Astral Chain

A entusiasmante sensação de não saber o que esperar!

 

 

Proponho que antes de avançarmos, reflictam um bocadinho comigo. Quantas vezes nos últimos anos se sentiram verdadeiramente surpreendidos com um jogo? Não coloco, para já, a questão se é pelo jogo ser bom ou mau, mas sim pela sensação de realmente não saber bem o que se esperar e ter uma genuína curiosidade relativamente a isso. Felizmente, Astral Chain não é o único título surpreendente dos últimos anos, todavia com o volume de sequelas que vamos constantemente comprando, a quantidade de vezes que começamos a jogar algo sem saber com o que contar é cada vez mais rara. É compreensível, jogar o que sabemos que nos agrada, é confortável e menos arriscado, tanto para nós como para os criadores, mas ser apanhado desprevenido pode ser muito mais entusiasmante!

Brindo, por isso, à coragem da PlatinumGames de criar este novo exclusivo da Switch e anunciá-lo apenas relativamente perto do seu lançamento. O que é isto? Um novo Bayonetta num ambiente futurista? Estilo não lhe falta, como seria de esperar da Platinum, mas será que tem substância?

A partir do seu anúncio num Nintendo Direct, foi-se criando algum hype à volta de Astral Chain e até ao seu lançamento fomos aprendendo mais um pouco sobre ele. Na minha opinião, contudo, só mesmo experimentando-o é que conseguimos ter a verdadeira noção de quão longe chegou e quão diferente é dos restantes títulos da equipa de desenvolvimento. E que equipa essa! Dirigido por Takahisa Taura, do também aclamado Nier: Automata, acompanhado por Hideki Kamiya de Devil May Cry e Bayonetta seria normal esperar uma grande extravagância de ação! Essa extravagância está lá, sem dúvida, com combates épicos contra criaturas monstruosas (Chimeras) que inovam devido à mecânica central de jogarmos com o nosso herói em conjunção com um Legion, que é basicamente um monstro sobre o nosso controlo através duma corrente/trela astral. Esta nova forma de combate exige alguma habituação e, por vezes, parece um pouco overwhelming a quantidade de variações e habilidades que podemos fazer, mas dado o volume de conteúdo, além das opções que temos penso que a forma como somos conduzidos ao longo do jogo é a melhor e mais suave que poderíamos ter.

Apesar do combate ser excelente, ainda mais surpreendente é o facto deste jogo não ser apenas a extravagância de ação que os trailers nos mostram. Encarnamos um polícia e por isso fazemos o que é suposto os polícias fazerem, investigar crimes e ajudar as pessoas. Estas ideias reflectem-se maioritariamente em side quests, que assumem um ritmo um pouco mais lento para descansar dos combates frenéticos, mas que são bastante interessantes, acabando por trazer variedade de mecânicas e opções. A história é também apelativa e bem desenvolvida, podendo perfeitamente ser um Anime de sucesso por si só. Dei por mim a lembrar-me dos livros de Dan Brown, que nos mantinham colados às páginas com enredos que se iam desenrolando em pequenos capítulos com constantes surpresas e reviravoltas. O mesmo tipo de estrutura é reproduzida aqui e, quando pensamos que vamos só jogar mais cinco minutos, damos por nós a não conseguir largar os comandos.

Parece que a aposta da PlatinumGames tem corrido bastante bem, segundo as vendas iniciais e a crítica, e ainda bem que assim é! O mérito é todo da equipa de desenvolvimento e do excelente trabalho que fizeram. Começa a fazer parte do seu pedigree, não só a ação frenética cheia de estilo, mas também a vontade de não se repetir e surpreender, em loucuras tão emocionantes como por vezes disparatadas, muito ao género japonês.

Quem sabe se este stand alone não se torna um novo IP de sucesso? É normal que tenhamos vontade de viver mais aventuras neste universo e perceber como evolui, no entanto, não estaremos aí a contrariar uma das coisas que torna este jogo tão especial? Não queremos continuar a ser surpreendidos com novas experiências? Penso que há lugar para tudo neste mercado, desde que as equipas de desenvolvimento tenham condições para fazer, não só o que os seus fãs esperam delas, mas também para extravasar essas expectativas. Temos que mostrar que podemos confiar neles, são profissionais, sabem o que estão a fazer. Por isso, sinceramente, não quero falar mais a fundo sobre Astral Chain em si, sobre isso podem ler e ver já vários vídeos em outros locais da internet. Mais do que isso quero apenas dizer que o joguem!

Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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