Entrevista – Sebastian Frank Games

À procura de financiamento para concluir o seu projecto, a Sebastian Frank Games apresenta-se ao público nesta entrevista dada à PUSHSTART, onde falamos de influências, desafios e muito mais.

PUSHSTART: Para começar, pedia-vos que se apresentassem.

SEBASTIAN FRANK GAMES: Este projecto tem dois promotores, Cláudio Fernandes, 32 anos e José Nunes, 30 anos. Somos os dois de Coimbra e contamos com a colaboração de Joaquim Borges, de 29 anos. O Joaquim é de Vizela e também está a trabalhar a tempo inteiro no projecto como artista gráfico. Ele fez a arte da demo “Sebastian Frank: The Vienna Prologue”, que já está disponível para download e com legendas em português. Todos estudámos juntos em Coimbra. Outras pessoas colaboraram pontualmente neste projecto e sem elas o mesmo não seria, de todo, possível.

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PS: Como é que surgiu a Sebastian Frank Games?

SFG: A ideia de criar um estúdio de videojogos está na mente dos promotores, praticamente desde que nos conhecemos, há onze anos, na Universidade de Coimbra. A ambição é criar um estúdio que se possa afirmar no sector internacional dos videojogos, como uma marca de produtos de entretenimento criativos e cativantes. A oportunidade surgiu quando ficámos desempregados e, desde esse momento, não hesitámos em iniciar esta aventura.

A nossa intenção tem por base a oferta de experiências centradas em enredos interessantes, cómicos e engenhosos. Na concepção do projecto está o objectivo de criar jogos focados na narrativa, jogos que nós gostamos de jogar e que nem sempre encontramos no mercado. Sabemos que há mais pessoas com este perfil, é para elas que trabalhamos com muito carinho e é a elas que queremos chegar.

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PS: Imaginamos que vocês tenham background de gamers. Que títulos conseguem referir, que marcaram a vossa infância, ou até mesmo recentemente?

SFG: A nossa experiência de gaming é sobretudo ligada às aventuras gráficas. Temos os dois essa paixão, que começou no final da década de 80. Títulos como Beneath a Steel Sky, Monkey Island, Indiana Jones, Broken Sword, Flight of the Amazon Queen, Day of the Tentacle, para nomear alguns, fazem parte do nosso imaginário e são jogos que recordamos com muita saudade e que, por vezes, revisitamos. Foi com alegria que recebemos o renascimento deste género mais recentemente com títulos, como Broken Age, Machinarium, Deponia, The Cave, os jogos da Telltale e, claro, o nosso compatriota Inspector Zé e Robot Palhaço em Crime no Hotel Lisboa.

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PS: Usando a pergunta anterior, mas falando directamente sobre o Sebastian Frank, conseguem nomear alguns jogos que vos influenciaram na sua criação?

SFG: A nossa experiência como gamers tem, com certeza, influência no nosso trabalho. Os títulos da Lucas Arts e da Revolution em especial são, particularmente, influentes. A nossa intenção é fazer um jogo para os fãs do género, onde nos incluímos, no qual queremos ser fiéis aos aspectos que popularizaram este género. Convidamos os jogadores a experimentar a nossa demo, que, com certeza, que vão identificar essa influência.

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PS: Porquê a escolha de desenvolverem um jogo no género point ‘n click?

SFG: O género em questão foi uma escolha óbvia para nós. É o nosso género favorito e foi essa paixão que nos motivou a empreender este projecto. Este género permite explorar da melhor maneira as características que queremos introduzir nos nossos jogos. Queremos dignificar o seu legado e proporcionar novos títulos aos fãs dos point ´n click. Temos, igualmente, a ambição de introduzi-lo aos novos gamers que ainda não o conheçam. O facto de o mercado voltar mostrar interesse no género validou a ideia do ponto de vista do negócio e, como tal, decidimos avançar.

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PS: Como é que surgiu a ideia para o argumento?

SFG: A ideia nasceu no último jantar de natal da antiga empresa onde trabalhávamos. A ideia da exploração do período histórico entre as duas grandes guerras foi uma escolha óbvia, pelo nosso interesse no tema. Sabemos, também, que se trata de um tema que capta a atenção de milhões de pessoas no mundo e, como tal, do ponto de vista estratégico, faz todo o sentido a sua exploração.

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PS: A referência a elementos da cultura popular, a artistas e personalidades históricas é uma constante ao longo do jogo. Foi algo que surgiu naturalmente?

SFG: Esse conceito surgiu desde o início, pois entendemos que aumenta o interesse pela história do jogo, além de enriquecer a experiência do jogador. Na demo essas referências já estão presentes e no jogo que estamos a financiar também vão estar.

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PS: Na demo que experimentámos nota-se que existe um contraste entre o tema central e a introdução de momentos mais cómicos. É esse o espírito que procuram para o produto final?

SFG: É um dos aos aspectos, que referimos anteriormente, como sendo um dos mais importantes para a popularidade do género. A componente de humor é fundamental nestes jogos e é um dos aspectos que mais cuidamos nos nossos títulos. Esse espírito permite-nos produzir produtos focados na componente narrativa e com um forte valor de entretenimento, que diverte os jogadores.

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PS: Há planos para fazerem vozes em português ou vão ficar-se pelo inglês?

SFG: Neste momento não temos planos para fazer as vozes em português. É uma possibilidade que deixamos em aberto para o futuro, se sentirmos que isso poderá melhorar a experiência dos fãs. Temos, no entanto, intenção de legendar os jogos em diferentes línguas. Na versão de demonstração, até ao momento temos legendas em inglês, português, polaco, italiano e, em breve, teremos também em espanhol, francês e alemão.

PS: Estão a planear fazer lançamentos episódicos ou vão lançar o jogo completo, assim que estiver pronto?

SFG: Quando o episódio “Sebastian Frank: The Beer Hall Putsch” for lançado o jogador terá acesso ao jogo completo. Projectamos que tenha uma jogabilidade de cerca de 4h.

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PS: Estão completamente dependentes de crowdfunding, ou existem opções alternativas de financiamento?

SFG: Na campanha do Indiegogo estamos a pedir 30000€ para financiar o projecto. Esse valor corresponde a cerca de 30% do valor necessário para produzir o jogo. Estamos, no mesmo sentido, a investir o nosso dinheiro e a negociar com editoras e investidores o financiamento do restante valor necessário à execução do jogo. Esses acordos só serão possíveis se for reconhecido o interesse do público na campanha de crowdfunding.

Apelamos a todas as pessoas que gostam deste projecto que mostrem o seu interesse e nos ajudem a conseguir o investimento necessário para o produzir. Estamos muito empenhados em realizar o nosso sonho de vos proporcionar uma experiência de jogo única e feita em Portugal.

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PS: Num tema paralelo, como é que vêem o desenvolvimento da indústria de videojogos em Portugal? Como tem sido a vossa experiência?

SFG: Desde o momento que iniciamos este projecto que procuramos conhecer as pessoas que já trabalhavam na indústria, onde fomos muito bem recebidos. Desenvolvemos o conhecimento desta ao longo do projecto e construímos uma relação com as suas pessoas. É uma indústria ainda pouco madura, mas que está a crescer, e uma que já apresenta alguns projectos com muita qualidade. Agora que lançámos a campanha de crowdfunding estamos, igualmente à espera dos seus resultados para perceber se os elementos da indústria estão motivados em torno desta comunidade, no sentido de proporcionar novas oportunidades para todos. Essa relação é fundamental para promover projectos de sucesso e diversificar as oportunidades de financiamento.

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PS: Já pensam no que pode vir depois de Sebastian Frank, ou para já ainda estão só concentrados neste?

SFG: Sebastian Frank é o nome do personagem principal, mas, também, o nome de uma série. A nossa ideia é fazer uma série de jogos, que começou com o episódio zero; “Sebastian Frank: The Vienna Prologue” que é também a demo para a mesma. O apoio que estamos a pedir às pessoas é para o episódio um: “Sebastian Frank: The Beer Hall Putsch”. Caso seja bem-sucedido a ideia é dar continuidade à história e acompanhar, ao mesmo tempo, um dos principais momentos da história da humanidade. Se gostam da ideia não percam a oportunidade de fazer parte deste projecto e visitem a nossa campanha no Indiegogo, procurando pelo projecto Sebastian Frank.

Podem apoiar este projecto na sua campanha do Indiegogo em http://igg.me/at/sebastianfrank.

Autor: Miguel Coelho Pesquise todos os artigos por

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