Radar – Carlos Ávila

Nem o facto de viver numa ilha o impediu de ter uma excelente colecção. Vamos conhecer o coleccionador Açoriano com um gosto particular por hardware.

PUSHSTART (PS) – Como é que começaste a coleccionar?

CARLOS ÁVILA (CA) – O contacto com os jogos electrónicos apareceu muito rápido. Tinha o meu Spectrum 128K +2 e, pouco tempo depois, comecei a descobrir, através de amigos, a magia dos jogos das consolas, com o seu carregamento instantâneo, e os de PC logo a seguir, com os seus gráficos e “processamento” mais elaborados. Quando vim para Lisboa estudar, acabei por “tropeçar” num bom negócio para adquirir um Game Boy Color. Mais tarde, já não me lembro como, ofereceram-me uma NES e uma Saturn. Nessa altura, já me interessava pela história dos videojogos, sendo que foi aí, julgo, que nasceu o “bichinho”. Entretanto, descobri uma loja de usados no Rossio, onde acabei por arranjar um Castlevania para NES e para Mega Drive. Estava lançada a semente. Todas as vezes que ia à ilha de férias, levava sempre alguma coisa na mala. A partir daí, foi um salto. Lembro-me de os leilões online serem muito difíceis na altura, já que não havia desses sistemas de pagamentos que há agora (tínhamos de ir ao banco comprar o cheque internacional e depois enviá-lo por carta) e que a minha primeira aquisição pelo Ebay foi a Mega CD1, que sempre achei lindíssima, mas que nunca tinha chegado a Portugal. Depois disso, fiz uma exposição com o meu material num clube informático que existia na altura, cá no Faial, onde angariei uns fundos para mais uma aquisição. O resto está à vista.

PS – Que títulos achas que te influenciaram mais quando eras mais novo?

CA –Houve alguns que me marcaram muito e com os quais, ainda hoje, mesmo com toda esta evolução, perco mais tempo do que com os recentes. Um dos principais foi, sem dúvida, o Dune 2, para PC. Muitos não devem fazer ideia do que é jogar sem som infinitas horas de jogo e, com a aquisição das primeiras placas de som, ouvir aqueles diálogos e aquela banda sonora. Foi algo do outro mundo. O Transport Tycoon foi outro que também me marcou, de várias maneiras (acabei mesmo por até apanhar uma tareia por ter chegado tarde a casa por causa dele). Nas consolas, o Sonic, sem dúvida, Mortal Kombat, Desert e Jungle Strike, Flashback, Quackshot… Continuam, ainda hoje, a ser jogos que me fazem sentar num sofá.

PS – Costumas procurar activamente por artigos novos para a tua colecção?

CA – Tenho fases. Geralmente, não costumo procurar muito. Como aqui no Faial não temos feiras nem lojas de usados (aliás, houve uma, mas já fechou), as minhas aquisições têm sido geralmente ofertas. Como muita gente já começa a conhecer a colecção, costumam oferecer o que já não jogam nem usam e é assim que tenho aumentado um pouco o que tenho. Quando me lembro de algo que me era querido no passado, vou procurar o original a casa da pessoa. No caso de não os conseguir, vou para os sites online.

PS – Tens algum foco específico como coleccionador?

CA – O meu fascínio foi sempre a história que está por trás de tudo isto. O porquê de cada hardware ser como é. O porquê desta evolução. Sempre me preocupei em arranjar as consolas e equipamentos em detrimento dos jogos, daí durante muito tempo não me ter preocupado em aumentar a quantidade destes. Posso dizer que basicamente dupliquei a quantidade de jogos somente nos últimos dois anos. O meu objectivo principal é sempre as consolas. Neste momento, está um pouco mais difícil, já que tenho de procurar fora do país, o que faz disparar os valores dos portes e as paragens indesejadas nas alfândegas.

PS – Qual foi a tua maior “loucura” em termos de compras?

CA – Que me lembre, assim de repente… a meio deste percurso, quando a situação estava melhor e eu não tinha muitas preocupações, entusiasmei-me com os leilões no Ebay. A verdade, é que quando dei por mim, já tinha mais de quatro algarismos gastos em poucos dias. Nos últimos tempos, foi ter comprado uma PS3, PS4 e WiiU novas, todas no mesmo dia.

PS – Neste momento, qual o artigo que mais querias ter, mas ainda não conseguiste arranjar?

CA – Uma Pioneer Laseractive ou um PC Engine LT.

PS – Se pudesses voltar atrás no tempo para comprar um artigo na altura em que ele saiu, qual seria?

CA – Eu acho que não mexeria em nada. Talvez por isso mesmo é que somos como somos hoje. Temos de recordar com saudade e carinho o passado, pois se te recordas que gostarias de ter tido algo que não tiveste, é por isso que o procuras agora, o que faz com que sejam duas satisfações bem distintas. Fora isso, na altura em que comprei a minha Mega Jet, se tivesse trazido o caixote inteiro, teria sido bem mais gratificante agora.

PS – Que conselho darias a coleccionadores que estejam a começar agora ou que começaram há pouco tempo?

CA – Sobretudo que se divirtam neste hobby. Eu passei por dois momentos; um em que pensava que estava sozinho em Portugal e onde quem me visitava achava engraçado, mas um desperdício de tempo e principalmente de dinheiro; o outro momento foi a altura em que descobri esta imensa comunidade de coleccionadores, cada um com as suas orientações muito próprias. Embora esteja um pouco resguardado por viver numa ilha, noto uma competição desenfreada entre o pessoal, algo que considero muito pouco saudável. Acho que estão a fugir à verdadeira essência disto, que é divertirem-se. Não interessa qual o tema ou orientação que queiram dar às vossas colecções, pois se o fizerem de uma forma descontraída vão reparar que o principal valor dela vão ser os contactos, as trocas e as amizades que se vão formando pelo caminho. E isso, sim, é que vai dar o real valor à vossa colecção.

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Quem é?

Nome: Carlos Ávila

Coleccionador desde: 1998

Sistema preferido:Mega Drive, XBox 360 e PC

Jogos preferidos:  Flashback, Guardian Heroes, série Strike, Sonic, Dune 2, Transport Tycoon

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Estatísticas

Número de jogos:cerca de 1050

Número de sistemas:cerca de 100

Item mais valioso: Funtech Super A’Can ou a Mega Jet

A jóia: Mega Drive (a que me foi oferecida em 1991)

Autor: Miguel Coelho Pesquise todos os artigos por

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