140

Um estranho mundo de ritmo e geometria…

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Sou um confesso fã de Limbo, o jogo de estreia da Playdead, pois é um daqueles que realmente nunca esquecerei. Então, quando ouvi falar pela primeira vez de 140, desenvolvido por Jeppe Carlsen, um dos membros da sua equipa de produção, fiquei logo curioso/esperançoso se dali viria algo que também me agradasse. A verdade é que 140 quase nada tem a ver com Limbo… ou até terá? São ambos jogos de plataformas com controlos minimalistas (neste caso, só mover e saltar), em que muito pouco é explicado e em que, basicamente, reagimos e tentamos sobreviver ao ambiente que nos rodeia.

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Apesar disso, enquanto Limbo tem um sentido narrativo e figurativo, 140 é quase puramente abstracto. Somos um quadrado que, quando se move, transforma-se num circulo e quando salta num triângulo e temos que apanhar umas bolas, que servem como chaves para a passagem para outros níveis, que resultam de variações na coloração do anterior, desbloqueando o seu progresso. Pelo caminho, temos que evitar tocar na estática que nos quer ver mortos! Sim leram bem, estática que assassina quadrados transformistas! Não perceberam muito bem? Eu também não… mas jogando, intuitivamente faz todo o sentido e vamos progredindo em piloto automático, sem que seja necessário uma única linha de texto ou qualquer tipo de tutorial.

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140 é jogabilidade pura, um platformer rítmico, que tem tanto de convencional como de estranho. É que, apesar de quase tudo que por lá acontece ser lugar comum noutros videojogos de plataformas, a cadência e ritmo da acção são muitos bons. E ainda bem que falo de ritmo, pois todo o background pulsa ao som da música electrónica que, não sendo propriamente o que eu gosto de ouvir, é interessante e acompanha brilhantemente o jogo. Mais do que isso, a música conduz a acção, sendo parte integrante da jogabilidade, já que, tendo atenção à sua batida, temos uma grande ajuda para saber os timings correctos de como progredir. E quando estamos já meios hipnotizados, eis que surgem batalhas com bosses, igualmente abstractos, mas com um impacto desconcertante. Morremos, tornamos a repetir logo de imediato com checkpoints generosos e não conseguimos sair daquele transe.

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Visualmente, 140 parece que podia ter saído do ZX Spectrum e nem estou a falar dos jogos em si mas do ecrã de loading. Haverá quem aprecie o seu aspecto minimalista e admito que é funcional mas, no mesmo género, Thomas Was Alone consegue ser muito mais agradável aos olhos e ser também apenas feito de quadradinhos. Ainda assim, visuais, áudio e jogabilidade conjugam-se numa experiência que nos agarra completamente e nos faz querer jogar duma assentada só, numa trip psicadélica e geométrica.

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Veredicto
Feio que até dói, mas estranhamente viciante, 140 é jogabilidade no seu estado mais puro (e estranho).
Plataforma
Wii U
Produtora
Jeppe Carlsen
Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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