Novembro de 1998 – Polaroid

Se alguma vez se perguntaram quando é que os jogadores ficaram mimados, este mês é a resposta.

Estamos mal-habituados. Uma conferência com um único anúncio bombástico é fraca. Um Natal só com um gigante triple A (no sentido mais utilizado da expressão) está vazio. Um fim-de-semana sem updates sobre o próximo DLC e fomos abandonados pela produtora (como se nos andassem a fazer favores). Por tudo isto, 1998 é o ano a culpar. Foi este que nos mimou e deixou todos a pensar que agora era sempre assim. Foi um ano de Gran Turismo, Metal Gear Solid, Banjo-Kazooie e Grim Fandango. Em doze meses tínhamos Starcraft, Baldur´s Gate e Tekken 3. Como é que é possível não ter expectativas altas depois de tempos destes?

Mas, claro, mesmo no melhor dos anos, há tempos melhores do que outros. Novembro foi dos melhores, e mal teve de se esforçar. Em menos de uma semana, chegaram ao mercado dois dos melhores jogos de sempre, dois clássicos instantâneos, dois marcos dos videojogos para anos vindouros: Half Life e The Legend of Zelda: Ocarina of Time.

Podia acabar o artigo por aqui. Nenhum destes títulos precisa de introdução, ainda hoje, e isso diz muito sobre a forma como se distinguiram da manada. Os nomes são-nos hoje familiares, não só pelas suas sequelas (ou falta delas *Cof* Half Life 3 *Cof*) mas, também, pela pura força da memória colectiva que impõem. Mesmo quem nunca jogou Half Life sabe que era bom; mesmo quem nunca viu Ocarina of Time tem noção de que é genial.

The Legend of Zelda: Ocarina of Time soube aperfeiçoar todas as suas facetas ao ponto em que tornava um mundo tão pouco realista em algo tão funcional, que conseguia facilmente envolver o jogador. Half Life chegou para revolucionar um género inteiro, com uma história complexa, contada em constante movimento, com gameplay simultaneamente inteligente e stressante. Bastava isto para nos mimar, porém, o mês não se deixou ficar por aqui. Entre Half Life e Zelda, chegou Tomb Raider III, e este ainda foi dos bons – era Lara Croft a correr o mundo em busca de pedaços de meteoritos, numa mistura bem conseguida dos seus predecessores.

Pouco depois, Starcaft reforçou-se, meses depois de ser lançado, com Brood War, um expansion pack à antiga, que daria o mote para Starcraft II: Wings of Liberty, doze anos mais tarde.

Novembro fechou com um favorito pessoal: Thief: The Dark Project, um dos pais maltratados da stealth. Thief jogou com sombras, com luzes e com som de uma forma nunca antes vista e definiu, ou ajudou muito a definir, o que seria o stealth dali para a frente. O que veio depois não lhe fez justiça, mas, se o mundo tivesse acabado em Novembro de 1998, já tinha bastante que jogar no purgatório.

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3 Momentos Marcantes: 

Nome do Filme: Uma Vida de Insecto

Género: Animação

Duração: 95 minutos

Descrição: Primeiro, foi notícia pela polémica com a estranhamente similar obra da Dreamworks, Antz. Depois, por ser um sucesso global. A história de uma formiga e dos seus alegres e incapazes companheiros ajudou a estabelecer a Pixar, depois de Toy Story, sendo mesmo o maior filme de animação do ano, à frente de Mulan, da Disney. Vinte anos depois, os insectos falantes da Pixar ainda fazem tardes de cinema.

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 Nome da Banda/Artista: The Offspring

Nome do Álbum: Americana

Descrição: A partir daqui foi sempre a descer: Americana foi o álbum que mais subiu nos tops, para os Offspring, e o segundo que mais vendeu. No mesmo pacote, tinha sucesso bem-humorados e perfeitos para rádio, como Pretty Fly for a White Guy, e mergulhos longos em temas mais pesados, com The Kids Aren’t Alright e She’s Got Issues. Foi um dos álbuns a marcar a segunda vida do punk rock, para o público mainstream, e o seu sucesso consolidou Offspring como um dos nomes a lembrar no panorama rock da década de 90. Era mesmo o melhor que eles tinham a oferecer, porque a partir daqui caíram as vendas, a relevância, e, mais subjectivamente, a qualidade.

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Nome do Evento/Acontecimento: Voyager 1

Local: A uns 10,384,934,586 km da Terra

Descrição: Actualmente, está quase ao dobro da distância, mas foi a meio deste mês que o Voyager 1 se tornou no objecto feito pelo homem a chegar mais longe da Terra. Na altura, já levava mais de vinte anos de missão. Entretanto, passou para o meio interestelar e continua uma missão de recolha de dados e imagens que deve continuar até 2025. Depois de se desligar, o Voyager 1 segue pelo espaço profundo, feito representante da humanidade, e carregando um disco dourado cheio com imagens e sons da terra, não vá alguém perguntar-se de onde veio aquele estranho objecto.

Autor: Nuno Viegas Pesquise todos os artigos por

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