Super Nintendo Mini

16-bit de Super Poder em tamanho Mini

Há já várias semanas que tivemos a confirmação oficial, por parte da Nintendo, do lançamento da nova consola mini. Desta vez, como era previsível, na versão Super Nintendo.

A Mini NES, lançada o ano passado, fez um enorme sucesso entre todos, ao ponto de esgotar rapidamente por todo país e não só. Foi um sucesso global! A Nintendo encontrava a sua nova galinha-dos-ovos-d’ouro.

Recentemente, a PUSHSTART teve o privilégio de testar a velha consola no seu novo formato. E o que há para dizer? É pequenina… É mesmo, mesmo pequenina. Mas também é, simultaneamente, tão grande! Grande no detalhe, na inteligência da sua concepção e na selecção dos jogos. Antes de passar pelos jogos, devo dizer que, tecnicamente, a Super Nintendo Mini portou-se bastante bem no nosso teste. Existem três formatos de imagem: 2 em HD (4:3 e escala original) e um filtro que cria o efeito dos antigos televisores CRT, tudo em prol da nostalgia. Mas, se por um lado temos uma tentativa palpável de criar as condições originais do sistema, por outro, existe igualmente o conforto apenas proporcionado pela emulação. Falo-vos, é claro, dos save states. Tal como na Mini NES, cada jogo tem direito a quatro slots para gravação, que nos permitem gravar o jogo no preciso ponto que desejemos. Mas não é apenas isso. É também possível fazer retroceder alguns segundos (ou minutos, no caso dos RPGs) desses mesmos saves, para o caso de ser necessário corrigir alguma asneirada irreversível daquele momento.
Um dos grandes problemas dos save states foi também contornado: era bastante recorrente o overwrite acidental desses mesmos saves, pelo que a Nintendo decidiu criar o bloqueio do save slot, não permitindo gravar por cima, apenas pressionando um botão. Isto evita, por exemplo, que o nosso primo que veio passar o Natal cá a casa destrua, sem querer, as 25 horas de jogo que já tivéssemos em Final Fantasy VI!

A proporção da consola com os comandos fiéis ao tamanho original. A Nintendo não brinca quando lhe chama “Mini”.

Penso também ser desnecessário mencionar que as cores em HD, ficaram melhor que nunca e em momento algum se sente a estranheza usual do face lifting característico destas conversões. É tal e qual como jogar numa Super Nintendo, mas com uma qualidade amplamente superior. O que não é amplamente superior são os comandos da Super Nintendo Mini, que sofreram pequenas modificações. O relevo traseiro do comando é antiderrapante e os botões são um pouco mais rijos. Óbvio que tal são pormenores que não estragam a experiência no todo, porém, se parte do objectivo é reproduzir o revivalismo desta consola, faço questão de escortinar todos os detalhes. Após chegar a casa e testar os “verdadeiros”, pude constatar que, passados 23 anos, os originais ainda são os melhores. Talvez também melhorem com a idade.

Naturalmente, o que mais importa, no que toca a este género de lançamentos, é a selecção de jogos que vem embutida, sendo também o maior foco de discussão dos utilizadores: “Porque meteram A em vez de B? Como é que não meteram C? Desde quando é que D merecia estar nesta lista?”.

Os 21 eleitos pela Nintendo para estarem presentes neste lançamento: Super Metroid, Final Fantasy VI, EarthBound, Yoshi’s Island… é preciso justificar mais?

É importante referir que a selecção nunca será perfeita, contudo, há que reconhecer que dificilmente a Nintendo conseguiria fazer melhor. São 21 jogos, sendo que um deles é um lançamento inédito. Falo-vos, claro, de Star Fox 2. Numa nota extra, não posso deixar de referir a ausência da trilogia Donkey Kong (apenas veio o primeiro), Chrono Trigger e também de Kirby Dream Land 3 (se colocaram o Kirby Dream Course e o Super Star não entendo porque não inseriram o jogo principal). Outro título que seria fantástico vir nesta colectânea era a conversão em inglês de Seiken Densetsu 3 (aka Secret of Mana 2), que nunca foi oficialmente lançado fora do Japão. Ainda assim, nós, Europeus, podemos congratular-nos por termos acesso a Super Mario RPG, que nunca foi lançado por cá (sem ser em Virtual Console).

A presença de Secret of Mana 2 era quase comparável à de Start Fox 2. Que a Nintendo relance o jogo para a Switch.

Mas, claro, a grande estrela deste set não poderia deixar de ser Star Fox 2, o título que foi cancelado nos últimos instantes antes do seu lançamento. A justificação, dada muitos anos mais tarde, devia-se ao facto de estar visualmente ultrapassado, tendo em conta que novos sistemas 3D, como a PlayStation e SEGA Saturn, já estavam a dar cartas no mercado. Em contrapartida, a Nintendo decidiu apostar, e muito bem, na N64 com Lylat Wars, a sequela de Star Wing.

Honestamente, olhando agora para o jogo, percebe-se a decisão da Nintendo e é de louvar a coragem de se cancelar um trabalho praticamente finalizado, em prol do bom nome da companhia. Graficamente, Star Fox 2 está ao mesmo nível do primeiro, mas talvez um pouco mais confuso, confesso. Não que seja mau, até porque nunca desgostei do primeiro jogo, apenas iria ser considerado ultrapassado na altura em que supostamente iria ser lançado. Aprofundando um pouco a experiência com este segundo título, basicamente a Nintendo repensou o jogo de raiz, mantendo o género de shooter on rails com algumas nuances. Ao contrário do primeiro, os níveis estão pensados de maneira diferente: em vez de planetas e percursos, aqui cada nível é um mini-mapa com diversos destinos. O objectivo do primeiro mapa é defender o planeta Corneria de um ataque levado a cabo pelo vilão Andross. Ao longo deste mapa, existem mini missões a gerir: mísseis que temos que explodir antes que atinjam o planeta, mini-bases que precisamos de desarmar e eliminar outros agentes especiais como nós, mas que estão do lado das forças inimigas. Em algumas dessas missões, a nossa nave transforma-se numa espécie de tanque bípede, característica pensada neste Star Fox 2 que, mais tarde, seria implementada noutros jogos. A par disto, contem com as já características lutas espaciais, além de duas personagens extra: Miyu e Fay.

O feedback que trouxe da Nintendo é bastante positivo. É verdade que a Super Nintendo Mini (peço desculpa, mas não lhe consigo chamar SNES) vai ser mais cara e traz menos jogos do que a sua antecessora, a NES Mini, mas é também verdade que, desta vez, traz dois comandos e um jogo inteiramente novo! Para além disso, a Super Nintendo detém uma biblioteca de jogos amplamente superior, sendo que, mesmo nos dias de hoje, boa parte destes jogos se mantém bastante actual.

Fox e companhia são leitores assiduíssimos da nossa revista. Não é Press, mas sim PUSHSTART!

Cá estaremos à espera dela no dia 29 de Setembro de 2017.

Autor: Nuno Silva Pesquise todos os artigos por

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