Streets of Rage II

Análise Principal

Streets of Rage original é um dos meus jogos preferidos da Mega Drive. Quando penso na consola de 16bit da Sega, são jogos como: Streets of Rage, Golden Axe, Shinobi e Sonic the Hedgehog, que saltam imediatamente à memória e que transpiram “Mega Drive” por todos os poros. Mas, vendo as coisas com calma e, até, pondo um pouco o valor sentimental e nostálgico de lado, o primeiro Streets of Rage, que não era nada mau, teria ainda muita margem de manobra para melhorias. Felizmente, foi isso que a Sega fez ao nos presentear com esta bela sequela, logo no início de 1993.

No capítulo anterior, tomávamos o papel dos polícias à paisana Axel, Blaze e Adam, na sua missão de varrer as ruas de bandidos, ao distribuir pancadaria da velha até se chegar ao chefe do crime organizado lá da cidade, Mr. X. Após um ano de paz e sossego, o crime volta a assolar as ruas daquela metrópole. Para piorar ainda mais a situação, Adam tomou o lugar da princesa Peach e foi raptado! Com Mr. X, mais uma vez por detrás de tudo, juntam-se agora a Axel e Blaze mais duas personagens: o pequeno Eddie “Skate” Hunter, irmão de Adam, e Max Thunder, um wrestler portentoso, a tomar o lugar de Adam na categoria de “gajo enorme, mas lento”. Está assim lançada a receita de sucesso para mais uma aventura pelas “ruas da raiva”!

Mas, como costumo dizer, neste género a história não é o mais importante e visto que iremos passar o resto do jogo a distribuir pancada, com toda a gente que nos aparece à volta, o essencial acaba mesmo por ser a jogabilidade, algo que ficou excelente, melhorando a experiência em todos os aspectos desde a última aventura. Cada personagem seleccionável tem agora um maior número de golpes e combos que podem executar, sendo diferentes entre cada uma. Atacar de frente, de trás, por baixo, em saltos mortais, tudo é possível. No primeiro Streets of Rage, o ataque especial consistia em chamar um carro da polícia que disparava um rocket ou uma rajada de tiros, limpando praticamente tudo o que estivesse ao nosso redor. Apesar de tal ofensiva apenas se poder utilizar uma vez em cada nível (ou mais, caso encontrássemos um power up para esse efeito), aqui são mesmo golpes poderosos que podemos executar a qualquer momento, com o custo de perdermos um pouco da nossa vida, cada vez que os activamos. Isso permite uma maior estratégia, principalmente se jogarmos nas dificuldades mais elevadas, pois não é incomum estarmos simultaneamente rodeados por 6 ou 7 inimigos, além de que, um pouco de vida extra é sempre valioso. Para além disso, pressionar no botão errado, por engano, deixa de ter consequências avassaladoras… ao contrário do que acontecia no Streets of Rage original. Sim, porque nesse, foi precisamente a minha primeira asneira, quando por lapso, carreguei no A, o que resultou no desperdício de um rocket logo no primeiro punk que me apareceu…

Por outro lado, temos também os power ups do costume, desde sacos de dinheiro ou barras de ouro, que apenas nos aumentam a pontuação, comida para restabelecer alguma da nossa vida, ou também várias armas brancas que podemos utilizar temporariamente. Estas ainda têm diferentes utilizações consoante a personagem escolhida. A título de exemplo, Blaze dá duas facadas por cada ataque, enquanto os outros personagens só dão uma. Isto é outro aspecto que oferece alguma variedade e estratégia adicional ao jogo. Outra das mudanças nesta sequela é o facto de qualquer inimigo, não apenas os bosses, possuírem uma barra de energia própria, para além do seu nome. Isto passou a ser uma prática comum no reino dos beat ’em ups, mas é sempre um pormenor interessante. Ah, e claro que a maior piada deste Streets of Rage II é mesmo a vertente em multiplayer cooperativo. Jogar com um amigo e varrer as ruas à bastonada na bandidagem significaram tardes muito bem passadas o que, num jogo tão bem executado quanto este, sabe ainda melhor! Temos também o modo “Duel”, que tenta transformar este Streets of Rage II num título de luta 1 vs 1, como se de um Street Fighter se tratasse. Sinceramente, apesar de já não ser a primeira, nem a segunda vez que a Sega inclui estes modos de jogo nos seus beat ‘em ups, para mim, tal nunca causou muito interesse, até porque, a jogabilidade não é a mais adequada a um videojogo deste género.

 

Outra alteração bem notória é o seu level design. Onde no original tínhamos uma série de níveis, relativamente compridos, porém praticamente iguais do início ao fim. Aqui cada um está subdividido em diferentes estágios, variados entre si e repletos de sub-bosses. A título de exemplo, logo no primeiro, começamos mais uma vez nas ruas coloridas e iluminadas da baixa da cidade, posteriormente entramos num bar de jazz, para de seguida, terminarmos em becos sujos e escuros. São alterações de tal forma significativas, que seriam suficientes, pelo menos, para dois ou três níveis no primeiro jogo! No segundo, atravessamos uma ponte, entramos num camião gigante e saímos noutro lado. No terceiro, vamos a um parque de diversões onde também teremos diferentes cenários para explorar e estes são apenas alguns exemplos da diversidade nos níveis. Com todas estas mudanças constantes nos cenários, o jogo torna-se bem mais dinâmico, algo que é muito bem-vindo! Mas, claro que alguns elementos no design de níveis, que tornaram o título anterior famoso, também retornaram, como é o exemplo, das lutas em elevadores exteriores, que nos relembram, o quão bom é mandar bandidos borda fora.

A nível gráfico, é muito superior ao seu predecessor. Os níveis, além de variados, são também muito mais detalhados, coloridos e o mesmo pode ser dito dos personagens e inimigos: são maiores e com maior detalhe. As músicas continuam excelentes, sempre com uma batida electrónica de fundo. Ainda hoje, desconheço como Yuzo Koshiro conseguiu tirar um som tão bom da Mega Drive; é que não estou a ver outro compositor que tenha chegado sequer perto do que ele conseguiu (ok, talvez o Spencer Nilsen tenha algo a dizer). Para além das músicas serem óptimas e bem sonantes por si só, a própria qualidade do som é algo de inacreditável, nem parecendo chiptune. Ainda no campo do som, esta sequela tem mais vozes digitalizadas e com mais qualidade também.

Para quem não possuir nenhuma consola da Sega, a nova versão 3D Streets of Rage 2, para a Nintendo 3DS, poderá ser uma boa alternativa. Para além de incluir um modo 3D, a M2 incorporou também outras opções, como a possibilidade de alternarmos entre a versão japonesa (Bare Knuckle II) e a ocidental, ou outros modos de jogo como o Rage Relay, que nos permite ir controlando todas as personagens ao longo do jogo, ou o Casual Mode que simplifica (e muito!) a dificuldade.

Resumindo, Streets of Rage II é daqueles jogos que representam tudo o que os fãs esperariam de uma sequela de sucesso. A mesma fórmula básica que, por si só, já tinha agradado a muitos, mas que melhora em todos os campos. Pena que o Streets of Rage 3 já não reúna opiniões tão consensuais, mas isso já seria tema para uma outra história.

 

Outras Opiniões

João Sousa

Dizem que não há amor como o primeiro e para mim Streets of Rage é mesmo assim… joguei o original, vezes sem conta e, para mim, continua a ser o expoente máximo da série. Eu sei, geralmente, a sequela é considerada melhor, todavia como não a joguei quando saiu, não lhe dediquei o mesmo tempo que consagrei ao original e fica sempre um ar de “ok! És boa, mas já não és 100% verdadeira”. Em termos concretos, só posso dizer que sinto falta da ajuda do carro de polícia ainda que, por vezes fosse irritante chamá-lo carregando acidentalmente no botão errado… era um grande desperdício usar desnecessariamente um ataque tão devastador que limpava todos os inimigos do ecrã! Em SoR II esse recurso é substituído pelos golpes especiais, que apesar de poderem ser utilizados com maior frequência, simplesmente não são tão memoráveis ou eficazes como os bombardeamentos da cavalaria. Mas, nostalgia à parte, a sequela está muito bem conseguida, acabando por ser um dos melhores jogos para fazer uma maratona de porrada da boa, seja sozinho ou com um amigo.

Miguel Coelho

Pergunta difícil: quando um jogo atinge o nível 10, numa escala de 0 a 10, o que fazer na sua sequela? Resposta simples: atira-se para o 11. É essa a sensação que tenho com SoR II. Há alguns aspectos de que não gosto tanto: o desaparecimento dos ataques especiais do primeiro (ridículos, eu sei, mas acho um piadão àquilo), os personagens novos serem autênticos clichés (Skate, o patinador, uma daquelas imagens inexplicavelmente cool dos anos 90, e Max, a bisarma, overpowered e lento); ainda assim, é uma obra-prima. SoR II é aquele jogo que se mostrava aos nossos amigos quando os queríamos impressionar, sendo garantido que regressariam, no dia seguinte, para passarmos a tarde inteira a jogar em co-op. O primeiro esteve próximo da perfeição, mas este deu mais um passo em frente. A qualidade das sprites, da jogabilidade e da música (oh, a música! Sempre a música!) fazem com que este continue a ser, para mim, um dos melhores jogos lançados para uma consola de 16-bit. Ponto.

Sérgio Barros Cardoso

Um clássico! É a única forma de definir Streets of Rage 2. Esta pérola, já com 23 anos de vida, está tão fresca e divertida como da primeira vez que jogámos. É o rapto de um dos heróis do primeiro jogo que dá o mote à pancadaria: simples e eficaz. Este é um dos expoentes do género de Beat’em up que, apesar de ser tão popular nas Arcades e nas consolas de 8 e 16 bits, caiu, infelizmente, em desgraça. Além disso, é também uma lição de como produzir uma sequela. Todos os componentes originais foram melhorados: o grafismo é agora mais colorido, vibrante e diverso, os protagonistas têm novos movimentos e golpes especiais mais fluídos e os inimigos têm nome próprio e barras de energia que lhes conferem uma certa personalidade. A banda sonora de Yuzo Koshiro é, mais uma vez, fenomenal, merecendo um sonoro destaque. Oh! Como se perdeu a arte de fazer um jogo simples, curto e divertido como o que temos aqui. Confesso que nunca o tinha terminado, até agora, mas só tenho vontade de o recomeçar… outra vez… e outra vez…

 

Artigo originalmente publicado na Edição Física Nº56 da PUSHSTART.

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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