A Good Day To Die Hard

6
Longevidade: 6/10
Jogabilidade: 6/10
Gráficos: 8/10
Som: 6/10

Cenários e itens variados

Jogabilidade com alguns problemas no tempo de resposta e repetitiva

– O primeiro filme “Die Hard” estreou em 1988 e depressa se tornou num verdadeiro sucesso comercial. A sua fórmula, bastante básica por sinal, consistia em misturar os géneros de acção, comédia e aventura, além de centrar a sua história num polícia meio desorientado com a vida numa situação extrema. Tal fórmula deu rapidamente origem a várias sequelas, umas bem mais interessantes que outras, é certo! Em 2013 estreou assim o (até agora) último episódio das aventuras de John McClane, “A Good Day To Die Hard”, dando também origem ao jogo homónimo para várias plataformas móveis.

O filme não é nenhuma obra de arte, aliás bem pelo contrário, e o jogo parece infelizmente seguir pelo mesmo caminho.

No que respeita à jogabilidade, pode dizer-se que assume uma perspectiva na terceira pessoa, ainda que vá buscar inspiração a outros universos. Pessoalmente já há muito tempo que não jogava um título em que a movimentação fosse automática, mas aqui é precisamente isso que acontece. Assim, o principal objectivo deste título não é o que normalmente encontramos, com a necessidade de nos escondermos, de nos desviarmos de balas inimigas ou fazer o nosso personagem avançar pelo cenário, mas sim, evitarmos obstáculos, que podem ir desde armários/ cadeiras entre muitos outros, até carros destruídos e paredes derrubadas. Contudo, não é só sobre corridas desenfreadas que A Good Day To Die Hard trata e há muito mais para fazer. Disparar sobre inimigos é também tarefa recorrente, além de termos que mudar a nossa trajectória com o objectivo de apanharmos itens que vão aparecendo com frequência, tais como moedas, vidas, munições, entre outras, o que permite adquirir upgrades para armas ou novos personagens. Tal como fica bem patente a simplicidade do jogo nos primeiros minutos, o mesmo acontece na simplicidade de ferramentas que temos para jogar. É tudo à base do toque no touchscreen, e varia pelo toque singular (no caso dos disparos), ou toque de arrasto, como por exemplo, para executar saltos ou carregar a arma. Relativamente a estas, também vão aparecendo algumas variações conforme a nossa progressão e o grau de dificuldade da etapa em que nos encontramos. Ao nosso dispor temos ainda uma ferramenta ao estilo de Max Payne, uma opção que permite reduzir a velocidade das ocorrências à nossa volta (um bullet time improvisado), para com ele podermos despachar vários vilões de uma só vez. Pode-se encontrar esta opção – “adrenaline” – no canto superior direito. Existe também um tutorial no primeiro nível que explica de forma detalhada tudo o que devemos fazer, o que é bom para os menos habituados nestas rotinas.

Apesar das imensas variações in game, a verdade é que, com o tempo, acaba por se tornar bastante repetitivo. A somar a tal, a jogabilidade apresenta alguns problemas típicos mas que facilmente poderiam ser corrigidos. Os movimentos do personagem são lentos, existindo um delay demasiado prolongado desde a altura em que se dá a ordem até efectivamente este a executar, o que muitas vezes acaba por originar percalços desnecessários. No mesmo sentido e pessoalmente também não achei a disposição da tecla “adrenaline” a mais adequada, principalmente para jogadores canhotos.

Por outro lado, graficamente até é apelativo. O detalhe é considerável, tendo em conta a plataforma em questão, e mesmo os cenários também não desiludem. O motor gráfico agrada, sendo que decorre sem problemas de maior, e não se verificam saltos ou paragens durante o jogo. As texturas são suficientemente variadas e resultam na generalidade.

Na vertente sonora senti falta de alguns pormenores. Primeiro fica a faltar o tema “Die Hard”, presente no filme original em larga escala (ainda que no jogo aqui e ali lá dê ares de sua graça) – e o mesmo acontece no filme. Todavia, durante o menu podemos ouvir o hino da alegria (que para aqueles que conhecem bem a saga, irá com certeza ser bastante familiar). Em segundo porque não tem à altura uma música que se adeqúe ou que represente o espírito do jogo (personagem), além de ser extremamente repetitiva ao longo dos cenários. Porém, os efeitos sonoros cumprem os mínimos obrigatórios, e apesar de não serem brilhantes acabam por resultar.

A história não é propriamente tida em conta, o que também é um aspecto que fica a faltar. Curiosamente, o jogo inicia-se naquela que é a última parte do filme, mas sente-se a falta de alguma interacção entre personagens e, claro, o carisma de Bruce Willis! Não será por acaso que na capa apenas aparece o actor que dá vida à personagem do filho deste mas a verdade é que um jogo baseado em “Die Hard” sem ter a mítica do principal personagem que lhe dá nome é uma falha, a meu ver, imperdoável.

A Good Die To Die Hard cumpre os objectivos mínimos e pouco ou nada mais que isso. A julgar por alguns comentários no “Google Play”, trata-se de um jogo que não reúne consenso, o que se compreende, mas por outro lado, e se pensarmos que é gratuito, pode ser até uma solução a ter em conta. A diversão está garantida, pelo menos por algumas horas, ou então até nos fartarmos da jogabilidade. Quem for à procura de um jogo que homenageie verdadeiramente o universo “Die Hard” vai com certeza pensar que se enganou e que está a jogar sim um… Die Easy!

Autor: Andre Santos Pesquise todos os artigos por

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