Radar – Rafael Lanita

Um “soldado veterano”, na vida e no coleccionismo! Apanhado pelo Radar da Pushstart, Rafael Lanita responde a algumas perguntas e mostra um pouco da sua colecção.

PUSHSTART (PS) – Como é que começaste a coleccionar?

RAFAEL LANITA (RL) – Não me considero um verdadeiro coleccionador. No entanto, tudo começou quando tentei adquirir o máximo de modelos do ZX Spectrum, por ter feito parte da minha juventude, e depois, a partir daí, fui tentando adquirir aqueles itens que nunca tive, mas que foram marcantes na história dos videojogos.

PS – Que jogos achas que te influenciaram mais quando eras mais novo?

RL – Não tenho propriamente AQUELE jogo referenciado, mas lembro-me que, quando frequentava o 2º ano da preparatória (actual 6º), baldava-me às aulas com alguns colegas para irmos jogar Gunfighter, numa Philips Videopac, na casa de um deles, que, se bem me recordo, o pai dele tinha trazido da Alemanha.
Quando surgiu o ZX Spectrum 48K, fazia maratonas de Chuckie Egg na casa da minha vizinha (sim, as maratonas eram mesmo SÓ de Chuckie Egg…). Era uma aventura para sintonizar a TV sempre que íamos jogar, pois não sabíamos memorizar a frequência. Incrível como um jogo, que cabe apenas em 48K, me conseguia divertir horas a fio e actualmente ainda me diverte mais do que a maioria dos jogos actuais.
Quando, mais tarde, comprei o meu Timex TC2048, eram também horas a fio a tentar bater o Green Beret. Era um jogo difícil e lembro-me que deixava aquilo na pausa, durante a noite, e continuava o jogo no dia a seguir, pois não queria perder o avanço no jogo e não tinha save.
Depois há os Dizzy, Rick Dangerous, Navy Moves, Sir Fred, etc, etc, etc, e podia ficar aqui mais uma série de linhas a enumerar os jogos de Spectrum que fizeram parte da minha juventude.
Depois, claro, as arcades. Aquilo sim, era um mundo. Jogava numa sala de jogos, num centro comercial perto de mim. No início, quando ainda éramos menores, tínhamos de entrar à socapa para o responsável não nos ver, e ficávamos escondidos atrás das máquinas. Depois era descobrir uma máquina onde estivesse mais gente a assistir e tentar jogar sem ser visto. Claro que, por vezes, corria mal. O que vale é que o velhote era coxo e nós, putos, corríamos bem.

O Rafael faltava às aulas para jogar isto…

PS – Costumas procurar activamente por artigos novos para a tua colecção?

RL – Costumo pesquisar normalmente naqueles sites de vendas mais conhecidos, mas não perscruto até às entranhas da internet, a ver se existe alguma coisa que não possua ainda. Além de que, por vezes, fora de Portugal, se encontrem preços interessantes, mas depois o valor dos portes afasta logo o interesse. Frequento ocasionalmente algumas feiras de antiguidades, onde por vezes tropeçamos em oportunidades porreiras, e costumo também perguntar a amigos e conhecidos se têm algum material lá para casa de que se queiram livrar e voluntario-me a dar uma ajuda nesse sentido! Muitos dos artigos que possuo, por acaso, são resultado de conversas ocasionais com amigos, em que andavam perdidos nos sótãos ou na casa dos pais e que me ofereceram.

PS – Tens algum foco específico como coleccionador?

RL – Nem por isso. Pode-se dizer que sou um coleccionador sem o ser. Levo isto de uma maneira descontraída e tento não perder a cabeça. Quando vejo um artigo que já ando atrás há algum tempo, porque de alguma forma fez parte da minha infância/juventude, ou por ter algum significado histórico (isto desde jogos de tabuleiro, livros, microcomputadores/consolas, discos de vinil, filmes, etc) tento adquirir. No entanto, gostava de ter o maior número de artigos da família Sinclair possível, desde o ZX80 até ao Sinclair C5, devido a ter crescido com o ZX Spectrum, no meu caso com o Timex 2048, e por todas as recordações que esses equipamentos me trazem, desde as tardes passadas com amigos em verdadeiros jogos multiplayer PRESENCIAIS, até recordações que nem têm nada a ver com videojogos, mas que se contextualizam na época. Ainda hoje, quando retiro da caixa o meu TC2048 e vem aquele cheiro característico do esferovite, entro automaticamente em modo flashback.

PS – Qual foi a tua maior “loucura” em termos de compras?

RL – Não tenho assim uma grande loucura. Como disse anteriormente, tento não perder a cabeça, pois tenho como regra “outras oportunidades hão de surgir”. Assim, se perder um negócio por considerar que o preço não se justifica ou por não ter disponibilidade financeira, embora o artigo me interesse, passo à frente e aguardo calmamente. Sem ser a nível de preço, se calhar a maior loucura foi mesmo a arcade. Era uma coisa que já desejava há muito tempo e, quando apareceu a oportunidade, agarrei-a. Até disse ao vendedor para meter um moedeiro ainda em escudos!

PUSHSTART (PS) – Se pudesses voltar atrás no tempo para comprar um artigo na altura em que ele saiu, qual seria?

RAFAEL LANITA (RL) – Penso que seria o Commodore Amiga, por ter sido um salto gigantesco em relação às máquinas de 8-bit.
Na altura, só um amigo nosso é que tinha um e eram tardes passadas em casa dele a fazer campeonatos de Kick Off. O barulho das claques ecoava na rua.

PUSHSTART (PS) – Neste momento, qual o artigo que mais querias ter mas ainda não conseguiste arranjar?

RAFAEL LANITA (RL) – Gostaria de possuir uma Vectrex. Embora não tenha feito parte da minha juventude, é uma consola espectacular e completamente fora do vulgar. Tem algo de hipnotizante. Infelizmente, o preço, para mim, ainda é proibitivo e tenho outras prioridades.

PS – Tens problemas “domésticos” por causa desta paixão ou a tua família compreende (ou até participa)?

RL – Felizmente AINDA NÃO tenho problemas, e digo isto porque ainda tenho espaço no sótão, que é uma espécie de “caverna” pessoal onde tenho o material. Quando se começarem a ver equipamentos a descer para o andar de baixo vou ter de usar de todo o meu poder de persuasão e convencer a minha cara-metade de que um Spectrum até fica bem ao lado das velas coloridas no móvel da sala. Estou a pensar argumentar de que é um elemento positivo e ajuda no equilíbrio energético do espaço, invento uma cena qualquer de Feng-Shui.

PUSHSTART (PS) – Que conselho darias a coleccionadores que estejam a começar agora ou que começaram há pouco tempo?

RAFAEL LANITA (RL) – Tenham paciência e não alimentem os tão famigerados scalpers. Aquilo que procuramos há de, mais cedo ou mais tarde, aparecer a um preço justo. Falo por experiência própria.
Não façam da coleção um alimento para o ego, o que, infelizmente, se vê muito e acaba por se transformar num juntar só para se ter em quantidade, desprezando a qualidade.
Não é por ter um preço alto, e por alguém o dizer num anúncio, que um item é raro. Aliás, raro e difícil de encontrar, embora se confundam, são coisas diferentes.
Coleccionem o que bem vos der na telha e não se deixem influenciar por quem diz que o vosso objecto de colecção não tem valor. Tem, e é aquele que nós lhe queremos dar.

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Quem é?

Nome: Rafael Lanita

Coleccionador desde: 2011

Sistema preferido: Spectrum

Jogos preferidos: Manic Miner, Chuckie Egg, Green Beret, Rick Dangerous, R-Type, Tekken 2, Crash Bandicoot.

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Estatísticas

Número de jogos: cerca de 270.

Número de sistemas: cerca de 40.

Item mais valioso: Sinclair QL

A jóia: Timex 2048.

Autor: Miguel Coelho Pesquise todos os artigos por

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