Pocket Gamer Connects London

Nos passados dias 13 e 14 de Janeiro decorreu em Londres mais uma edição da Pocket Gamer Connects, um dos principais eventos mundiais sobre videojogos para plataformas móveis. Estive presente como parte do meu estúdio RtW imaginary labs assim como mais 4 empresas portuguesas, a Biodroid, Wingz Studios, Awesome e Bica Studios. Depois de ter participado na Lisboa Games Week e Comic-Con Portugal foi interessante e importante perceber como é um evento além-fronteiras e as diferenças entre algo destinado a um público geral ou a profissionais. Em termos de escala a PG Connects não parece ser muito grande mas está cheia de gente que faz movimentar a área mobile, desde quem cria a quem financia ou a quem divulga. Os preços de entrada são relativamente elevados, o que leva a que ninguém ande ali simplesmente a fazer turismo (a não ser algum excêntrico vencedor do Euromilhões). São dois dias atarefados cheios de palestras bastante interessantes e reuniões em que o melhor proveito virá da boa preparação prévia, mas também da capacidade de improviso e adaptação.

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Durante a manhã do primeiro dia, no que toca à RtW Imaginary Labs, sinceramente andamos um pouco tipo baratas-tontas sem saber muito como interagir com quem por lá passava. Apesar disso, aos poucos fomos percebendo que quase toda a gente é muito acessível. Parar alguém no corredor e pedir-lhe a opinião sobre o nosso jogo pode ser um pouco embaraçoso mas a disponibilidade e resposta é tão agradável que nos apercebemos que não estamos a incomodar. Toda aquela gente gosta mesmo de jogos e, apesar de atarefada, não se importa de estar 15 minutos a falar com uns novatos desconhecidos.

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Durante a tarde do primeiro dia aconteceu o The Very big Indie Pitch, um concurso de jogos móveis ainda não disponíveis no mercado. Participaram os portuguese Bica Studios, Awesome e a RtW Imaginary Labs e, apesar de nenhum de nós ter ficado num dos primeiros 3 lugares, é bom perceber que a participação portuguesa num evento internacional deste calibre já se faz notar e que a qualidade do trabalho desenvolvido não fica nada aquém do que é feito em qualquer outro canto do mundo. O Pitch em si foi interessante, tivemos que apresentar os nossos jogos em 4 minutos a 4 duplas de jornalistas da Pocket Gamer e alguns convidados. O tempo era curto e convinha deixar algum espaço para perguntas e para os nossos avaliadores testarem o jogo por eles por isso era essencial ter a lição bem estudada e ser ágil. Apesar de não trazermos nenhum troféu os comentários foram definitivamente bons. À noite houve uma pequena festa num bar demasiado pequeno para aguentar muito tempo por isso foi-se rapidamente descansar um pouco para recuperar forças para o segundo dia (é que o evento abria portas às 8 da manhã).

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Ainda cá em Portugal marcamos várias reuniões por um sistema online que mostrava a disponibilidade dos presentes. Tivemos todas essas reuniões no segundo dia e entre conversas com publishers a investidores, jornalistas e outros criadores, o dia acabou por ser altamente produtivo. A nossa experiência foi muito positiva. Mesmo em casos em que em termos concretos não havia interesse de fazer negócios directamente, sentimos uma grande vontade de entreajuda do género “olha eu por acaso não trabalho na área que vos dá jeito… mas vou ali falar com aquele que conheço e dou-lhe o toque para ele marcar uma reunião convosco”. Empresas como a Biodroid já mostram bastante experiência e conhecimentos neste meio, e Ricardo Flores foi inclusivamente responsável por uma das palestras do dia. Cada um foi desenvolvendo os seus contactos mas várias vezes o magnetismo patriótico juntou os 5 estúdios nacionais em conversa. No fim houve uma festarola em que o Karaoke tinha exclusivamente músicas famosas com as suas letras inteiramente alteradas para incluir os melhores comentários sobre videojogos. Ficou o saborzinho de que apesar de ali se tratar de negócios, esta é sobretudo uma área de geeks felizes por fazer o que sonharam fazer!

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O que aprendi nestes dois dias? Se calhar a principal coisa é que o desenvolvimento de videojogos para plataformas móveis pode ser de facto uma coisa séria. Em Portugal somos quase todos indies ou se calhar nem isso, fazemos jogos por hobby porque temos consciência que na maioria das vezes eles não nos pagam as contas… mas apesar desta abordagem realista as coisas não têm que ser sempre assim. Pela minha breve experiência, o valor potencial dos nossos jogos além-fronteiras é completamente diferente do que por vezes timidamente julgamos e sim, com o devido planeamento é possível viver dos videojogos. Não é uma questão de é tudo ou nada. A percepção de que dependemos unicamente de supostos golpes de sorte como Flappy Bird não é exacta e, tal como em qualquer outro negócio, várias decisões bem ponderadas têm que ser feitas para a viabilidade do mesmo. Temos muito o costume de ficar sentados no nosso cantinho à espera que a sorte nos chegue… mas se calhar é tudo mais eficaz se nós nos tentarmos fazer notar em eventos deste género junto aos parceiros que de facto nos poderão ajudar, seja por conhecimento, investimento ou divulgação.

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A segunda é que o facto da dificuldade de divulgar os nossos jogos não é apenas coisa de portugueses, é algo geral. Claro que existem países em que a cultura local incentiva esta área, a Finlândia é um exemplo disso, desde a cultura em si aos incentivos estatais existentes. Talvez Portugal ainda não tenha estado muito na boca do mundo em relação ao desenvolvimento de videojogos e, sem alguma ajuda e incentivo torna-se mais difícil de o fazer. Possivelmente será necessário um grande sucesso nacional para que de repente se abra os olhos mas, por outro, é difícil alcançá-lo sem condições apropriadas de trabalho. É uma pescadinha de rabo na boca de causa e consequência mas confio que com trabalho e alguma dose de sorte, algum dia lá chegaremos. Na minha opinião o campo de desenvolvimento móvel e indie é o melhor ponto de partida para Portugal visto ainda não termos estrutura para projectos mais megalómanos.

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No fim de contas, na PG Connects presenciei a criação mobile levado a sério e apesar de, hoje em dia, ser já uma área extremamente competitiva, existe ainda a oportunidade!

Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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