Top 10 Fighting Games da SEGA Saturn

Capcom e SEGA. Preparem-se para ouvir várias vezes estes nomes. A primeira, mestre nos gráficos e jogabilidade 2D; a segunda, uma das líderes da vanguarda da revolução 3D que marcou esta geração. Aqui ficam os meus 10 fighting games favoritos para a Saturn, apenas dentro dos lançamentos Europeus.

10 – Galaxy Fight

Produtora: Sunsoft
Ano: 1995

Comecemos por dizer que Galaxy Fight não é um jogo brilhante, tem algumas falhas. Uma delas é não se perceber bem se o tom e o carácter que transmite são para serem levados a sério ou se são apenas fruto da cheesiness “natural” dos anos 90. Por vezes, as personagens parecem ser um pouco estranhas, não por serem esquisitas, mas por parecem desenquadradas do ambiente do jogo. Por exemplo, apesar deste se passar em diferentes planetas da galáxia, entre o roster podemos encontrar um ninja, uma rapariga punk ou um street thug genérico, tudo estereótipos bastante “terráqueos”.
Ainda assim, o jogo tem o seu charme. O ponto mais forte é o design, principalmente dos cenários, que conseguem ser impressionantes e variados, tendo ainda a particularidade de ser, se não o único, dos poucos jogos que conheço em que os cenários não têm cantos, fazendo scrolling infinitamente.

 

9 – Virtual-On: Cyber Troopers

Produtora: SEGA AM3
Ano: 1997

Talvez o jogo desta lista que mais se afasta da imagem tradicional de fighting game, Virtual-On é, ainda assim, um excelente exemplo de como explorar os limites do género. Este título, normalmente subvalorizado, permite aos jogadores fazerem duelos de máquinas gigantescas (vulgos mechs), utilizando um leque de armamento que inclui mísseis, armas de fogo, energia e até ataques físicos, isto tudo numa arena 3D com elementos destrutíveis. O espectáculo visual é impressionante, para a época, e prova, uma vez mais, que a SEGA era especialista a explorar as técnicas de design inovadoras da altura.

 

8 – Last Bronx

Produtora: SEGA AM3
Ano: 1997

Com a Capcom a dominar no 2D, a SEGA concentrou-se na nova moda da altura, o 3D. Portanto, não é de admirar que muitos dos lançamentos para a Saturn tenham tido como “matéria-prima” polígonos em vez de pixéis. Last Bronx foi mais uma acha para a fogueira dos fighters 3D, este com a novidade de ser um dos primeiros (a par de Soul Edge) a usar lutadores com armas, como cassetetes, matracas, espadas de madeira e bastões.
Não é um jogo excepcional, mas foi um dos percursores do género em 3D, que estendeu a passadeira aos sucessores.

 

7 – The King of Fighters ’95

Produtora: SNK
Ano: 1997

Não há lista de fighting games que se preze que não tenha um jogo desta veterana do género. Este segundo jogo da série, famosa por reunir os combatentes dos franchises Art of Fighting e Fatal Fury a outros originais, iniciou o arco de história “The Orochi Saga” e, ao contrário do antecessor, permitiu aos jogadores comporem equipas de 3 membros usando qualquer uma das 24 personagens de todas séries.
A nível técnico, o costume: sprites 2D de alta qualidade e jogabilidade apurada, imagens de marca da SNK. O jogo foi vendido com um cartucho auxiliar de RAM, que contém todas as animações das personagens.

 

6 – Marvel Super Heroes

Produtora: Capcom
Ano: 1997

Que aliança faria mais sentido do que Marvel/Capcom? De um lado, um gigante dos comics, com universos e personagens fantásticos, cheios de acção; do outro, um gigante dos videojogos, mestre dos fighting games 2D. Neste título, temos à disposição vários desses personagens, que atravessam as barreiras dos seus comics para se defrontarem num glorioso 2D cheio de cor e animações fluídas. Inicialmente temos disponíveis Spider-Man, Hulk, Captain America, Iron Man, Wolverine, Psylocke, Magneto, Juggernaut, Shuma-Gorath e Blackheart, sendo possível ainda desbloquear os bosses Doctor Doom e Thanos.
Este jogo introduz ainda um sistema único com as Infinite Gems (muito icónicas no universo Marvel), que surgem no cenário durante as lutas e atribuem, ao jogador que as apanhar, efeitos temporários que podem ajudar bastante a derrotar o oponente (que pode contra-atacar e roubá-las!). Entre estes efeitos, podemos ver aumentos no ataque ou na defesa, uma armadura ou recuperação de energia, por exemplo, algo que podemos ver “recuperado” no mais recente Marvel vs Capcom: Infinite.

 

5 – Dragon Ball Z: The Legend

Produtora: Tose Software
Ano: 1996

Beneficiando da facilidade em obter este título em França, fomos dos poucos ocidentais a serem presenteados com um dos melhores jogos baseados em Dragon Ball da década de 90.
Neste fighter em pseudo-3D (as sprites são 2D, mas usadas em rotação num cenário 3D de maneira a dar essa sensação) controlamos os nossos heróis e vilões favoritos, incluindo praticamente todas as personagens da saga Z (dos Guerreiros do Espaço, passando por Freeza, Cell e acabando em Buu). Os combates opõem facções compostas por até 3 elementos cada, em confrontos frenéticos e que fizeram as delícias de quem não perdia um episódio da lendária série.

 

4 – Night Warriors: Darkstalkers’ Revenge

Produtora: Capcom
Ano: 1996

Mais uma obra-prima da Capcom, com os elementos do costume: sprites 2D coloridas, originais e primorosamente animadas, aliadas a uma jogabilidade viciante. Neste jogo, as personagens são baseadas em ícones da literatura, cinema fantástico e/ou de horror ou criaturas mitológicas, do folclore ou de contos de fadas, como por exemplo, Frankenstein, Dracula, Lobisomem, Múmia, entre outros. Na minha opinião, é um dos melhores fighting games desta época e um que, criminosamente, tem estado moribundo, à espera de um mais que merecido reboot, remake, remaster, sequela...qualquer coisa!

 

3 – X-Men: Children of the Atom

Produtora: Capcom
Ano: 1996

Este espaço é pequeno demais para explicar o quanto este jogo significa para mim. Resumidamente, e apesar de reconhecer que tem algumas falhas nas mecânicas de gameplay, X-Men CotA simboliza o que de melhor se fez nesta geração, em termos de fighting games 2D. A par do 1º lugar deste top, foi dos jogos que mais joguei na Saturn e que, ainda hoje, me dá vontade de voltar a ele.
As sprites estão fantásticas, a jogabilidade não fica a dever nada aos melhores do género e o facto de, pela primeira vez, podermos confrontar personagens dos X-Men em batalhas épicas fazem deste título um must have.

 

2 – Fighters Megamix

Produtora: SEGA AM2
Ano: 1997

Esta é a minha forma de fazer batota e não ter de escolher entre Virtua Fighter 2 e Fighting Vipers, pois se tivesse de o fazer, provavelmente teria de ser o primeiro, o que me deixaria bastante triste por colocar o outro de fora.
O conceito é muito simples: juntar os dois melhores fighters 3D da consola numa só arena, aproveitando as semelhanças nas mecânicas e motores de jogo, fazendo jus ao seu nome, pois é exactamente um megamix das personagens, cenários e estilos de luta de ambos os jogos. Houve também espaço para muitos extras, com destaque para uma grande quantidade de personagens desbloqueáveis, alguns deles hilariantes, como Janet (a personagem feminina de Virtua Cop 2), Hornet (sim, o carro de Daytona USA), AM2 Palm Tree (como sugere o nome, a palmeira que era o logótipo do estúdio AM2), Bean the Dynamite (criado para o exclusivo arcade Sonic Fighters) ou Deku (um boneco animado baseado num feijão verde Mexicano). A contagem final é de 36 personagens jogáveis.
Além disso, foi introduzido também um modo diferente de Arcade, em que temos percursos temáticos definidos, no final dos quais desbloqueamos outros, bem como as tais personagens escondidas.

 

1 – Street Fighter Alpha 2

Produtora: Capcom
Ano: 1996

Era óbvio, não? Mas é óbvio por uma razão muito simples: é, na minha opinião, o melhor fighting game desta geração. Depois de Warrior’s Dream ter sido um sucesso na transição de Street Fighter dos 16 para os 32-bit, Alpha 2 conseguiu melhorar e dar continuidade a uma série que esteve sempre em crescendo (o terceiro ainda saiu na Saturn, mas apenas no Japão, com o nome Zero 3, tendo saído na Europa mais tarde, apenas na PS1 e Dreamcast, como Alpha 3).
Neste título vimos o roster ser preenchido com as 13 personagens que transitaram de Warrior’s Dream, às quais se juntam as 3 que apenas eram acessíveis através de um cheat code (M. Bison, Akuma e Dan), outro presente no primeiro Street Fighter (Gen), 2 clássicos de Street Fighter II (Dhalsim e Zangief), mais um de Final Fight (Rolento) e uma “caloira” (Sakura).
A nível técnico, está tudo perto da perfeição: as sprites continuam lindas, as animações estão mais fluídas do que nunca e a jogabilidade foi polida até quase ao limite, oferecendo uma das experiências mais ricas nesta geração. Este port da Saturn é, sem dúvida, o mais recomendado (apesar de os outros não ficarem muito atrás), pois, como já era costume, está praticamente arcade perfect.

Autor: Miguel Coelho Pesquise todos os artigos por

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