Disney’s Illusion

No meio de todas as pérolas Disney, que existiram para sistemas da SEGA, esta seria provavelmente a série de jogos mais marcante entre consolas!

No seio de jogadores e coleccionadores, a “coligação” entre a SEGA e a Disney é sempre relembrada como uma das melhores uniões, que possam ter existido nos anos 90. Foram feitos inúmeros jogos com várias personagens e é sempre difícil escolher qual deles o melhor, ou se existe mesmo algum que se possa considerar mau. A série Illusion, catalogada como tal por partilhar esta palavra com o resto dos títulos, foi toda ela desenvolvida pela SEGA, num crescendo técnico que puxou pelas melhores virtudes dos sistemas, nunca esquecendo que era precisa uma boa história, jogabilidade exemplar e, claro, muita fantasia semeada pela Disney. Estas aventuras teriam sempre Mickey como protagonista, ainda que muitas outras personagens fizessem as suas aparições e até tivessem o papel principal repartido com a mascote criada por Walter Disney e Ub Iwerks, em 1928.

Esta aventura fantástica começaria em 1990, com o lançamento de Castle of Illusion. Seria também a primeira vez que a SEGA criava um jogo baseado numa personagem Disney, um campo onde a Nintendo, a Capcom, a Atari e até o grande Al Lowe já haviam pisado. E a verdade é que seria apenas o início de uma série de jogos de grande sucesso. As aventuras no castelo não ficariam apenas conhecidas pelo grafismo fenomenal, ou a banda sonora exemplar, mas principalmente por oferecer ao jogador, de forma muito rápida e eficaz, controlos familiares, num estilo de jogo que, apesar de ser massivamente conhecido, tinha aquela pitada refrescante e colorida das animações Disney, a que ninguém ficaria indiferente. Dos quatro títulos a que este culto se refere, este teria a particularidade de ser também o único a aparecer em todas as consolas que a SEGA tinha no mercado, até na Saturn, ainda que muito mais tarde e só no Japão.

Na Mega Drive, avistava-se não só um jogo de culto, como um dos ícones mais importantes da sua época, a vários níveis. Era preciso criar um jogo que, não só saltasse à vista, como também cimentasse laços para o futuro. E a SEGA cumpriu, dando atenção até aos mínimos detalhes, a todas as camadas que compunham os níveis, à progressão nem sempre fácil, mas nunca muito difícil, e até às animações rigorosamente cuidadas, desde o início até ao fim do jogo. Afinal de contas, estávamos em 1990 e ainda não havia nada do género do universo Disney numa consola caseira de 16-bit. Na altura em que saiu, e pelo mundo fora, Castle of Illusion deixava marcas também na indústria, tendo obtido notas praticamente perfeitas pelos críticos especializados.

Nas consolas de 8-bit, o primeiro jogo desta série continha bastantes diferenças, ainda que toda a essência estivesse lá. Os níveis têm o mesmo formato e ocorrem nos mesmos espaços, mas há uma apresentação obviamente diferente, que acabaria por incluir pequenas diferenças também no gameplay. Ainda assim, não deixou de ser também um título marcante e extremamente bom, para as especificações técnicas da Master System e da Game Gear. À sua maneira, esta versão abriu caminho para outros jogos Disney (não só com o Mickey como protagonista) que viriam a partilhar bastantes características entre eles. E como tal, logo no ano seguinte, a Master System receberia uma nova aventura, que não seria convertida aos 16-bit, repleta de fantasia, com o famoso rato com a tarefa de, mais uma vez, salvar o dia.

Eis que surge, em 1992, Land of Illusion, exclusivamente na Master System e, no ano seguinte, na Game Gear. Talvez por ter perdido tanto tempo com este jogo na minha infância, sou suspeito em dizer que o título é fenomenal, mas há razões para isso. No que diz respeito à jogabilidade e apresentação do título anterior, as novas peripécias de Mickey Mouse não se distanciam muito do que já se conhecia. Um excelente jogo de plataformas, com muita cor “à lá Disney”, juntasse-lhe uma boa história e uma boa maneira de nos levar até lá (ou não se tivesse Mickey deixado dormir em cima de um livro de contos de fantasia antes do jogo iniciar) e temos uma receita para mais uma épica aventura!

Land of Illusion oferece, desta vez, um mapa que mostra os níveis por onde temos que passar (em vez de portas), mas alguns tornam-se impossíveis sem que primeiro tenhamos que apanhar peças especiais ou novas formas de passar por eles. A linearidade não existe e somos obrigados a voltar atrás e refazer níveis com novas ferramentas que nos permitam chegar mais longe em certas fases, uma mecânica que já existia em jogos Disney desde DuckTales. Pelo meio desta aventura, há algumas referências de outros contos, ou não estivesse um castelo no cimo de uma nuvem e a única maneira de lá chegar é plantando feijões mágicos! Mas se esta seria uma “terra de ilusão”, o que viria a seguir? Um mundo inteiro?

De facto, o capítulo seguinte seria um “mundo” e, provavelmente, o jogo mais mágico de todos! Em World of Illusion, Mickey tem a ajuda de Donald para sair de um mundo cheio de fantasia, onde foram emprisionados pelo conhecido vilão Pete. Ao contrário dos títulos anteriores, este seria um jogo linear e sem escolha possível do caminho a traçar, dando um ar mais puro de platformer. Por outro lado, a marca mais importante que World of Illusion acabaria por imprimir seria o excelente modo cooperativo a dois jogadores. Não só o título é muito mais divertido com companhia, como é mesmo necessário a entreajuda para ultrapassar variados obstáculos que aparecem pelo caminho. Deste modo, o jogo foi pensado e está desenhado inteligentemente para dois jogadores. Em comparação com toda a série Illusion, este viria a mostrar um cuidado redobrado na apresentação e nas animações, oferecendo uma experiência com muito mais frescura, com novas ideias e com muita mais magia Disney. Toda esta receita funde-se também com as animações da Disney, sendo que oferece uma série de referências a um sem fim de filmes que percorrem toda a sua história. Um dos primeiros e o mais óbvio dos exemplos é o facto dos primeiros inimigos serem cartas de jogar, a fazer lembrar a animação Alice no País das Maravilhas! Entre toda a oferta que existe para a 16-bit da SEGA, World of Illusion é, sem dúvida, um dos melhores jogos cooperativos que existe, assim como é um dos mais bem trabalhados a nível de cor, animação e som.

A série Illusion teria o seu fim com um jogo exclusivo na Game Gear, e ao contrário de todos os outros, não foi desenvolvido pela SEGA. Em 1995, três anos após o lançamento de World of Illusion, chegava Legend of Illusion, que na sua história retrata Mickey como empregado de limpeza do reino do Rei Pete. Nesta terra envenenada, era preciso encontrar a água sagrada que voltaria a dar cor e vida a todos os seres, mas cobarde como sempre, Pete prefere tornar Mickey o novo Rei para não ter que ser ele a procurá-la. Como é óbvio, e depois de conseguirmos sarar o reino, Pete acaba por se tornar o verdadeiro vilão ao querer a coroa de volta! Em Legend of Illusion, foram feitas algumas mudanças notórias em relação aos demais títulos da série, sendo que a principal prende-se ao facto de já não podermos saltar sobre os inimigos para os eliminar. Ao invés, é preciso agarrar em blocos e atirar com eles a quem se meta no caminho, no entanto, a todos os outros níveis, o título é novamente super colorido, com toda a atenção ao detalhe e com níveis surpreendentemente bons! Legend of Illusion viria ainda a ter uma conversão “semi-oficial” na Master System, em 1998, pela TecToy. Sendo o Brasil um mercado tão à parte do restante, encontrar esta versão a preços convidativos hoje em dia não é nada fácil. De qualquer maneira, a experiência na portátil é mais fiel, principalmente por a versão na Master System aparecer a meio ecrã, para manter as proporções exactas do original.

 

Não há dúvidas que a ligação entre a SEGA e a Disney nos deu jogos exemplares, tornando-se numa das principais razões para ter uma consola da marca nos anos 90. Esta série cimentaria uma ligação não só na distribuição, mas também na produção de videojogos, oferecendo aos jogadores títulos que, sem dúvida alguma, fizeram os produtores verter suor e lágrimas, mas que estabeleceram novos níveis de qualidade, principalmente na máquina de 16-bit.

Autor: Victor Moreira Pesquise todos os artigos por

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