O dia em que descobri o fim VS O dia em que já conhecia o fim!

Anos 90. Estava eu, um dia, sossegado a jogar Aladdin na Super Nintendo, com a minha irmã mais nova ao lado a ver, quando começam a aparecer os créditos seguidos da mensagem: “The End”.

O quê? Mas o que é que se estava a passar?? Os jogos também têm fim? Sim, tinha chegado, pela primeira vez na vida, ao fim de um jogo. Não podia acreditar. Foram várias as questões que me surgiram na cabeça durante os minutos seguintes: “será que é o único?”, “como é que só agora tinha descoberto isso?” e “é óbvio que o jogo tinha de ter um fim. Não podia ser infinito, certo?” A verdade é que, até então, ou só tinha jogado jogos como Pac-Man, Battle City ou Tetris, ou, simplesmente, ainda não tinha conseguido terminar os Super Mario ou Double Dragon para ter chegado a essa conclusão.

O mais incrível foi o facto de já ter visto o filme da Disney e saber que a história tinha um fim. À partida, o jogo também deveria terminar a certa altura, não é? Aí se vê o miúdo burro que eu era. Para dizer a verdade, nem sequer pensei muito sobre o assunto. Simplesmente comecei a jogar e pronto. Ia anotando as passwords, para não ter de recomeçar tudo do início e, dia após dia, avançava um pouco mais na história.

Então, mas e agora? Eu queria continuar a jogar mais Aladdin… Não dava para chegar ao fim mais daqui a pouco? Tornar a jogar do início também não me apetecia, pelo menos para já. Pegar noutro título também não. Fiquei assim a olhar para o ecrã… E pronto, lá desliguei a consola com um misto de sentimentos. Desiludido, mas também me considerando o maior por ter terminado um jogo. É que completei um jogo! Aposto que fui o primeiro no mundo! A minha irmã deve ter ficado toda contente, porque finalmente podia pegar ela no comando.

 

A partir daí, comecei a olhar para os jogos de forma diferente. Sabia que havia um principal objectivo em cada um deles. Sabia que descobertas todas as bananas, o Donkey Kong Country também terminaria. Sabia que, a certa altura, o maldito do Toad iria parar de dizer que a princesa estaria noutro castelo!

Anos 10. Com a quantidade de jogos que possuo agora, terminar um já não é a mesma coisa. Ou passo simplesmente para o próximo ou faço uma pausa durante algum tempo. Às vezes até os prefiro mais curtinhos, e enquanto os jogos, já estou a olhar para a capa do próximo. No entanto, continua a haver sempre uns mais especiais do que outros. Quando chegou The Legend of Zelda: Breath of the Wild, havia um problema: eu ainda ia a meio do Twilight Princess HD. Jogar dois Zelda simultaneamente, não fazia qualquer sentido na minha cabeça.

Sempre quis revisitar o Twilight Princess, a certa altura, e a chegada do remake veio mesmo a calhar. Por um lado, não o queria estar a acabar à pressa, por outro, tinha medo de levar com altos spoilers do Breath of the Wild na internet. Não quis saber. Terminei o Twilight Princess HD ao meu próprio ritmo. Queria apreciá-lo uma última vez, como devia ser, porque pegar nele uma terceira vez, mais tarde… isso já não.

O mundo de Twilight Princess HD conseguiu deixar-me suficientemente “colado”, tanto que, a certa altura, deixei de me importar com quando iria começar o novo Zelda. Porém, e novamente… quando percebi que estava próximo do seu final, surgiram-me, mais uma vez, um mix de sentimentos. Breath of the Wild estava à minha espera. Por outro lado, agora sim, sabia que nunca mais iria percorrer o caminho deste Link. Estava finalmente a despedir-me. Não foi fácil.

 

Terminado o jogo, “oh, agora não vou começar outro Zelda logo a seguir. O anterior ainda está demasiado presente e não vou conseguir usufruir do novo como deve ser. Deixa-me fazer uma pausa e ver que jogos mais tenho aqui. Mas um curtinho!”.

Autor: Luis Teixeira Pesquise todos os artigos por

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