God of War – Evento de Lançamento

No passado dia 6 de Março, em Lisboa, decorreu o evento de pré-apresentação do novo título exclusivo da PlayStation 4 – God of War. Dividido em duas partes, com direito a jogar os primeiros minutos do jogo na primeira, e com abertura para o público universitário, na segunda, a Sony preparou-se para levantar um bocado do véu sobre o seu grande lançamento de Abril. E que grande jogo nos espera!

Durante o período da manhã, o foco estava claramente na exploração do gameplay deste novo God of War. A própria cenografia do evento – realizada dentro do Forte de S. Julião da Barra em Oeiras – envolvia todos os jornalistas dentro da temática. Neve, pedaços de ervas, bancos de madeira… e tudo isto num ambiente com música condizente.

Aliás, além de toda a decoração do espaço, ainda passeavam entre os jornalistas dois cosplayers, representando Kratos e o seu filho Atreus. O realismo dado aos dois era algo de salientar, pareciam os dois ameaçadores, nunca tendo saído da personagem (demonstrando plenamente a sua entrega ao papel atribuído). São estes pequenos detalhes que tornam estes eventos grandes.

Durante a tarde, o evento mudou de foco e audiência. Desta vez, organizado na FNAC do Colombo, Derek Daniels, Design Director deste novo God of War, durante cerca de 30 minutos, disponibilizou-se para responder às questões colocadas pela audiência, composta, quase na totalidade, por estudantes de videojogos oriundos de três instituições (ETIC, IPLeiria e Universidade Lusófona). Não será, portanto, de surpreender que grande parte das questões foram técnicas ou sobre o processo de desenvolvimento, às quais Daniels amavelmente respondeu, nunca recusando nenhuma, oferecendo um deslumbre único sobre o processo dos últimos cinco anos do Santa Monica Studio.

Provavelmente, um dos momentos mais surpreendentes foi quando Daniels revelou que, apesar de ter trabalhado no jogo original e respectiva sequela, inicialmente, não estava muito interessado em voltar. A absorção necessária nestes dois projectos tinha tido um custo pessoal demasiado grande e, apesar do feedback positivo da época, não era algo que lhe interessasse experienciar novamente. Contudo, seria o destino a traçar o caminho de retorno. Durante uma saída com o filho num parque infantil, encontrou um dos seus antigos colegas de Santa Monica. Durante a conversa, os dois, agora pais com filhos à sua responsabilidade, começaram a falar sobre como isso mudou o seu mundo e, de repente, uma faísca foi lançada. Porque não dar a Kratos novamente uma família? Um filho, que ele pudesse novamente abraçar e ser receptivo de toda a sua experiência. E foi assim que Dennis voltou para trabalhar no novo God of War e Kratos recebeu o seu novo filho Atreus.

Durante todo o processo de desenvolvimento, Daniels falou igualmente sobre algumas das dificuldades, mas também das felicidades,  partilhando todos sentimentos que viveu com aquela insaciável plateia recheada de jovens aspirantes a produtores de jogos. Como era o dia-a-dia no Santa Monica? Que motor de jogo usaram? Quais foram as grandes decisões de design? Como foi o processo de redesenhar a personagem, de um guerreiro sedento de sangue para um pai carinhoso? Uma e outra vez, Daniels respondeu, por vezes com gargalhadas, denotando que este tipo de perguntas não são habituais, mas, decerto, as que se sente mais à vontade para responder. Gentilmente, respondeu a cada uma. Como era o seu dia quotidiano? Bem, começa com algo burocrático (responder a emails), segue-se um período para falar com os responsáveis de todos os departamentos, focar a equipa, e… descobrir que a decisão tomada há um mês atrás não foi seguida porque alguém numa das equipas de desenvolvimento “não tinha gostado”! O problema é que essa decisão pessoal acabava por atingir todas as outras equipas, bem como o seu processo de produção e, claro, atrasava tudo. São estas pequenas situações que demonstram o quão complicado pode ser trabalhar com equipas de várias centenas de pessoas.

Seguiram-se ainda mais perguntas daquela ávida audiência. “Qual foi o motor de jogo que usaram?”. E Daniels explicava como aproveitaram o do God of War III e adaptaram-no à PlayStation 4. “Como foi redesenhar a personagem?” Fácil. Até porque existia empatia com a situação familiar de Daniels (e de outros responsáveis que agora também tinham famílias). Seguiu-se mais uma questão, e mais outra, e ainda mais outra! Até os próprios responsáveis da Sony iam adiando, sistematicamente, a última pergunta avisando o público que “agora é que a última pergunta, está bem?”, ou “ok, mais uma, e esta é a última.”, ou, “tem mesmo de ser, só mais uma, e é a última”. Na verdade, a “última pergunta”, ainda foram mais seis.

Eventualmente, a conferência teve de terminar, sem que, antes disso, Daniels se oferecesse para assinar posters do novo jogo e doá-los à audiência. No final, dezenas de jovens estavam sorridentes, não só pela oportunidade, mas também pela pequena oferenda. João Silva e André Santos, da Universidade Lusófona, confessavam que “este tipo de oportunidade é de aproveitar” e que “tinham ficado surpreendidos com o processo de desenvolvimento”. Por outro lado, Aquiles Dias e Tomás Faial, da ETIC, tinham aproveitado para tirar dúvidas sobre o processo, até porque, segundo as suas próprias palavras, “esperamos este ano participar no Prémios PlayStation e aproveitarmos para ver como a organização destes processos se desencadeia, assim como adaptá-los aos nossos jogos”. Finalmente, alunos do IPLeiria, como Fábio Pinto e Sharad Poudel, estavam “extremamente contentes com as respostas, mas, gostaríamos ainda de ter colocado mais”. E ainda houve tempo para Francisco Santos, o mais recente vencedor do Prémios PlayStation, igualmente aluno da ETIC, ter um pequeno momento com Dennis, que apesar de fugaz, serviu para lhe apresentar Out of Line. Segundo Santos, “ele gostou do que viu e acabámos por trocar contactos. Tinha ainda mais questões, mas infelizmente, não houve tempo para tudo”, acrescentando que, “poder falar com este tipo de profissionais é uma oportunidade de ouro. O seu conhecimento e partilha deste meio é fundamental para jovens como eu, que estão agora a começar”.

A presença de todos estes jovens só demonstra como o panorama de desenvolvimento em Portugal mudou nos últimos anos. São, por si, uma nova família que também emergiu nestes últimos anos. A sua sede de conhecimento e procura de respostas pode ser traduzida em eventuais jogos Made in Portugal e, quem sabe, se um dia não serão eles naquele palco a responder a questões? Pessoalmente, espero bem que sim, pois o potencial, empenho e vontade estão presentes, só falta dar os próximos passos.

O novo God of War chega a Portugal no próximo dia 20 de Abril. Podem consultar o seu trailer abaixo:

Autor: Ivan Flow Pesquise todos os artigos por

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