tem um propósito, pois no reboot há um grande foco num sistema de combos. O combate com armas brancas no Shadow Warrior original é básico, apenas os inimigos mais fracos possuíam animações de serem esquartejados, pois para os mais fortes a katana já não tinha o mesmo efeito devastador. No reboot esse combate com a espada é muito mais fluído, onde podemos desempenhar vários cortes, usando diferentes combinações das teclas de movimento e dos botões esquerdo ou direito do rato. Os combates acabam por ser assim bastante fluídos e ver os demónios a serem desmembrados em rios de sangue acaba por me deixar sempre com um largo sorriso estampado na cara. No fim de cada onda de inimigos a nossa performance é avaliada com pontos karma, pontos esses que podem depois ser utilizados para desbloquear uma série de skills, sejam de novas habilidades com a espada, aumentar a probabilidade de desferir dano crítico ou aumentar a capacidade de regeneração.

Shadow Warrior (2)

Mas essas customizações não se ficam por aqui. Ao longo do jogo vamos encontrando diversos cristais “Ki” que por sua vez podem ser traduzidos em novas habilidades mágicas como regenerar vida, ou lançar ondas de choque, tudo isto para complementar o combate. É quase como se um RPG se tratasse! Mas temos também muitas armas de fogo para se usar, e tal como no original, podemos contar com as sticky bombs que dão sempre para fazer uma série de experiências engraçadas. Mas aqui as coisas também foram melhoradas no reboot, pois ao longo do jogo podemos encontrar dinheiro no chão, escondido em baús, armários e gavetas, dinheiro esse que pode depois ser utilizado para comprar upgrades às armas que vamos encontrando, como miras laser, aumentar o dano infligido, e por aí fora. Felizmente tanto no original como no reboot descartam o “realismo” de apenas carregar com 2 ou 3 armas de cada vez, e temos uma vez mais um enorme arsenal ao nosso dispor.

Shadow Warrior (3)

De resto ambos os Shadow Warriors têm um grande foco no humor negro. Tal como Duke Nukem, os jogos estão repletos de one liners e pequenas piadas, inclusivamente nos bolinhos da sorte que podemos encontrar (e comer). Referências sexuais também são comuns, embora não tão exageradas como na série do americano, mas dou sempre uma pequena risada quando vejo um carro da marca Titsubishi, ou coelhinhos a praticar o amor. Mas cuidado ao incomodar os coelhos que a coisa pode correr muito mal.

Shadow Warrior (4)

Nos audiovisuais, o original utiliza o motor gráfico Build, que foi utilizado em muitos jogos como o já referido Duke 3D, mas também o Blood, Exhumed, Witchaven ou mesmo os Red Neck Rampage. Ou seja, temos um jogo com cenários em 3D, mas as personagens ainda são sprites 2D, se bem que no Shadow Warrior os itens já passaram a ser modelados em 3D. Já no reboot, apesar de não usar um motor gráfico do estado da arte, isto não é nenhum Witcher 3, não deixa de ser um jogo graficamente bem bonitinho. Os imponentes edifícios japoneses, rodeados de árvores Sakura repletas de pétalas cor-de-rosa, ou pequenos bairros e ruas, estão todos muito bem representados, e depois de derrotar as ondas dos inimigos, sabe bem parar um pouco e apreciar o que está à nossa volta. Enquanto no original havia uma história por detrás do jogo, a mesma nunca foi muito bem explorada. Já no novo jogo temos várias cutscenes e uma história mais complexa por detrás, envolvendo também o demónio Hoji que nos dá muitas das nossas habilidades.

Shadow Warrior (5)

Independentemente do jogo em questão, se gostam de first person shooters, jogos com temáticas ocidentais e com muito humor negro à mistura, então estes Shadow Warriors são os jogos perfeitos para esse público. O original pode até ser descarregado gratuitamente no steam, portanto não há desculpas! O reboot foi mesmo uma excelente surpresa e gostava muito de ver uma empresa como a Devolver Digital e não a Gearbox a pegar em mais material antigo da Apogee/3D Realms. Tragam agora um novo Blake Stone!

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

Deixe aqui o seu comentário