The Legend of Zelda: Link’s Awakening

Acordar para a vida!

 

Muitos têm grandes recordações de infância de variados jogos da saga The Legend of Zelda, mas eu, infelizmente, não! Já tinha vinte e qualquer coisa anos quando experimentei o meu primeiro, The Phantom Hourglass o qual, apesar de algo controverso devido ao seu controlo exclusivo pelo stylus da DS, considerei uma excelente primeira mostra do que a série tinha para oferecer. Desde então, já me aventurei com o Link várias vezes, contudo, feliz ou infelizmente, ainda tenho mais aventuras para jogar!

Mas vamos ser francos (e talvez um pouco polémicos) se pegarem hoje nos primeiros dois jogos da série, os clássicos da NES, o impacto inicial não é, seguramente, o melhore, pois nota-se a passagem dos anos, a evolução da tecnologia e, apesar da história ser frequentemente “circular”, a jogabilidade evoluiu consideravelmente também. Depois do brilhante Breath of the Wild, e já com um olho na sua sequela, como é possível apreciar algo menos do que o brilhantismo da vasta aventura em mundo aberto que já experienciámos? É fácil, tirando da gaveta um dos sucessos passados e fazendo um remake cuidadoso, que mostra um grande respeito pelo material de origem, mas que o melhora e actualiza para os nossos dias!

A actualização mais evidente prende-se com o estilo gráfico escolhido… conheço quem acha um desrespeito as opções tomadas, no entanto, e pessoalmente, fiquei apaixonado desde a primeira vez que lhe pus os olhos em cima. Os jogos “2D” de Zelda com a sua vista top down remetem-me sempre para um mundo miniatura, como se fossemos uma criança com os seus pinypons a brincar às aventuras, tendo acabado este jogo por ser, para mim, e agora que finalmente o joguei, precisamente isso, uma pequena grande aventura. Não sei exactamente como a Nintendo o faz, mas fá-lo brilhantemente!

Apreciei cada momento de Link’s Awakening, desde a exploração da ilha, a conhecer as suas inesperadas personagens originais e outras criaturas emprestadas da saga do Super Mario. As dungeons e os seus puzzles são desafiantes e, ainda que os inimigos e bosses não sejam propriamente do mais difícil com que já me deparei, são bastante divertidos de enfrentar. É delicioso, e ao mesmo tempo nostálgico, mesmo não tendo eu jogado o original. Faz-nos relembrar que o que faz um bom jogo ou uma boa sequela não é apenas ser cada vez mais complexo e megalómano, mas que a criatividade e a simplicidade são perfeitamente capazes de nos trazer experiências inesquecíveis.

 

Como cereja no topo do bolo, chega-nos todo o subtexto do enredo. São SPOILERS com vinte e seis anos, contudo, deixo aqui o aviso, quem não jogou pare de ler aqui.

Já jogaram? Ok!

Ora aqui está um grande dilema para Link, em vez de ser o herói do costume a seguir o seu destino na batalha contra Ganon, aqui estamos simplesmente (como se houvesse algo de simples nisso) presos no sonho de Wind Fish, uma baleia mítica com gosto pela bijuteria. Não temos que salvar mais ninguém a não ser nós próprios, todavia, para tal, temos que acordar essa criatura. Contudo, ao fazê-lo, todo o mundo (ou neste caso ilha) e todos que nele vivem deixam de existir.

Será que vale mesmo a pena esse sacrifício? Não seria melhor simplesmente deixar em paz os bicharocos e monstros que vagueiam pelas florestas e deixar os bosses tranquilamente nas suas dungeons? Os habitantes da ilha Koholint parecem felizes e Marin parece bem mais interessada num relacionamento com Link do que a princesa Zelda alguma vez esteve. Não serão os bosses deste jogo os verdadeiros Vingadores e Link o maior vilão que, para seu próprio proveito reúne oito instrumentos mágicos para destruir toda a existência?

É que Thanos reuniu seis jóias do infinito e destruiu apenas metade da vida no Universo e isso nem sequer foi para seu próprio proveito! No entanto, se um sonho é uma ilusão, então não existirão consequências de acabar com ele, certo? Temos por isso uma opção, podemos não acabar o jogo, deixar-nos estar… mas será melhor viver uma ilusão do que acordar para a vida?

Há sonhos que vivemos dos quais temos eventualmente que acordar… não há mal nisso, desde que tenhamos outros sonhos para sonhar.

Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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