Top 10 Imports para Dreamcast

Sonhos importados

Apesar do seu curto ciclo de vida, a Dreamcast presenteou-nos com uma biblioteca recheada de clássicos, ports arcade quase perfeitos, hidden gems e muito mais. Ainda assim, deixou a sensação que podia ter feito muito mais e a sua morte prematura acabou por travar algumas localizações com bastante potencial.

Este Top dedica-se precisamente a apresentar 10 casos em que as regiões PAL ficaram a salivar por jogos a que apenas os Japoneses e/ou os Norte Americanos tiveram direito.

10 – Napple Tale: Alisia in Daydream

Top 10 Imports para Dreamcast IMGs

Este título muito interessante combina dois géneros com bastante eficácia; por um lado, é um platformer 2.5D, comparável a Pandemonium!, em que, apesar dos ambientes e personagens serem em 3D, os movimentos são executados apenas em duas dimensões; por outro lado, é um RPG em que temos a liberdade de explorar alguns cenários livremente, percorrer aldeias, falar com NPCs, aceitar quests, comprar artigos e usá-los para progredir mais na acção.

Não sei se estava prevista uma localização ou tradução, mas é sem dúvida um jogo com muito potencial que pode ser ignorado devido ao seu aspecto “demasiado japonês”.

9 – Illbleed

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Illbleed, apesar de se encaixar no género survival horror, é suficientemente estranho para ser difícil de descrever. Possui os elementos típicos de um jogo deste género, como Resident Evil ou Silent Hill, (puzzles para resolver, itens para procurar, algum combate), no entanto tenta dar-lhe um twist original com um sistema de detecção de armadilhas através dos sentidos (visão, audição, olfacto e um sentido “paranormal”), o que faz com que possa ser visto como um antepassado espiritual de Eternal Darkness para a GameCube. Para além disto, a sua história bizarra digna de filmes de terror manhosos de série B, que resulta num humor não-propositado faz de Illbleed um título de culto.

Para quem o quiser importar, para além do Japonês, teve lançamento na América do Norte, o que quer dizer que está traduzido para inglês, tornando-o acessível para jogar.

8 – Bomberman Online

Top 10 Imports para Dreamcast IMGs (2)

Metade do título chega para justificar a presença deste jogo nesta lista: Bomberman. Há poucos jogos com um conceito tão simples que conseguem ser tão viciantes e divertidos. Em praticamente todas as plataformas por onde passou deixou títulos de enorme qualidade (muitas horinhas passei eu a jogar Mega Bomberman na Mega Drive ou Neo Bomberman na arcade), até chegar à Dreamcast onde, apesar de não ter desiludido na entrega dessa qualidade característica, ficou preso em terras Americanas e nunca viu uma localização para a Europa. E não se deixem enganar pelo título porque, embora se proclame como Online, é perfeitamente jogável offline actualmente.

7 –L.O.L. Lack of Love

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Outra das características que define a Dreamcast é a existência de meia dúzia de bizarrias que ainda hoje ficamos a pensar como é possível existir algo assim e quem é que se lembrou disso (sim, Seaman e Typing of the Dead, estou a falar de vocês). Lack of Love pode ser considerado um avô de Spore, na medida em que controlamos um ser vivo estranho que está a tentar sobreviver e evoluir executando algumas tarefas que envolvem ajudar outros seres vivos a sobreviver e evoluir também e, para isso, temos à nossa disposição 4 acções diferentes: atacar, falar, dormir e urinar (não estou a gozar, é mesmo verdade).

Um jogo que requer paciência e persistência mas que se destaca por ser bastante original e diferente. Infelizmente, para além de não ter sido localizado para a Europa, não saiu sequer do Japão.

6 – Border Down

Top 10 Imports para Dreamcast IMG.

Ao fazer este Top, prometi a mim mesmo que não abusava dos shmups nem de fighting games, visto existirem imensos e serem praticamente todos de enorme qualidade. Para um dos representantes do primeiro género escolhi então Border Down, um shmup que se distingue por utilizar um gimmick diferente e bastante interessante: cada nível tem 3 versões diferentes (borders), cada vez que perdemos somos relegados para uma versão abaixo que é mais difícil do que a anterior. Pode parecer estranho e contraditório mas, se pensarem bem, faz todo o sentido: o jogo recompensa o jogador habilidoso que se consegue manter vivo durante mais tempo; quanto mais se aguenta, mais fácil fica o jogo e vice-versa.

Border Down, tal como muitos outros shmups, nunca saiu do Japão.

5 – Last Blade 2: Heart of the Samurai

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O último fighting game em 2D lançado para a Dreamcast ofereceu uma despedida em beleza de um género imensamente prolífico nesta consola e que julgo não ter sido igualado em mais nenhuma nessa altura e desde então.

Ao dizer-se que é um jogo da SNK já não preciso de dizer o óbvio: grafismo lindíssimo, personagens e animações super detalhadas, jogabilidade fluida e quase sem falhas… vocês já sabem. O que Last Blade 2 traz de diferente é uma filosofia e mecânicas em que apenas vi paralelo na série Samurai Shodown; o foco cai num combate com armas, mais slow paced, calculado e em que os erros se pagam caro. Uma coisa que demonstra isso mesmo é a presença de um botão mapeado exclusivamente para fazer o que chamam de “repel”, um espécie de parry que interrompe qualquer golpe adversário, deixa-o vulnerável e oferece-nos um golpe “grátis”. Profundo, desafiante e perfeccionista, Last Blade 2 é 2D fighting no seu melhor e está disponível em versão Japonesa e Norte Americana.

4 – E.G.G. Elemental Gimmick Gear

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E.G.G. é o nome dado ao fato estilo mecha que o nosso personagem, que esteve em sono profundo durante imenso tempo, usa tanto no seu dia-a-dia como em batalha. Neste action adventure com gráficos desenhados à mão, exploração e muito puzzle solving, as comparações com os jogos em 2D da série Zelda são quase inevitáveis, embora não signifique que seja uma cópia insossa.

Elemental Gimmick Gear não é completamente original mas é divertido e cumpre bem com o que se compromete a fazer. Possui uma versão Norte Americana, apesar de sofrer alguns problemas de tradução e é uma pena não haver uma localização PAL nem mais jogos do género.

3 – Garou: Mark of the Wolves

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Para muitos considerado dos melhores jogos do género feito pela SNK e um dos melhores na biblioteca da Dreamcast, Mark of the Wolves é, para mim, logo a seguir a Street Fighter III: 3rd Strike, o que de melhor se fez a nível de fighting games em 2D nessa geração.

A qualidade das sprites e das animações, a fluidez de jogo, o sistema de combate, está tudo aprimorado quase ao máximo; e, tendo em conta que estamos a falar da SNK, empresa que é reconhecida por ser especialista no género, dizer que este é dos seus melhores trabalhos é um testemunho da enorme qualidade que se vê aqui.

O jogo foi localizado para a América do Norte, no entanto tem alguns problemas de som, pelo que, se isto for incómodo para vocês, será melhor optarem por importar a versão japonesa.

2 – Segagaga

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Tenho de confessar que nunca joguei Segagaga, no entanto sou quase forçado a, não só colocar o jogo nesta lista, mas também colocá-lo logo em segundo lugar. Se não vejam: Segagaga é um RPG em que os nossos personagens têm de conduzir a própria SEGA à vitória sobre a maléfica DOGMA (uma paródia da sua rival no “mundo real”, Sony, que na altura competia com a Playstation 2) pelo domínio do mercado. Para isso, teríamos de derrotar vários adversários na forma de empregados da SEGA e de personagens icónicas como Alex Kidd, Sonic ou Amigo. Agora digam-me se não têm tanta vontade de jogar isto como eu tenho?

O jogo, devido à sua natureza bizarra, teve alguns percalços pelo caminho, acabando por ser lançado muito perto da data em que se anunciou a morte oficial da Dreamcast e, portanto, nunca saiu do Japão.

Apesar de ser uma óbvia paródia, é inevitável não ver Segagaga como um símbolo do que acabou por acontecer na realidade: o domínio avassalador da PS2 sobre a Dreamcast, o que ditou o golpe fatal para a SEGA.

1 – Ikaruga

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Para muitos pode parecer um cliché e uma escolha óbvia; sinceramente não me interessa: escolhi Ikaruga porque é mesmo bom. Este shmup vertical da Treasure, visto como sucessor espiritual de Radiant Silvergun, outro excelente título do mesmo estúdio, tem tudo de bom que já vinha de trás e ainda consegue introduzir uma mecânica muito interessante e que refresca bastante o género: oferece-nos a possibilidade de, com o pressionar de um botão, alternar entre duas cores do nosso “escudo”; com uma activa, absorvemos as balas dos nossos inimigos dessa respectiva cor.

Com um excelente design, boss battles épicas e uma dificuldade desafiante, típica dos jogos deste género, Ikaruga destaca-se sem grandes problemas como um dos melhores feitos até hoje.

Apesar de existir uma versão mais acessível lançada na Europa para a GameCube, não é a mesma coisa do que experienciá-lo no sistema para o qual foi desenhado e que tanto se destaca por ser um “lar” para os shmups.

Autor: Miguel Coelho Pesquise todos os artigos por

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