Top 10 Jogos Neo-Retro

O retro está na moda. Voltaram o top-down e o side-scroller. A pixelização é um estilo e não uma obrigação. Com a inspiração e a alma do antigo, constroem-se grandes novos jogos, libertos das limitações tecnológicas do passado.

10 – The Binding of Isaac
Produtora: Edmund McMillen
Género: Dungeon crawler
Ano: 2011

Sinceramente perturbadora, uma história de solidão, fuga e medo centrada à volta do fanatismo religioso. Há uma surpreendente complexidade sob a aparência desoladoramente simples de The Binding of Isaac. Nasceu pelas mãos de um dos criadores de Super Meat Boy, a partir de um game jam de sete dias, mas também se inspira numa estética e jogabilidade retro, vive de uma dinâmica muito diferente da anterior criação de Edmund McMillen, que voltará a figurar neste Top.
O retro, neste neo-retro, é claro: The Binding of Isaac pede muito a Zelda, e acrescenta-lhe a semi-aleatoriedade e replayability da nova vaga de roguelikes que tomaram o mercado de assalto nos últimos anos. É uma aventura desafiante, cheia de monstros deformados e confrontos tensos, para ser repetida uma e outra vez até se conhecerem os 13 (treze) finais possíveis.

9 – Cuphead
Produtora: StudioMDHR
Género: Run ‘n gun
Ano: 2017

É o melhor das arcades com a cara lavada pela arte magistral de Chad Moldenhauer. Cuphead vive das lutas dolorosamente difíceis com gigantescos bosses, que exigem do jogador, em simultâneo, raciocínio rápido, uma coordenação motora notável e, eventualmente, uma memória muscular treinada. A primeira criação dos irmãos, que compõem a StudioMDHR, fica na memória por uma estética notável, uma jogabilidade vibrante e uma banda sonora de jazz que embala o jogador por entre a sua frustração e derrota crescente. O que vale é que este não pede moedas para tentar outra vez.

8 – Shovel Knight
Produtora: Yacht Club Games
Género: Plataformas/Acção
Ano: 2014

Os jogos de plataformas já passaram o seu auge, é justo dizê-lo, mas recuperaram uma fatia saudável de mercado nos últimos anos. Shovel Knight pode dizer com orgulho que atraiu uns quantos jogadores de volta para o género. Com controlos precisos, um sistema de combate dinâmico e um visual 8-bit colorido e variado, é fácil perder horas a completar nível após nível deste side-scroller.
Num jogo em que a personagem principal é, fundamentalmente, um bronco munido de uma pá, é fácil ficar afeiçoado às personagens, que nos acompanham durante umas boas e desafiantes horas de jogo, entre a campanha principal e expansões. E, no fim, há sempre um New Game Plus, para os masoquistas.

7 – Nidhogg
Produtora: Messhof
Género: Luta
Ano: 2014

Frenético e feito para jogar com amigos, Nidhogg nasceu para as arcades, mas tem de se contentar com noites de festa. É um jogo de sofá com mecânicas incrivelmente simples de compreender e difíceis de dominar. Vive de partidas rápidas, frenéticas, em que cada jogador tenta levar o seu avatar até uma ponta oposta do mapa, enquanto impede o opositor de fazer o mesmo. Tem poucos mapas, poucas armas e pouca diversidade, mas não a notamos, e isso é o melhor elogio que se pode fazer ao trabalho da Messhof. Não experimentem é jogar sozinhos.

6 – FEZ
Produtora: Polytron Corporation
Género: Plataformas/Puzzle
Ano: 2012

É discutível quem é mais conhecido: o jogo ou o criador. FEZ tornou Phil Fish numa autêntica superestrela da indústria, de uma forma que é raro ver no mundo dos videojogos. O fenómeno foi tão extremo que Phil Fish deixou a indústria dos videojogos pouco depois do lançamento e a meio da produção de uma sequela. FEZ, só por si, é um jogo de plataformas e puzzles centrado numa mecânica nuclear: o cenário 2D pode ser rodado, de forma a ser visto por outra perspectiva, que abre novas possibilidades exploratórias. As mecânicas são o veículo para uma história contada sem palavras, numa narrativa de ficção-científica deixada muito à interpretação, mas que nos fala de perspectiva, de formas de olhar o mundo.

5 – FTL: Faster Than Light
Produtora: Subset Games
Género: Estratégia Roguelike
Ano: 2012

Algumas das maiores frustrações da minha vida nasceram de FTL. Ver uma longa campanha chegar a um fim precoce às mãos, ou à porta, do último inimigo é uma dor quase física. FTL: Faster Than Light é um jogo de estratégia e de equilíbrios. Com recursos semi-aleatórios, é preciso percorrer uma galáxia também aleatoriezada para derrotar um gigantesco inimigo final. Pelo caminho, é preciso combater outras naves, aceitar ou recusar oportunidades de negócio e de aventura, ajudar uns e decidir a morte de outros, tudo enquanto se preserva e melhora a nossa própria nave e tripulação. É fácil ficar afeiçoado a uma particular equipa, mas elas desaparecem tão rápido quanto o espaço as consegue engolir, através das suas infinitas características letais (como a falta de ar, ou a abundância de meteoros e naves inimigas). FTL não é para os de coração fraco. Cada momento é stressante, cada derrota é de arrancar os cabelos.

4 – Papers, Please
Produtora: 3909 LLC
Género: Puzzle
Ano: 2013

Bem longe das explosões dos Call of Duty e Battelfields dos dias de hoje, Papers, Please é uma história sobre a guerra contada a ritmo lento. Também há explosões, de vez em quando, mas a guerra aqui é diplomática, monótona, silenciosa. Temos nas nossas mãos, em simultâneo, todo o poder sob a vida de centenas de pessoas e nenhum sob a nossa própria existência. No papel de um agente de fronteira, cuja função é simplesmente autorizar ou negar a entrada no país de uma série de candidatos, temos de ser eficientes – para garantir um ordenado melhor – exactos – pois todos os erros são castigados – e moralmente correctos – já que não faltam rebeldes, famílias separadas e subornos à espera para nos tentar a deixar passar um passaporte mais duvidoso. É tão stressante como FTL, mas acelera o coração com o mero som do carimbo no papel.

3 – Braid
Produtora: Number None
Género: Plataformas/Puzzle
Ano: 2008

Braid é dos jogos mais inteligentes que já tive em mãos. Nasceu como um projecto de amor de Jonathan Blow, com arte criada a ferros, iteração após iteração, por David Hellman. É um jogo de puzzles, é um jogo de plataformas, mas é mais do que isso. É uma crítica ao power creep da indústria dos videojogos, à busca por melhores gráficos, maiores cenários, gameplay mais rápido, histórias mais fáceis de mastigar. É um jogo contracorrente e contra os nossos tempos e faz-se no tempo certo e pelo uso do tempo. É o tempo, aliás, a sua mecânica central. O jogador tem de manipular o tempo para resolver sucessivos puzzles na sua jornada para resgatar uma princesa, que talvez não queira ser resgatada por nós. O tempo é relativo e Braid faz um brilhante uso dessa ideia, bem para lá das suas implicações científicas.

2 – Hotline Miami
Produtora: Dennaton Games
Género: Top-down shooter
Ano: 2012

Frenético, ultraviolento, surrealista, chocante e viciante. Hotline Miami é uma injecção de anos 80, em pleno néon, que nunca se restringe e nunca pára para nos deixar respirar. Há uma história, e é complexa, estranha e misteriosa, mas na primeira vez que completei o jogo mal reparei nela. A urgência constante das missões, que lançam o protagonista, com munições limitadas ou sem armas à partida, contra dezenas de inimigos armados, cães enraivecidos e ocasionais bosses, é entretenimento suficiente sem precisar de uma narrativa que ligue os arrais de violência e destruição em que se transformam todos os níveis. Conquistar Hotline Miami exige inteligência, coordenação e velocidade de resposta. Cada nível é um jogo de escondidas com uma caçadeira nas mãos. É expectável e necessário que se perca para compreender os mapas, os inimigos e as suas rotinas, testar abordagens e planear a táctica perfeita. Depois… basta executá-la, improvisar quando tudo correr mal e gritar de frustração quando formos apanhados por um cão em que não tínhamos reparado. Uma tarde bem passada, em resumo. Ou duas, vá.

1 – Super Meat Boy
Produtora: Team Meat
Género: Plataformas
Ano: 2010

De longe, o jogo que mais sangue consegue mostrar e continuar a ser adorável. Super Meat Boy apresenta-se a si próprio. É um jogo de plataformas frenético, de dificuldade crescente, em que uma história de amor intemporal (um bloco de pessoa em carne viva procura uma menina que lhe queira pôr penso na ferida gigante que é a sua… existência?) serve de pano de fundo para um gameplay viciante, punitivo, mas justo, em que cada tentativa falhada fica marcada, muito literalmente, com o nosso próprio sangue. Nas arcades não haveriam moedas para bater Super Meat Boy; felizmente, surgiu tarde de mais para os salões.

Autor: Nuno Viegas Pesquise todos os artigos por

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