Os meus favoritos de 2018 (parte 1)

Se acompanham o percurso da PUSHSTART, devem saber (e se não, ficam a saber agora) que nós, por cá, costumamos fazer as coisas de uma maneira e com um ritmo diferentes do resto dos nossos parceiros da área (nem melhor, nem pior, apenas diferente). Portanto, neste final de ano, em que todos se dedicam a atribuir prémios para exaltar os melhores jogos em diversos campos, pensei que pudesse fazer também algo dentro do género, mas com o nosso twist particular.
Não vão encontrar aqui nenhum dos “gigantes” do ano (nada de RDR2 ou God of War, lamento) ou muitos outros de enorme qualidade que eu não tive a oportunidade de jogar, portanto isto é apenas uma lista dos meus jogos favoritos lançados neste ano de 2018.
Alguns que merecem mais destaque ou até que possam ter passado ao lado de uma boa parte das pessoas, fica aqui então a primeira parte dos meus eleitos, sem nenhuma ordem particular.

Título: The Messenger
Developer: Sabotage Studio
Género: Action Platformer
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=2vaYsgOHTlI

The Messenger é uma carta de amor ao Ninja Gaiden. Ok, agora que já deixámos para trás este cliché que foi repetido até à exaustão por todas as reviews escritas até agora, podemos passar ao que interessa: elogiar a sua genialidade.
Como o povo costuma dizer, os primeiros a comer são os olhos e, neste caso, somos presenteados com um festim de pixelart em toda a sua glória. Arrisco a dizer que The Messenger está entre os melhores trabalhos visuais feitos neste estilo de que tenho memória, com personagens, backgrounds e ambientes de fazer babar. Além disso, e acima disso, o gameplay encaixa-se confortavelmente naquele sweet spot de equilíbrio entre diversão e dificuldade, além de que o level design está a roçar a perfeição para um jogo deste género.
Decididamente, se tivesse de criar um top numerado, The Messenger estaria entre os três primeiros lugares.

Título: Gris
Developer: Nomada Studio
Género: Platformer/Aventura
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=xtWnBHG6dis

Um dos últimos títulos que joguei este ano e, caraças, que grande surpresa. Gris é uma experiência relativamente curta, mas aquilo que lhe falta em longevidade é compensado vezes mil em qualidade.
A nível visual, é dos mais belos que já vi no mundo dos videojogos. Pode parecer exagerado, além de, claro, muito subjectivo, mas é inegável a beleza, principalmente dos ambientes e das animações, que tornam a exploração e os momentos “mortos” não só toleráveis, como bem-vindos, apreciados e até praticamente obrigatórios.
À beleza visual junta-se uma outra mais espiritual, graças a uma narrativa implícita e subentendida de grande carga emocional, que não precisa de usar palavras para nos tocar e puxar os cordelinhos do coração.

Título: Into the Breach
Developer: Subset Games
Género: Estratégia por turnos
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=oaiFvuWsfy8

Com FTL: Faster Than Light no seu currículo, a Subset Games parece ter percebido na perfeição quais são os seus fortes, tendo apostado fortemente em capitalizá-los e levá-los mais além. Into the Breach é um jogo táctico passado numa grelha isométrica restrita, onde temos, não tanto (mas também) de derrotar uma raça alienígena de criaturas semelhantes a insectos, mas mais em preocupar-nos com a nossa própria sobrevivência e a integridade dos edifícios da cidade que temos de proteger. As sessões de jogo são curtas, todavia muito exigentes e com uma curva de dificuldade que, apesar de controlada e acessível, não pára de subir e não se preocupa em ser misericordiosa com o jogador.
Foi dos títulos que mais me divertiu e desafiou neste ano de 2018 e um dos que mais replayability e variedade oferece a quem tiver paciência para ele.

Título: Guacamelee 2
Developer: DrinkBox Studio
Género: Action Platformer/Metroidvania
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=hNbkYO7ZPtA

Uma de apenas duas sequelas incluídas nesta lista (felizmente), Guacamelee 2, apesar de não revolucionar nem ser particularmente melhor do que o antecessor, continua a fazer bem aquilo que já existia. Pode ser visto como uma jogada segura e até jogar um pouco contra si próprio, no que toca a ser original, contudo, para mim, é impossível não se gostar deste quando se gostou tanto do primeiro.
Continuam presentes a excelente jogabilidade, a fluidez combinada na perfeição com a velocidade e ritmo, o desafio das secções de platforming e combate, bem como a comédia da história. E isso nunca será negativo no meu “livro”.

Título: Frostpunk
Developer: 11 bit studios
Género: Estratégia/Gestão/Sobrevivência
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=qqEpSOFDXGA

Os tradicionais jogos de estratégia exigem, normalmente, que o jogador não só consiga gerir os recursos e as suas aplicações nas comunidades/estruturas que constrói no mapa, mas também que planeie uma parte mais militar e de combate que, na maior parte das vezes, é o veículo para a obtenção dos objectivos. Frostpunk decide eliminar essa última componente e obrigar o jogador a focar-se exclusivamente na primeira. Ao fazer isto, o nível da dificuldade sobe uns degraus e vemo-nos mais preocupados com a nossa sobrevivência do que com qualquer outra coisa.
Começamos o jogo numa espécie de cratera, numa parte de um mapa completamente dominado pelo gelo, neve e temperaturas negativas ao nível de um Inverno Siberiano, no qual dispomos apenas de um reactor alimentado a carvão como fornecedor de energia e uma população debilitada em condições precárias. Na nossa mão está então a missão de criar uma comunidade mais ou menos sustentável e que se comporte o mais possível com uma sociedade civilizada, enquanto lidamos com problemas como a escassez de recursos, fome, doenças, conflitos sociais, religiosos e políticos e todos os demais problemas que possam imaginar.
É uma experiência algo masoquista (no bom sentido), que nos faz sentir que temos, uma boa parte do tempo, a cabeça na guilhotina, o que nos obriga a recomeçar o jogo algumas vezes até lhe tomarmos o pulso e percebermos o planeamento e capacidade de resposta necessários para sobrevivermos o máximo possível.

Título: Return of the Obra Dinn
Developer: Lucas Pope
Género: Aventura Gráfica
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=ILolesm8kFY

Cinco anos depois de Papers, Please, tecnicamente o seu jogo de estreia, Lucas Pope regressa com mais um “alien” surpreendente. A premissa da narrativa nem é assim tão estranha: quando um navio que se julgava desaparecido ou naufragado reaparece, reparam que toda a tripulação está morta e nós somos encarregues de investigar as causas. Contudo, a execução do conceito é tudo menos convencional. Graficamente, é uma delícia para os puristas e amantes dos computadores da década de 80 (indo mesmo ao pormenor de nos dar a escolher nas opções do jogo que tipo de ecrã/estilo retro queremos). Na jogabilidade, destaca-se o facto de, através de um relógio com poderes especiais de viajar no tempo, podermos reviver o último instante antes da morte de cada cadáver que encontramos no navio e, assim, reconstruirmos a narrativa numa espécie de diário, onde juntamos as nossas deduções a desenhos que retratam a vida a bordo ou o manifesto da tripulação. A história é fragmentada e desorganizada propositadamente, como se metessem uma bomba dentro de uma caixa de vidro e nos pedissem para a reconstruir, caco a caco, após a explosão, e é isso que nos prende e mantém investidos em querer descobrir o próximo pedaço.
É muito redutor explicar Return of the Obra Dinn em meia dúzia de linhas, por isso aconselho vivamente a que experimentem por vocês mesmos, principalmente se gostam de ler, exercitar as vossas capacidades dedutivas e brincar aos detectives.

Título: Two Point Hospital
Developer: Two Point Studios
Género: Simulação/Gestão
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=SjrcU1gwkjc

Quem não se lembra do velhinho clássico da Bullfrog, Theme Hospital? Pois bem, Two Point Hospital é precisamente sua sequela espiritual (uma espécie de irmão, mas de outro pai).
Mais de vinte anos depois, têm aqui uma homenagem fiel e uma digna continuação de tudo o que o original oferecia: uma boa experiência de gestão, divertida, gratificante, e, claro, doenças hilariantes.
Se são fãs de Theme Hospital, não vão ficar desapontados; se não são, têm aqui uma introdução perfeita a um género algo esquecido, mas com muita coisa boa para oferecer.

Título: Yoku’s Island Express
Developer: Villa Gorilla
Género: Metroidvania/Pinball
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=-myLEJwAydw

Sim, leram bem o género. Yoku’s Island Express é um metroidvania com mecânicas de pinball. Por mais estranho que isso pareça, a verdade é que resulta e conseguiu prender-me durante umas boas horas. Neste título inesperadamente divertido, controlamos um pequeno escaravelho, daqueles que empurra uma bola de excremento, que tem como profissão ser carteiro (eu sei, as premissas estranhas acumulam-se…). Por muito bizarro que pareça, como já disse, a mistura de um mapa enorme com montes de coleccionáveis, bónus, itens e habilidades para recolher, com o facto de uma grande parte do platforming ser feito através da mecânica do uso de flippers dos tradicionais jogos de pinball resulta mesmo e faz-me dizer algo que nunca pensei antes: pinball-metroidvania é uma coisa que existe e é boa.

Autor: Miguel Coelho Pesquise todos os artigos por

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