Até à vista Revista PUSHSTART!

Já não é novidade para ninguém, é certo, todavia, não a queria deixar partir sem antes partilhar convosco toda a minha experiência pessoal na passagem pela Revista PUSHSTART…

Para mim, tudo começou há dez anos atrás, mais precisamente a 29 de Outubro de 2009, dia em que o meu primeiro artigo foi publicado no blog Os Velhos Tempos: “Olá! Chamo-me João e inicio aqui o meu espaço de crítica / comentário ao saudoso mundo da nostalgia jogável!”. Foram estas as minhas primeiras palavras. Esta oportunidade surgiu da resposta a um anúncio na página Carga de Trabalhos, na qual se procuravam pessoas que gostassem de escrever sobre videojogos.  Na altura, com 26 anos, estava no meu primeiro emprego, a viver com a minha namorada (futura esposa) e, como a vida não era ainda ocupada demais, resolvi tentar a minha sorte. Rapidamente, fui seleccionado e escrevi os meus primeiros dois artigos, um de apresentação e, o outro, uma review ao Streets of Rage, um dos meus preferidos de sempre!

Durante um ano escrevi nove artigos para Os Velhos Tempos, mas o projecto andava a meio gás, até que o Ivan Barroso me disse que tinha estado a falar com redactores de vários blogs (Retrograming, Retrogrado e Universo Spectrum) e que queriam criar um projecto mais ambicioso. Apesar da ideia ser focarmo-nos sobretudo na produção de conteúdos sobre retro gaming, estávamos atentos ao que se passava no nosso dia a dia, a verdade é que tínhamos ouvido falar de um dispositivo inovador, chamado iPad. Prevendo o sucesso que a pequena máquina viria a ter, decidimos diferenciar-nos do típico site/blog, para criar um e-magazine mensal, um PDF interactivo com uma série de links para cada artigo, tecnologia de ponta!

Assim, com forças combinadas e entusiasmo redobrado, lançámos, em Setembro de 2010, a Revista PUSHSTART Nº1! Contribuí nessa edição com uma crítica ao Braid e outra a Super Mario Galaxy 2 (sempre fui um rapaz com bom gosto). No mês seguinte entusiasmei-me mais ainda e escrevi sete artigos! Daí em diante, fui escrevendo regularmente, sendo poucas as edições nas quais não participei.

Nisto passaram-se cinco anos, o que fez com que surgisse uma nova ideia:

Que tal irmos contracorrente? Numa época em que as revistas em papel se tornavam um item cada vez mais raro, vamos criar algo que as pessoas queiram mesmo ler e guardar nas suas Man Caves!

Veja-se que, já na altura, as publicações impressas sobre videojogos estavam praticamente extintas no nosso país, por isso esta foi definitivamente uma manobra arriscada que, ainda assim, durou dez edições, com uma periodicidade bimestral. A opção por esta periodicidade, justificou-se com a tentativa de procurar-se fazer conteúdos mais completos e cuidados, mas também de forma a conseguirmos ter tempo para a impressão e envio das revistas, que nunca foram vendidas “nas bancas”, mas sim por envio directo por correio. Gerou-se, novamente, um entusiasmo redobrado pelos vários colaboradores do projecto, visto que as suas palavras passariam do mundo digital para existirem fisicamente no mundo impresso! Isso pode parecer simples, contudo, para muitos de nós, foi algo aliciante. Nesta fase, reconheço com toda a honestidade, que foram escritos vários dos melhores e mais completos artigos sobre a história e nostalgia dos videojogos. E não, não me estou a gabar até porque pouco participei na escrita desses artigos, sendo que me mantive mais na componente paralela e online da produção de conteúdos para o site, que provinha, sobretudo, dos títulos cedidos pela Nintendo e, de vez em quando, da Playstation, dos quais fazíamos as suas críticas.

Sempre achei uma sensação espectacular poder receber um jogo antes do normal consumidor ter a hipótese de o adquirir e, graças a isso, joguei títulos excelentes e que queria mesmo ter! Por outro lado, é verdade que também joguei muito para o qual nem tinha assim tanta vontade de experimentar ou que não se enquadrava nos géneros que normalmente pegaria. Algumas vezes, esse “risco” acabou por compensar, com muito boas surpresas pelo meio… outras nem tanto. Aí surgia o dilema entre escrever uma crítica o mais “jornalística”, informada e imparcial possível ou então admitir os meus gostos e ódios, o que conheço e desconheço e falar apenas do meu ponto de vista. Nos últimos tempos da Revista, passámos a adoptar cada vez mais esta última postura e deixámos de fazer reviews propriamente ditas, para passar apenas a comentários pessoais sobre os jogos.

A Revista PUSHSTART começou, principalmente, pela iniciativa do Ivan Barroso e do Jorge Fernandes, mas eu e o Tiago Lobo Dias também lá estivemos desde a sua génese. Entretanto, muitas outras pessoas também colaboraram connosco, das quais destaco o Luís Filipe Teixeira, Victor Moreira, Ivo Leitão, Margarida Cunha, Ivan Cordeiro, Miguel Coelho e André Santos, sem, claro, deixar o meu muito obrigado a todos os outros que não mencionei!

A última edição física lançada foi a número 66, ainda que uma 67 estivesse praticamente concluída. É trabalhoso gerir um projecto destes e, mais uma vez, começava a sentir-se alguma desmotivação geral. Tomada a decisão de parar a revista física, tentámos dar um novo vigor às publicações no site, no entanto, a participação de cada membro foi-se tornando cada vez mais esporádica, o que acabaria por nos conduzir até aqui… ao fim definitivo. Contagem final de artigos escritos por toda a equipa: 1324 artigos (não quero nem imaginar a quantidade de páginas e caracteres).

Este projecto nunca teve fins lucrativos, sempre o fizemos apenas como um hobby, porque gostamos de pensar e escrever sobre jogos. Os artigos que redigi e de que mais me orgulho, são precisamente os que escrevi apenas por ter vontade de fazê-lo, de falar de algo que sentia vontade de expressar e partilhar com os outros (assim como este). Escrevi, igualmente, mais do que uma vez, sobre jogos e eventos nacionais, esforçando-me por ajudar na divulgação do que de bom se faz por aí. Falei, frequentemente na primeira pessoa, da minha própria experiência pessoal a desenvolver videojogos e participar também nesse tipo de eventos, o que acho que é uma visão interessante e que não é assim tão comum no panorama nacional.

No que toca ao entusiasmo de escrever, ou muitas vezes a falta dele, acho que se deve sobretudo à acumulação de afazeres diários e de haver necessariamente aspectos que ficam para segundo plano. Por outro lado, há também a questão da auto-estima, principalmente quando se pensa: “bolas será que anda mesmo alguém a ler isto?”. Se pensar na minha própria experiência de procrastinação online percebo que perco muito mais tempo a ver vídeos no Youtube, como críticas de jogos e outros, do que a ler o mesmo tipo de conteúdos. O vídeo é muito mais fácil de assistir, pois podemos estar muito mais passivos e relaxados do que a ler. Eu noto isso na pele quando, com o cansaço do dia-a-dia me limito a fazer zapping pelo Youtube, simplesmente porque não tenho energia suficiente para ainda ir ler ou jogar.

Durante a vida da PUSHSTART a minha vida também mudou imenso! Casei-me, tive dois filhos, tornei-me Professor e Director de um curso de jogos numa Universidade. O facto de começar a escrever sobre jogos levou-me a fazer um Doutoramento sobre este tema, a criar os meus próprios jogos e a ensinar sobre a concepção destes! A minha ligação a esta indústria tornou-se mais forte nos últimos dez anos do que alguma vez imaginei e aqui estou eu, numa nova fase, para instruir a próxima geração, a qual espero que vá muito melhor preparada para tornar a diminuta indústria portuguesa de videojogos numa verdadeira indústria próspera e sustentável.

Aqui estou eu, dez anos passados, e este é precisamente o meu artigo número 200! Parecem-me números bonitos para dizer o Adeus! Como em Link’s Awakening, tivemos que tomar a difícil decisão de não continuar com este sonho e optar por acordar. Termina aqui um ciclo, mas, estou certo, outras aventuras se seguirão. Neste momento premimos o botão de pausa deste projecto… mas outros Push Starts esperam por cada um de nós!

Até à vista Revista PUSHSTART!

Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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