Alien Syndrome (1987) vs Alien Syndrome (2007)

Os fãs da Sega sabem perfeitamente que a empresa japonesa está sentada em cima de um monte de franchises com muito potencial. O problema é que após a queda da Dreamcast, a maioria dos revivalismos que a Sega produziu, como Altered Beast para a PS2 ou Golden Axe Beast Warrior deixaram muito a desejar, tanto que a empresa hoje em dia apenas aposta nos nomes que mais garantias de retorno financeiro lhe dão. E então o que dizer de Alien Syndrome? Um jogo da década de 80 que caiu na obscuridade, ter uma sequela 20 anos depois para dois sistemas completamente distintos como a Nintendo Wii ou a PSP? É o que veremos já em seguida.

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O original da arcade era um jogo frenético e que poderia ser jogado em co-op com mais um companheiro. O objectivo era infiltrar várias bases/estações espaciais que tinham sido invadidas por aliens e resgatar uma série de humanos até podermos enfrentar o boss e avançar para o nível seguinte. A perspectiva era em top-down view, pensem neste jogo como uma espécie de Commando da Capcom no espaço. Podíamos capturar diferentes armas, os níveis eram cada vez mais labirínticos e com mais monstros a surgirem em cada canto. Um jogo repleto de acção e com uma dificuldade acima da média como mandavam as leis das máquinas cujo único objectivo era o de sugar todas as nossas moedas dos bolsos.

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Eis que pouco depois surgiu a conversão para a Master System e apesar dos objectivos do jogo em si serem semelhantes, esta versão caseira já impunha um ritmo mais lento. Enquanto no original podíamos mover-nos livremente e a câmara acompanhava a acção, aqui o jogo leva uma abordagem mais “The Legend of Zelda”, com a câmara apenas a transitar de “sala a sala”. Mas a jogabilidade mantém-se idêntica e o objectivo do jogo também, embora os níveis em si sejam completamente diferentes. Esta versão também não é pêra doce, com as armas mais lentas e os inimigos a surgirem do nada, o que pode causar algumas mortes estúpidas, se aparecer algum bicho mesmo debaixo de nós. Existem muitas outras conversões de Alien Syndrome para outros sistemas, incluindo a Game Gear que aparentemente é na realidade uma sequela, mas o que nos interessa verdadeiramente é o que vem a seguir.

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Em 2007 a Sega lançou mais um Alien Syndrome, pelas mãos da produtora Totally Games. E mudaram bastante o conceito do jogo! A versão que terei em referência neste artigo é a da PSP, a versão da Wii é semelhante, mas tira partido dos sensores de movimento para os seus controlos. Ora bem e logo quando começamos este jogo, o mesmo nos pergunta qual é a classe que queremos ser, cada uma com os seus atributos próprios e aptidões para usar diferentes tipos de armas. Oi? Classes? Atributos? Pontos de ataque e defesa? Sim, este novo Alien Syndrome é um Action RPG, uma espécie de Baldurs Gate Dark Alliance mas passado no espaço. É justamente o estilo de jogos que eu mais gosto na PSP para as viagens mais longas, mas confesso que não estava à espera de uma mudança assim tão gritante.

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Mas depois desta estranheza inicial, até que gostei do que estava a jogar, apesar de tudo ainda me parecer um pouco low budget. Temos imensas armas que foram vistas nos jogos originais, como lança-chamas, explosivos, armas laser ou rifles, bem como vários “bastões” para os combates corpo-a-corpo, que por vezes até são mais gratificantes. Com o combate vamos ganhando experiência, à qual vamos poder atribuir pontos a outras skills, que nos possam permitir utilizar outras armas que apenas diferentes classes têm acesso, bem como podemos atribuir outros pontos a atributos como ataque ou agilidade.

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E sendo este também um jogo com muito loot, existem imensas armaduras e demais equipamento que podemos encontrar, cada qual com diferentes características, e que equipados também alteram o aspecto da nossa personagem, a mesma Aileen Harding dos primeiros jogos. Tudo o resto que não serve para nós, como armas mais propícias para outra classe ou equipamento que já não nos interesse, poderemos deitar fora (e eventualmente dar a alguém que esteja a jogar isto em co-op connosco). Ou então poderemos dar uso ao sistema de crafting. A acompanhar-nos ao longo da aventura, temos um pequeno robot conhecido como SCARAB que nos dá suporte, tanto a combater, como a produzir novas armas, equipamento ou outros itens como munições. Para isso necessitamos dos resource points, que tanto podem ser largados pelos inimigos, encontrados em baús, ou ao reciclar itens que não precisemos.

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Uma coisa que não gostei nada nesta sequela é o facto de o jogo não guardar automaticamente o nosso progresso. A primeira vez que o joguei avancei logo pelo menos os 2 primeiros níveis e quando ia começar o próximo simplesmente desliguei a consola, à espera que como qualquer jogo moderno salvasse o nosso progresso pelo menos no final de cada nível, já nem falo em checkpoints. Pois bem, apenas podemos fazer save nalguns pontos especiais no mapa. Fica o aviso!

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Graficamente falando, e voltando aos Alien Syndrome clássicos, a influência de filmes como Alien é notória, logo no design Gigeriano de alguns dos monstros. A versão arcade é a que tem um grafismo mais detalhado, mas sinceramente gosto mais das cores mais vívidas da Master System. Já esta sequela apresenta um grafismo todo em 3D e ocasionalmente lá nos apresentam umas cutscenes com imagens estáticas muito inspiradas pelas comics norte americanas. No entanto, sinceramente não é que tenha ficado muito impressionado com o que vi e a PSP consegue fazer melhor. Mas não é pela falta de polígonos que me queixo, mas mesmo pelo design e a variedade de texturas nos níveis não ser muita.

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No fim de contas, e apesar de a maior parte das publicações lhe terem dado uma má nota, eu não acho este último Alien Syndrome um mau jogo. Sim, parece um título low-budget e um pouco inacabado em alguns aspectos, mas para quem gostar de RPGs de acção do estilo dungeon crawler irá certamente tirar algum proveito deste jogo. Os fãs do Alien Syndrome original é que não poderão achar muita piada. Já esse continua um clássico das arcades que vale sempre a pena ser relembrado.

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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