Circuito Internacional de Vila Real 2015

Vila Real a altas rotações mas que souberam a pouco!

Os dias 10, 11 e 12 de Julho foram diferentes em Vila Real, que recebeu o 45º Circuito Internacional, este ano com o ainda mais atractivo campeonato do mundo de WTCC, onde participa o nosso Tiago Monteiro. Foram dias de calor, alcatrão a altas temperaturas, muita borracha queimada, muitos percalços, alguma adrenalina e emoção em mais uma prova automobilista em terras lusas. Depois de no ano passado a PUSHSTART ter feito a cobertura oficial do evento que reunia música e desporto automóvel no Accelaration 2014 – Celebrate The 80´s & 90´s With The Hoff, em 2015 foi como espectador, desta feita, que fui assistir a um dos mais esperados eventos da época desportiva.

7

Foram várias as modalidades a participar na competição de três dias, desde 500 (competição entre Fiats 500), LCC (Legends Classic Cup), CNCC e CNCC 1300 (Campeonato Nacional Carros Clássicos e de cilindrada de 1300 respectivamente), FEUP (competição organizada da Faculdade de Engenharia do Porto), CNV (Campeonato Nacional de Velocidade) e a coqueluche do certame, FIA WTCC (World Touring Car Championship). Muitas destas contavam ainda com a participação de algumas personalidades da cidade, como é o caso do Presidente da Câmara. Se sexta-Feira foi praticamente dedicada ao reconhecimento do traçado e testes aos veículos, o Sábado foi dia de qualificações nas várias modalidades e já alguma competição, sendo que o melhor estaria guardado para o fim, com as tão desejadas disputas de WTCC.

3

Porém, nem sempre o que é mais desejado corresponde às expectativas, e como um comum espectador, que pagou para estar estrategicamente situado numa bancada, os dissabores começaram cedo. A prometida televisão gigante para acompanhamento das provas de WTCC (transmitidas e patrocinadas pela Eurosport) e a qual inclusivamente diferenciava o preço final da bancada E2, simplesmente não existia. Ou melhor, estava mal localizada e coincidentemente (será mesmo?!?!) posicionada em frente a uma pastelaria, no qual confortavelmente sentados em sofás, vários espectadores/clientes puderam usufruir de todos os pormenores, não gratuitamente, é certo, mas seguramente com valores muito mais em conta que os 50€ – preço da bancada em questão para os três dias.

1

Aos espectadores pagantes, restou mesmo o sol intenso que se fez sentir, já que até mesmo a localização da bancada, com capacidade para cerca de 1200 pessoas e apenas com uma rota de evacuação (?!?!), a meu ver, não favorecia em nada o visionamento das provas. Basicamente colocada a seguir a uma curva, os aqui presentes apenas em segundos viam a passagem dos carros (e eles não circulavam assim tão velozmente), levando-me a crer desde cedo que o posicionamento desta deveria ter sido uns metros mais atrás, na zona da rotunda, onde aí sim permitiria visualizar uns metros da descida que antecediam a curva, e a respectiva saída desta – aliás algo frequente em locais próprios para a prática deste desporto. A ajudar à festa, três pobres árvores que tapavam a visibilidade da pista em praticamente 80% da sua extensão. Mais pobres ainda, coitadas, pois foram podadas na noite de Sábado para Domingo, provavelmente após algumas reclamações nesse sentido. Mesmo com esta intervenção técnica o trabalho de captura de imagens com qualidade revelou-se tremendamente complexo, o que me obrigou a recorrer ao facebook oficial do Automóvel Clube de Vila Real, no qual poderão imagens e vídeos de grande beleza e espectacularidade.

9

Se por esta altura já via alguma derrapagem no processo, o verdadeiro estampanço deu-se com alguns problemas que foram acontecendo ao longo dos três dias. No primeiro, por exemplo, alguns treinos livres não tiveram lugar – apesar de programados – o que até se compreende pois imprevistos acontecem. O que já é mais difícil de compreender é a tremenda falta de informações, tanto no site oficial, como nos vários pontos estratégicos presentes no circuito. Além do speaker, nada mais existia. Outro problema grave, foi a enorme demora/ dificuldade em remover carros acidentados, o que obrigou à constante (reforço mesmo “constante”) entrada do safety car (que creio ter sido o carro que mais voltas deu a este circuito) e respectivos camiões equipados com gruas, que nalguns casos, para se deslocarem até ao local do acidente tinham que praticamente percorrer a totalidade do traçado de 4,6km. Ora isto em corridas temporizadas e, que devido aos direitos de transmissão da Eurosport, não podiam sofrer atrasos, resultou na interrupção da grande maioria das provas. Para se ter uma ideia, no Domingo mais de metade das modalidades viram a bandeira vermelha a esvoaçar, sem serem posteriormente retomadas. Se percebo, por um lado, que as características de um circuito citadino são bastante particulares, por outro, não deixei de ficar com a sensação de algum amadorismo para um evento desta importância, o que acabou por me desiludir. São os pormenores que fazem a diferença e neste caso houve, sem dúvida alguma, alguns que falharam estrondosamente.

safety

Pelo meio, Tiago Monteiro também não teve um fim-de-semana nada feliz, já que após ter falhado o lugar pretendido na qualificação de Sábado, no Domingo e logo após a partida se envolveu num acidente com outros dois pilotos, que resultou num embate no muro do seu Honda, e respectiva desistência, logo na primeira volta, apenas a alguns metros da linha de partida. Ainda assim, a opinião geral dos principais intervenientes destes três dias, os pilotos, foi positiva, dando tudo a indicar pela maioria que o circuito é, para eles extremamente exigente, mas igualmente apelativo e desafiante. Para o espectador, contudo, nem por isso.

TM

Mas nem tudo é mau e há que realçar os aspectos positivos. A descentralização deste tipo de eventos, tanto da capital, como do Porto é de enaltecer e apoiar vivamente, além de que Vila Real foi de facto a melhor cidade para receber esta prova com a participação (e compreensão nalguns casos já que a sua realização causou bastantes constrangimentos) de todos os Vila Realenses. Com um investimento de cerca de 1,5 milhões e com uma previsão de ganhos na ordem dos 12 milhões, sem dúvida que estes três dias foram uma lufada de fresco e uma almofada de oxigénio para as principais actividades económicas na região. Neste segmento, a minha vénia e respectivo agradecimento a todo o trabalho efectuado na realização/ organização deste evento.

l

De salientar também o saudável contacto entre os pilotos e público. Os primeiros, na quase totalidade, foram bastante dados nas voltas de agradecimento, acenando, abrandando perto das bancadas e um ou outro lá arriscando uma série de peões, para gáudio do público, sendo que no Domingo ainda houve uma sessão de autógrafos dos pilotos de WTCC que decorreu no shopping Dolce Vita, o que resultou num grande entusiasmo de todos aqueles que se deslocaram a Vila Real este fim-de-semana. Por fim, uma palavra de apreço também para a organização logística de todas as acessibilidades, que apesar do grande afluxo e respectivos condicionamentos, acabaram sempre por estar acessíveis, ainda que, uns mais lentos do que outros.

asas

No fim, não posso deixar de sentir, um certo sabor agridoce. No fundo acabou por saber a pouco. A frustração das constantes entradas do safety car, recorrentes interrupções das provas e uma malfadada bandeira vermelha, acaba por ser o que mais levo destes três dias de desporto automóvel. Esperava mais, é certo e não consigo esconder, esperava melhor, mas fica a esperança que por ser a primeira vez todos estes apontamentos sejam fácil e rapidamente corrigidos e ultrapassados na próxima edição, que recordo, já está contratada. Vila Real não deve deixar escapar esta iniciativa mas sim preservá-la. Se isso implicar queimar alguma borracha e cortar algumas curvas em nome do sucesso deste Circuito Internacional de Vila Real, juntamente com o WTCC, força. Para o ano há mais… e melhor espero.

Autor: Andre Santos Pesquise todos os artigos por

Deixe aqui o seu comentário