Radar – Ricardo Gomes

O espírito guerreiro como forma de viver os videojogos: esta é a visão de Ricardo Gomes, o nosso convidado desta edição nesta conversa sobre o seu percurso.

PUSHSTART (PS) – Como é que começaste a coleccionar?

Ricardo Gomes (RG) Desde o tempo da Mega Drive, que foi a consola que me catapultou para o verdadeiro gosto em videojogos, que comecei a “enfeitar” a minha estante com os respectivos jogos que tinha dessa consola e, posteriormente, a preservá-los/arquivá-los para dar lugar aos das gerações seguintes. Apesar de na altura não ter muito a noção do que era “coleccionismo”, já fazia um esforço para preservar o que tinha com grande estima, pois grande parte (ou todos) dos jogos que me eram oferecidos acarretavam sempre um esforço monetário considerável da parte dos meus parentes. Posso dizer que comecei praticamente a coleccionar “inconscientemente” a partir daí.

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PS – Costumas procurar activamente por artigos novos para a tua colecção?

RG – Presentemente, nem por isso. Já o fiz durante vários anos e, agora, posso dar-me por feliz quando digo que já tenho praticamente tudo o que queria na minha colecção. De vez em quando, deparo-me com gameplays/walktroughs de jogos que já saíram e que na altura me escaparam e se, porventura, forem ao encontro dos meus gostos, tento comprá-los, se os preços me agradarem.

 

PS – Qual foi a tua maior loucura em termos de compras?

RG – Bem, acho que nunca cometi nenhuma loucura, do género de esgotar o plafond do cartão de crédito ou de tirar dinheiro da alimentação para comprar jogos, como já li por aí. Já comprei alguns jogos/acessórios que me foram dispendiosos, sim, mas comparando esses valores com os que vejo por parte de outros coleccionadores, ainda me falta bastante para ser louco. Sempre fui um coleccionador paciente e, na maior parte das vezes (para não dizer todas), espero sempre pelo melhor momento para “atacar”.

 

PS – Neste momento qual o artigo que mais querias ter mas ainda não conseguiste arranjar?

RG – Posso colocar a pergunta noutros termos? “Neste momento qual o artigo que mais querias ter sem teres que dar um rim para isso? “

A edição de Kollecionador norte-americana do Mortal Kombat 9 (PS3). Não posso dizer que seja muito difícil de a obter, até nem está muito cara para o item que é. O problema são mesmo o valor dos portes, acumulados com as despesas da nossa espectacular alfândega.

 

PS – O que te atrai tanto nos fighting games e porquê a tua preferência por MK?

RG – Primeiro, devo dizer que a minha opinião geral sobre videojogos é, já por si, um pouco diferente das opiniões habituais.

Apesar de saber e ter a perfeita noção que existem videojogos para além dos fighting games que são, no geral, muito bem trabalhados e diversificados, para mim, jogar um destes videojogos sozinho durante largas horas, por muito bom e complexo que seja, é algo que me entedia profundamente. Para me entreterem a 100% os videojogos têm que ter um certo modo competitivo e é aqui que entram os fighting games.

Estes pertencem a um género que, para mim, têm mais lógica num panorama de entretenimento social ou até mesmo a solo. Passo a explicar: jogos de luta, quando jogados a dois, assentam numa base de socialização e camaradagem, rivalidade e superação pessoal, mais do que qualquer outro género. Quando jogados a solo, servem para treinar, testar novas tácticas e colocar a jogabilidade na memória muscular para depois, quando os jogar em versus, observares o resultado de todo o treino efectuado. Para mim, poucos aspectos são tão gratificantes como essa nos videojogos e este “sentimento” já remonta desde o tempo do velhinho SF2 nas arcades que, como aconteceu com muitos, foi a minha primeira experiência marcante em jogos deste género.

Nessa altura, o gosto pela competição era constantemente renovado quando aparecia uma cabinet com um jogo novo e foi assim durante vários anos. Entre vários jogos de luta destaco: Street Fighter II, King Of Fighters 94 /96, Mortal Kombat II e Ultimate Mortal Kombat 3.

De todos eles, os que se destacaram, para mim, foram, sem dúvida, os dois primeiros Mortal Kombat. Foram jogos completamente diferentes da concorrência pelos seus gráficos, que usavam digitalizações de pessoas reais, e pela sua já conhecida e característica ultraviolência. Todo este “ambiente” sério que misturava pseudo-realismo com uma história fantástica, que conjugava vários realms/reinos de outros universos, destacava-se dos restantes pela originalidade, assim como separava verdadeiramente os “homens” dos meninos… MKs eram jogados com uma seriedade absurda nas arcades porque ninguém queria perder, para não dar o gosto ao seu adversário de “matar” com Fatalities ou mesmo ser ainda mais “humilhado” com Babalities.

Todo este ambiente, também contribuía para que se encarasse cada ficha gasta como se fosse a última, ou seja, dar sempre o máximo para, “virtualmente”, salvar a vida, evitar literalmente a humilhação e, se possível, ser o “carrasco” para assim se vangloriar. Para mim, foi o apogeu da competição.

No caso de Mortal Kombat 3, com a adição do botão run e de um sistema elaborado de combos, tudo tinha que ser feito com o máximo de rapidez e precisão, o que também obrigava ao gasto de várias fichas para cimentar esses mesmos combos. Jogá-lo sem despender umas horas para aprender combos era o mesmo que mandar dinheiro para o lixo, pois MK3 diferenciava-se dos seus antecessores, precisamente por causa disto: uma mecânica mais complexa, em que o treino era absolutamente indispensável para se jogar com um certo nível. Já os seus antecessores tinham uma mecânica mais básica e acessível a quase todos.

Passada a era das arcades, quando a maior parte dos salões fecharam, quase todos estes jogos tiveram as suas versões e continuações para as consolas e, a partir daí, foi uma série de acumular para jogar.

Muitas vezes ouço a opinião de que os F Games não são mais que “porrada”…. Nada mais errado e limitativo… Entendimento da mecânica, golpes normais, golpes especiais, combos, timing, execução… sim, porque para se saber jogar este género com alguma habilidade é necessário, primeiro, aprender como cada um deles funciona (mecânica) e, depois, despender largas horas, dias, meses e até anos para cimentar as técnicas/estratégias que cada um nos tem para oferecer. Com o evoluir deste mercado, este tipo de jogos vão ficando cada vez mais complexos e difíceis de dominar. Bring them on 🙂

Se me permitirem, queria aproveitar esta oportunidade única para agradecer a todos os meus amigos (sim, porque sem verdadeiros amigos, para mim não tem lógica pertencer a comunidades, sejam elas do que for), que contribuíram para que a minha colecção seja composta, na maioria, por jogos deste género que adoro. São eles:

André Lopes; Miguel Coelho; Paulo Paredes; Victor Moreira; Vítor Viana; Releta Lima e Ivo Leitão.

Um abraço a todos vocês!

Quem é?

Nome: Ricardo Gomes

Coleccionador desde: 1994

Sistemas preferidos: Mega Drive; Sega Saturn; PSP.

Jogos preferidos: Mortal Kombat II; Streets Of Rage II; Mega Games II; Street Fighter II CE; Shinobi X; Comix Zone; Dragon Ball Z Legends; Virtua Fighter 2; Mortal Kombat (2011).

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Estatísticas

Número de jogos: 734

Número de sistemas: 22

Item mais valioso: Duke Nukem 3D cast porcelain sculpture

A jóia: Saint Seiya:Sanctuary Battle- Headgear Edition

Autor: Miguel Coelho Pesquise todos os artigos por

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