Hyper Boy (Gambuzino)

Para este mês, na secção Gambuzino, decidi analisar uma consola pouco comum e, infelizmente, muito pouco falada actualmente: a Hyper Boy.

Encontrei-a arrumada na arrecadação de uma papelaria, há talvez uns cinco ou seis anos, ainda em caixa e com tudo o que vinha de origem, sendo que, pelo aspecto, diria ter estado uns bons anos exposta na loja. Como nunca acabou por ser vendida, terá sido arrumada naquele local, ficando esquecida até à minha (re)descoberta.

Fabricada pela NTDEC (Nintendo Electronic Co.) de Taiwan, foi lançada na mesma época que alguns jogos produzidos pela mesma empresa, nomeadamente Cosmos Cop, Destroyer, Dream Fighter, Fighting Hero, Magic Carpet, Sea of Dreamland, Skate Boy, Super Gun, Tank e War in the Gulf. Estes aparecem, inclusivamente, acompanhados de screenshots nos lados da caixa, servindo como uma espécie de títulos de lançamento da consola.

Terá chegado a Portugal através da Nautibrinca, uma empresa algarvia dedicada à importação e exportação de brinquedos, jogos e artigos náuticos que, no início dos anos 90, terá feito um contrato com a NTDEC para a importação dos seus produtos, à semelhança de companhias como a Formaluz, que trouxe até nós os jogos produzidos pela Sachen (também de Taiwan).

A consola em si, em termos de hardware, nada mais é que um clone da NES original, diferindo apenas no design, na qualidade da construção (podemos notar que é feita de um plástico mais resistente e que existe claramente um maior cuidado na sua concepção que em outros clones mais tardios) e na adição de algumas funcionalidades extra.

Para diferenciar o seu produto, a empresa decidiu incluir dois botões extra no comando, sendo que ambos têm a mesma função dos botões principais (A e B), mas em modo turbo shooting, ideal para jogos que pedem um carregar constante dos botões, tais como side-scrolling shooters.

Adicionaram, também, uma saída de som para headphones na frente de ambos os comandos da consola e algumas  funcionalidades bastante interessantes – os comandos sem fios, que comunicam com a consola através de uma porta de infravermelhos na frente da mesma e a possibilidade de ligar a consola à tv sem fios, através de uma antena. Infelizmente, a minha não possui nenhuma das funções de comunicação wireless, apesar de essas funcionalidades aparecerem anunciadas na caixa e de existir uma abertura onde deveria estar a antena. Talvez a minha consola seja de um modelo diferente e tenham decidido manter a caixa para os vários modelos.

Por tudo isto, e também pelo facto da marca evitar as palavras Nintendo, NES Compatible ou semelhantes, vê-se um distanciamento da original, de modo a levar os consumidores a pensar que se trataria de uma nova consola. Assim, apesar do hardware ser copiado, pelas inovações e biblioteca de jogos própria, vejo-me mais facilmente a comparar esta a uma original, como a sua conterrânea Mega Duck, do que a qualquer outra famiclone.

De acordo com fontes da época, a empresa que fabricou o sistema não teve um desfecho muito agradável, pois, após um curto período de grande sucesso a nível internacional com os seus produtos, acabou por ser processada pela Nintendo pelo fabrico de cartuchos pirateados e pela consequente infracção de direitos de autor, tanto no caso dos jogos, como no uso do nome da Nintendo na sua própria empresa.

No processo, aparecem algumas informações interessantes, tais como a de que a empresa (no ano do processo e consecutivo encerramento) teria a capacidade de fabricar 1,2 milhões de cartuchos pirateados anualmente e que teria causado perdas de mais de 2 biliões de dólares anuais à Nintendo, números que dão bem para ver bem a dimensão que a empresa atingiu antes do seu encerramento.

Outras empresas chinesas continuaram a fabricar cartuchos e consolas com os jogos da NTEC embutidos e até mesmo com hacks destes, algo que, actualmente, continua a acontecer. Não se sabe, no entanto, se a empresa continuou com outro nome ou se os seus responsáveis ainda se encontram sequer ligados a esta área.

Autor: Pedro Pimenta Pesquise todos os artigos por

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