Gambuzino – Jogos LCD da Luso Toys

Para a secção Gambuzino, decidi falar um pouco de uma linha de jogos LCD, da marca Luso Toys, uma empresa nacional.

Quando soube da existência destes, não desisti até encontrá-los e, depois de muito perguntar por aí, um conhecido meu revelou-me que sabia de um fotógrafo que, em tempos, os tinha vendido na sua loja. Falei então com ele e lá consegui arranjar cinco jogos, ficando-me apenas a faltar um (daquilo que sei).

Para contextualizar, a Luso Toys é uma empresa que surgiu pouco tempo após o 25 de Abril (à volta de 1976) na zona da Maia, ficando conhecida especialmente a nível nacional pelo fabrico de miniaturas automóveis em metal ou plástico, tanto já montadas como em kits. Além destas, que são o seu produto mais conhecido, também produziu jogos LCD (dos quais conhecemos cinco variantes) e um mini-órgão electrónico de nome “Cosmos Organ”, ambos montados na mesma empresa – Viáudio Indústria Electrotécnica Lda. – com sede no Porto.

Depois de alguma pesquisa, vim a descobrir que os jogos não eram assim tão originais, já que eram exactamente iguais aos da marca Liwaco, fabricados pela Morioka Tokei Co., do Japão.

A hipótese que coloco é que, muito provavelmente, e à semelhança do que foi feito com a famosa consola Tv Brinca, foram importados os componentes electrónicos e a caixa do aparelho (neste caso do Japão), sendo feita a montagem aqui em Portugal, na Viáudio, tal como a produção da caixa em cartão e as instruções (que vinham em português).

Quanto aos jogos, como já disse, são seis: Family Sport, Great Fireman, Hamburger, Le Tennis, Prison Breakers e Wolf-Hound.

Não pude, infelizmente, ter acesso ao Hamburger, mas posso falar um pouco dos outros. Com a excepção deste primeiro, todos têm as mesmas dimensões e quatro botões na mesma posição que, dependendo do jogo, têm diferentes utilidades. Além disto, à semelhança dos Game & Watch, todos têm também relógio e alarme.

Os conceitos são simples, além de bastante divertidos e a sua qualidade está muito acima dos jogos chineses, que tão populares foram por cá na mesma época e se costumavam vender nas feiras, já sem falar dos modernos LCD vendidos nas lojas de chineses que, surpreendentemente, ainda hoje, conseguem ser muito piores do que aqueles feitos há mais de 30 anos.

Começando pelo género de desporto, temos o Family Sport – um simulador de frisbee ao ar livre e com alguns pormenores curiosos como um pássaro que de vez em quando se atravessa à frente do nosso adversário, fazendo o disco mudar de direção ao embater nele, adicionando assim uma dificuldade extra; o nosso adversário não é infalível, falhando ocasionalmente, causando o regresso do tal pássaro a cada falha nossa, anunciando ruidosamente a perda de um ponto. Apenas podemos falhar três vezes, sendo que, à terceira, como seria de esperar, perdemos o jogo.

O outro título de desporto é Le Tennis, cuja máquina está toda em francês, excepto no ecrã do jogo. Trata-se de uma simples simulação de uma partida de ténis que não proporciona grande desafio inicialmente, tornando-se apenas mais difícil a partir de uma determinada pontuação, em que começam a ser mais frequentes as “Spinball”, momento em que o adversário faz a bola girar de tal modo que não é fácil prever o sítio exacto onde vai cair, sendo apenas apresentada uma mensagem com esse texto avisando-nos para termos cuidado. Como no anterior, à terceira falha, game over.

O Wolf-Hound é um pouco diferente, além de mais complexo. Aqui, somos colocados no papel de um cão pastor, que tem como função guardar um rebanho de ovelhas que se encontra em risco de ser atacado por lobos, após ter sido feita uma abertura na cerca. Para piorar a situação, os lobos, por vezes, carregam tochas com as quais pegam fogo a fardos de palha que, se não conseguirmos apagar a tempo através do ladrar, queima-nos e faz-nos perder uma vida. Noutra situação, estes lobos atiram também lama/água (não consegui perceber bem) e, por vezes, uns pesados troncos que nos causam dano. Como se isto não chegasse, de tempos a tempos surge-nos um feroz urso, com o qual nada mais poderemos fazer… além de ladrar. Também achei estranho, mas é verdade – o cão que controlamos tanto ladra para apagar os fogos, como para afugentar lobos e ursos. Com o avançar da narrativa, as situações sucedem-se a um ritmo cada vez maior, chegando a um ponto em que se torna praticamente impossível de controlar.

Prison Breakers coloca-nos no papel de um guarda prisional que visa impedir a escalada da grade, que permite aos prisioneiros alcançar as chaves que darão acesso à sua liberdade. Nesta sala que tentamos defender existem três janelas, uma à esquerda, outra à direita e uma em cima, através das quais uns gangsters conseguem passar aos seus amigos presos uns aparelhos semelhantes ao Ultra Hand da Nintendo. Ao conseguirem saltar as grades e passar para o nosso lado, os presos usam esse aparelho para tentar obter as chaves. Se conseguirem apanhar as três chaves penduradas na parede, podem abrir a porta e escapar, fazendo-nos perder o jogo. O polícia que controlamos apenas dispõe de um bastão como arma e, para dificultar ainda mais, ocasionalmente, esses gangsters lançam facas que, se nos atingirem, fazem-nos ficar bloqueados momentaneamente, o que apesar de dificultar a nossa missão, não nos faz perder pontos ou vida.

Por último, Great Fireman, põe o jogador no papel de um bombeiro que, sozinho, deve apagar os fogos de três prédios a partir do topo das escadas de um camião auto-escada. Por entre explosões e pedidos de ajuda de habitantes, oriundos do topo dos edifícios, temos de correr de um lado para o outro de modo a apagar os focos de incêndio, antes que a sua dimensão os torne incontroláveis. Para piorar, ocasionalmente, soltam-se vigas dos prédios que, se nos atingirem, bloqueiam-nos temporariamente. Existem três níveis de dimensão para os fogos, sendo que se estes permanecerem no nível máximo por algum tempo, perdemos uma vida, das três que temos disponíveis até ao cenário de game over.

Para finalizar, e apesar da sua simplicidade, estão recheados de detalhes interessantes que os tornam muito divertidos, factos que fazem com que, actualmente, e na minha opinião, ainda os considere ao nível dos melhores da época, razão pela qual não poderia deixar de os recomendar.

Autor: Pedro Pimenta Pesquise todos os artigos por

One Comment on "Gambuzino – Jogos LCD da Luso Toys"

  1. Mario Cavalcanti 14 March 2018 at 21:53 - Reply

    Fala, Pedro! Muito bom o texto. Muito curiosa a história da Luso Toys. Gostei do Wolf-Hound e do Prison Breakers. Parabéns pelo artigo! Abraços! 🙂

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