Carmageddon: O legado

Renascer para reencarnar monstros com rodas

Os anos 90 ficaram sem dúvida marcados, na indústria dos videojogos, por grandes títulos, plataformas, e novas formas de viver esta maravilhosa arte. Por outro lado, foi também uma época de controvérsia, enquanto alguns produtores procuravam tirar partido de meios mais obscuros ou estranhos de fazer chegar o entretenimento ao cliente. Carmageddon foi um dos títulos que mais críticas gerou neste plano, ao ponto de vermos o jogo completamente censurado e até excluído de alguns países. E não era para menos, já que o mesmo nos convidava a atropelar pessoas para ganharmos tempo para concluir as corridas. Era tão macabro, como revolucionário e espectacular, e sem dúvida nenhuma, um dos ícones mais nostálgicos para quem cresceu rodeado de jogos de PC nessa época. Apesar de toda a censura, a Stainless firmou a sua posição contra o resto do mundo, já que foram eles próprios a lançar para a vasta rede internáutica o famoso “Blood Patch” que viria a reparar a censura que teve que ser aplicada no produto final.

CARMA 1 (1ro jogo)

A ideia de Carmageddon pedia realmente que os mundos abertos onde se processam as corridas fossem populadas por seres humanos, mas ao invés disso a produtora viu-se obrigada a lançar o jogo com zombies (claro!), substituindo sangue vermelho por verde ou até robôs, que espalhavam óleo pela pista. Apesar disto tudo, o jogo acabaria por receber três sequelas, sendo que na terceira – Carmageddon TDR 2000 – a Stainless não teria qualquer envolvimento, e diversos ports para variados sistemas, cimentando a ideia que estávamos perante algo realmente bom e que também trazia algo novo e refrescante à indústria. A sequela directa – Carmageddon II: Carpocalypse Now – viria a dar continuação à censura, e apesar da procura pela essência, o normal era vermos cidades inteiras com zombies. De resto, o jogo manteve-se fiel às origens, introduzindo apenas um motor de física bastante bom, que deixava os carros deformados de forma bastante real, para um jogo de 1998. A banda sonora deste jogo fez também o gosto dos fãs de Metal, que podiam apreciar o título ouvindo Iron Maiden.

CARMA 2 (2do jogo)

Muitas foram as influências, evocando também o bom humor, não só para o jogo em si como a muita coisa que existe dentro do mesmo. A mais conhecida e que perdura em todas as versões (incluindo o original) é o filme Death Race 2000, de 1975. Neste filme entra Sylvester Stallone e um dos corredores que está neste segundo título dá pelo nome de Silvester Stallion. Há também referências ao filme Regresso ao Futuro, já que um dos carros tem como nome DeGory’un”, outro com o nome Mach 13 é uma referência ao Mach 5 de Speed Racer (ou Go Mifune), entre outras que até são bem evidentes ao jogar. Para a terceira parte do jogo, que data de 2000, a Stainless ficou de fora do desenvolvimento, tendo a Torus Games pegado no projecto.

CARMA 3 (TDR2000)

Não foi, no entanto, um passo feliz – Carmageddon TDR 2000 é considerado o pior da série, pelo menos dentro da gama de originais para PC. A inspiração é a mesma, e desta vez a sigla “TDR” evoca isso mesmo, apesar de originalmente o significado da mesma ser outro – Total Destruction Racing 2000. Além da trilogia inicial, e como mencionado anteriormente, acabaram por surgir diversos ports e versões que até misturam mais que um título de Carmageddon. Para não maçar muito com um texto ridiculamente chato, deixo uma pequena lista com alguns reparos onde necessário:

Série principal:

Carmageddon, 1997, disponível para PC e Mac.

Carmageddon II: Carpocalypse Now, 1998, disponível para PC e Mac.

Carmageddon TDR 2000, 2000, disponível para PC.

Carmageddon Reincarnation, 2015?

Versões para consolas e dispositivos móveis:

 

PlayStation: Carmageddon, 1999. Uma mistura dos dois primeiros títulos da série principal, mantendo toda a essência do PC. Até pode ser considerado um jogo totalmente novo, apesar do nome, dado que existem carros novos e pistas não contidas nos títulos originais. O desenvolvimento ficou a cargo da Ubisot.

 

Nintendo 64: Carmageddon 64, 2000. Além de algumas personagens únicas, é um port directo do Carmageddon II: Carpocalypse Now e, infelizmente, considerado um dos piores jogos da consola da Nintendo, pela má adaptação. Há quem diga que é pior que o Superman 64!

 

Game Boy Color: Carmageddon, 2001. Todo o jogo é baseado no Carmageddon II: Carpocalypse Now. Obviamente, e dadas as limitações da máquina, esta versão acaba por se transformar num jogo de corridas com vista aérea. Estas limitações fazem com que as pistas só tenham 4 corredores ao mesmo tempo e os power-ups existentes são também apenas 4.

 

Telemóveis: Carmageddon e Carmageddon 3D, 2005. Estes dois títulos diferenciam-se pelo aparelho que os corre. Carmageddon corria em qualquer telemóvel com Java e era, tal como na versão de GBC, um jogo de vista aérea. Já Carmageddon 3D foi lançado para todos os terminais com Symbian 60 (maioritariamente aparelhos Nokia) e apresentava gráficos idênticos à versão original. Ambos os jogos estavam limitados a nível de personagens, mas pela primeira vez era possível escolher a personagem e posteriormente o veículo. Ambos incluíam também vários tipos de jogo totalmente novos.

 

Smartphones e Tablets: Carmageddon, 2012/13. Port directo do jogo original. Além dos óbvios controlos redesenhados para o toque, o jogo mantém toda a sua essência e originalidade, havendo só a mudança do nome do corredor “OK Stimpson” (referência forte demais a OJ Simpson?) para Juicy Jones. O jogo foi publicado pela própria Stainless, depois de recuperar os direitos sobre o mesmo.

Os anos de silêncio e… Carmageddon Reincarnation

Claro que tinha uma razão para escrever resumidamente sobre a história desta série e essa razão é o aparecimento de um novo título. Nos anos que se seguiram ao silêncio de toda a série, incluindo o cancelamento de um quarto jogo em 2005, que não viria a acontecer dado o falhanço de TDR 2000, a Square Enix, num movimento curioso, deteve os direitos sobre a franchise, não tomando, no entanto qualquer iniciativa. Em 2010 a Square Enix desiste da série e algo inesperado acontece em pouco tempo; O site oficial do Carmageddon reabre portas, um novo jogo é anunciado e há até um Kickstarter para esse efeito. A equipa original pega novamente neste título, e isso é sinónimo de um enorme sucesso nos primeiros passos em trazer de volta um dos ícones dos anos 90.

CARMA 8 (Reincarnation)

Carmageddon Reincarnation entrou este ano no programa de acesso antecipado e devia ser seguido atentamente por todos os fãs. É… nostalgia pura! Toda a essência e todo o esplendor do jogo que me manteve tantas horas acordado está presente. Claro que hoje em dia o jogo vai aparecer com novas tecnologias, mas também com detalhes nunca antes vistos ou novos modos de jogo. Alguns detalhes que já presenciei, como o facto de, ao reparar o carro, as peças voarem de novo para o sítio como numa contracção do tempo, ou o power-up “Blind Pedestrians” fazer com que as pessoas fiquem mesmo cegas (andam às voltas de braços esticados) são regalos para os olhos, e apenas aperfeiçoam aquilo que já estava perfeito.

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Prometo voltar mais tarde com uma antevisão, ou quem sabe, já uma análise a este título. Para já, podem ficar descansados se estão renitentes, Carmageddon Reincarnation está totalmente jogável, é absolutamente divertido e ainda tem o bónus, ao comprar em acesso antecipado, de ficar com a trilogia inicial a custo zero. Nada mau pois não?

Autor: Victor Moreira Pesquise todos os artigos por

2 Comments on "Carmageddon: O legado"

  1. Paulo Ferreira 27 January 2015 at 10:44 - Reply

    As memórias que tenho do (primeiro) título, é a de um jogo medíocre, cuja única “mais valia” em relação aos restantes jogos de carros/corridas era a possibilidade que tínhamos em atropelar transeuntes. Isso e as pinceladas de sangue com que borrifávamos as estradas.

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