Alex Kidd and the Miracle World

7,8
Longevidade : 8/10
Jogabilidade : 7/10
Gráficos : 8/10
Som : 8/10

Apresenta conceitos interessantes, pouco vistos na época

Os controlos poderiam ser mais refinados, tornando o jogo ainda mais difícil.

1986 foi o ano que marcou o lançamento da Sega Master System em território ocidental. Era uma época ainda apanhada de surpresa pelo enorme sucesso que Super Mario Bros, lançado um ano antes, teve na consola rival. Foi um jogo absolutamente revolucionário, como certamente todos nós sabemos, e impulsionou o subgénero de jogos de plataforma e o conceito de mascotes para um outro nível. Era uma altura em que praticamente todas as desenvolvedoras tentavam mimetizar o sucesso de Super Mario Bros, criando vários jogos de plataformas com o mesmo conceito. A Sega não poderia ficar atrás, até porque até então a Master System recebia apenas conversões algo pobres de jogos arcade, uns conhecidos, outros nem por isso. A par de OpaOpa de Fantasy Zone e, noutros moldes, Wonder Boy, Alex Kidd foi das primeiras tentativas da Sega de arranjar uma mascote que cativasse o público para a sua consola. Alex Kidd in Miracle World foi o primeiro jogo a ser lançado com a personagem e acabou por ser o mais popular. É um jogo de plataformas claramente inspirado em Super Mario Bros. mas com uma série de pequenos “twists” que lhe davam um cunho mais original.

A história, embora não envolva o resgate de princesas indefesas, não anda muito longe do típico. Alex Kidd é um príncipe do planeta Aires, que se encontra com a missão de salvar a terra de Radaxian de um poderoso tirano. Ao invés de saltar em cima dos inimigos como o seu rival canalizador, Alex Kidd é na verdade um mestre da arte “Shellcore”, uma técnica que lhe permite ter força sobre-humana nos seus punhos, capaz de partir pedras. Os níveis progridem de várias formas: ao invés de apenas existir um scroll para a direita, como é habitual em quase todos os platformers da época, aqui existem níveis com scrolling em todas as direcções. Espalhado pelos 17 níveis estão diversas rochas que podem ser quebradas com os punhos de Alex, assim como uma panóplia de inimigos. Super Mario tem moedas que pode coleccionar, em Alex Kidd existem sacos de dinheiro. Não quero com isto fazer uma comparação presunçosa, mas a verdade é que o sistema monetário de Alex Kidd tem outros usos. Em vários níveis existem lojas que podemos visitar e gastar o dinheiro para comprar preciosos power-ups que ajudam e muito a terminar alguns determinados níveis. Nesses power-ups estão incluídos veículos como uma moto suficientemente poderosa para avançar no nível partindo as rochas, ou um pequeno helicóptero a pedais que permite voar.

Mas, sendo um jogo totalmente old-school, basta tocar num inimigo que perdemos logo o veículo, ou uma vida, se estivermos a “andar a pé”. Espalhados nos níveis estão também outros blocos com pontos de interrogação. Estes tanto podem ser bons, dando-nos um poderoso anel que permite atacar inimigos à distância, ou libertar poderosos inimigos que atormentam constantemente o pobre Alex Kidd. Outro aspecto invulgar é a forma como as lutas com os bosses se procedem. Ao invés de lutas épicas como os restantes videojogos, aqui temos de os derrotar com o desporto nacional de Aires: o jogo da Pedra-Papel-Tesoura. Vencer estas batalhas inicialmente é uma questão de pura sorte, mas mais tarde temos a possibilidade de encontrar um item secreto que permite ler os pensamentos dos bosses, antecipando as suas jogadas e permitindo ao jogador que aposte na jogada certa. Alex Kidd apresenta uma jogabilidade interessante e sem grandes falhas, contudo não deixa de ser um jogo difícil, pois lá para a frente a dificuldade aumenta drasticamente. Apresentando imensas secções é necessária uma precisão cirúrgica nos controlos para ser-se bem sucedido. A nível de controlos o defeito que posso apontar é o facto de trocarem o botão de salto e de ataque, face à “norma estabelecida” pelos outros jogos de plataformas da época. Isso e o efeito de inércia não ser tão suave como em Super Mario Bros., contribuindo para a elevada dificuldade do jogo.

Graficamente, e tendo em conta que estávamos em 1986, Alex Kidd cumpre muito bem o seu papel, apresentando níveis com temas variados e sempre com cores vivas, mostrando nitidamente a superioridade gráfica da 8bit da Sega face à sua maior rival. Já a nível de som, o campo que sempre foi o calcanhar de Aquiles da Master System, o jogo apresenta algumas músicas bem catchy, como a música título, contudo poderia haver uma maior variedade nos temas, que acabam por se tornar um pouco repetitivos.

Este Alex Kidd é um jogo que recomendo a todos os fãs de jogos de plataforma, é na minha opinião um dos melhores na década de 80, apresentando um desafio muito interessante para quem tiver paciência, e alguns detalhes na jogabilidade que a meu ver tiveram o seu quê de inovador. Não ter uma Master System não é problema, pois versões digitais encontram-se para download na Wii, PS3 e X360. Infelizmente os restantes Alex Kidd seguiram por rumos completamente diferentes, sendo jogos medíocres. A excepção fica para o Alex Kidd in the Enchanted Castle, um dos primeiros jogos da Mega Drive, que apresenta conceitos semelhantes a este. Num patamar diferente está também o Alex Kidd in Shinobi World, o último da série, tendo saído para a Master System. A jogabilidade já é mais tradicional e é também um jogo interessante, mas essa história fica para outra ocasião.

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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