Reportagem/Entrevista: Retromania Retrogaming Party

Decorreu, nos passados dias 13 e 14 de Janeiro, nas instalações do ISPGaya, o primeiro evento da comunidade Retromania. Com a temática a incidir nos computadores de outros tempos, este primeiro evento foi dividido em duas fases.

O dia 13 foi aberto aos alunos do ISPGaya, que tiveram a oportunidade de experienciar um pouco do que havia no mercado nas décadas de 80 e 90. Expostos e prontos a usar, estavam vários modelos de Spectrum, Commodore 64, Amiga e PCs com o velhinho DOS ou o mais “moderno” Windows 95. Estavam ainda um ou outro sistema moderno, mas a pensar exclusivamente nos utilizadores mais “retro curiosos”, como um RetroPie, onde, através de emulação, se poderiam jogar clássicos de vários sistemas.

Cartaz

O segundo dia, Sábado, foi aberto à comunidade Retromania, no qual se encontraram vários entusiastas do meio e onde muito se falou sobre as suas plataformas de eleição, havendo tempo para jogar vários dos clássicos. Desde incríveis demos técnicas a correr num modesto Amiga 500, a impressionante versão do PacMan para o ZX-Spectrum a correr no 128K +2, até partidas em rede num Quake GL, disquetes e cassetes era o que não faltavam para que todos se deliciassem a reviver velhas memórias. Até houve espaço para uma pequena autópsia a um Amiga 2000 que, infelizmente, não teve salvação.

Foi o primeiro evento do género organizado pela comunidade Retromania, no qual a PUSHSTART não poderia deixar de estar presente e onde aproveitámos para fazer algumas perguntas a Ricardo Iglésias, o fundador da comunidade e principal motor por detrás do evento.

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PS: Em primeiro lugar, como te surgiu a ideia de organizares este evento, e porquê a diferenciação dos dois dias para públicos diferentes?
RI: Este evento de retrogaming teve como principal objetivo possibilitar que os membros do nosso fórum travassem conhecimento uns com os outros pessoalmente.
Um evento deste género foi algo que sempre ambicionei organizar, apenas faltava encontrar um espaço com dimensão suficiente para o efeito e que não envolvesse custos.
Nesse sentido contactei a direcção do ISPGaya para saber a abertura deles em receber um evento de retrogaming e a resposta que obtive por parte deles foi surpreendentemente positiva.
O evento foi dividido em dois dias, um dia para os alunos do ISPGaya e outro em exclusivo para os membros do nosso fórum. Termos um dia só para os nossos membros era fundamental, por isso a adição de um segundo dia, para além de necessário, foi a melhor forma que encontrei para agradecer à instituição a cedência gratuita das suas instalações.

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PS: Que equipamentos marcaram presença no evento?
RI: Tentámos abranger os computadores mais influentes das eras 8, 16 e 32-bit. Marcaram presença os sistemas ZX Spectrum, Commodore 64, Commodore Amiga, PC 486, PC Pentium, com as suas diferentes variantes, perfazendo um total de 13 sistemas.
Numa vertente mais actual, também tivemos em exposição um Raspberry Pi, com o conhecido frontend RetroPie e o MIST, um computador lançado em 2012 baseado em FPGA, que emula por hardware diversos sistemas retro.

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PS: Como reagiram à ideia os alunos do ISPGaya? Sentes que os mais jovens têm curiosidade pelas máquinas que tiveram a oportunidade de ver e experimentar?
RI: O evento teve boa receptividade por parte dos alunos, que, na sua grande maioria, foram movidos pela curiosidade de conhecer as máquinas que marcaram as décadas de 80 e 90.
A maioria dos visitantes teve contacto com estes sistemas pela primeira vez, foi todo um mundo “novo” que lhes surgiu pela frente, mas como o gaming é um hobby universal, não tiveram qualquer dificuldade em começar a jogar e divertiram-se genuinamente.

PS: Alguma plataforma e/ou jogos que acharam mais piada?
RI: Os alunos experimentaram de tudo um pouco, mas houve uma plataforma que se destacou, a primeira geração Pentium, por razões que considero óbvias, são máquinas mais próximas da geração deles.
Jogos como o Doom, Quake 1 e Network Q Rac Rally Championship fizeram sucesso juntos dos visitantes, que tiveram oportunidade de os experimentar em rede.

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PS: O segundo dia do evento já foi focado para um público mais experiente, os membros da comunidade retromania. Qual foi o feedback que obtiveste?
RI: O feedback dos membros da nossa comunidade não poderia ter sido melhor, felicitaram incansavelmente a organização e todos, sem excepção, anseiam a realização de mais edições no futuro.

PS: Em conversa, referiste várias ideias para futuras edições, como a organização de torneios, LAN Parties ou workshops de electrónica para reparações. O que pretendes fazer no futuro?
RI: No futuro, o meu objetivo passa por realizar dois eventos de retrogaming por ano, sempre com diferenças bem vincadas de edição para edição.
Este nosso primeiro evento teve como foco os computadores retro, numa próxima edição as consolas retro irão ter a atenção merecida e até lá teremos um evento intermédio na forma de uma Retro Lan Party.
Posteriormente, tenho mais ideias para materializar, mas não convêm revelar tudo agora. O factor surpresa é importante, terão de esperar para ver.
Comum a todos os eventos, teremos em exclusivo para os membros do nosso fórum, torneios de videojogos com direito a prémios, sendo que também iremos realizar alguns workshops.

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PS: Certamente que o apoio do ISPGaya foi fundamental para a realização deste evento. Qual foi a receptividade e o feedback que tiveste? É uma parceria para manter?
RI: Foi efectivamente fundamental, pois sem o apoio do ISPGaya teria sido muito difícil conseguir materializar um evento como este.
O feedback que obtivemos por parte da direcção foi muito positivo e demonstraram completa receptividade para realizar, em parceria connosco, mais edições no futuro.
Fomos muito bem recebidos por todos os colaboradores da instituição e a nível organizacional existiu uma perfeita harmonia entre as duas partes, por isso não tenho qualquer dúvida que esta será uma parceria para manter.

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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