Aliens: Colonial Marines

3
Longevidade: 4/10
Jogabilidade: 5/10
Gráficos: 3/10
Som: 3/10

Pouco ou nada a referir

Muito, mesmo muito a referir

Review 4×4

Review Principal

 

Parece existir uma maldição inerente à série Alien. Outrora um nome de peso para todos os fãs de ficção científica e horror, os famosos xenomorphs têm sofrido com cada nova adição à sua saga, seja no cinema, com Prometheus em 2012 (realizado por Ridley Scott), ou com a constante produção de más adaptações que empestaram as consolas nas duas últimas gerações. Se Aliens: Colonial Marines, desenvolvido pela Gearbox Software em parceria com a SEGA e a TimeGame, ressurgiu das chamas como um autoproclamado salvador para uma série que nunca tinha encontrado a sua voz no mundo dos videojogos, a verdade é que não conseguiu ser mais que um Ícaro interactivo que não ouviu os avisos e pedidos de um pai amedrontado: e o pior é que este nosso Ícaro atirou-se sem as asas de cera.

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Dizer que Aliens: Colonial Marines é um mau jogo é ser simpático e tocar apenas no óbvio. Por esta altura, mais de um ano após o seu lançamento, já todos conhecem o triste fado que envolveu a produção deste título e estão inteiramente avisados dos seus defeitos e nefastas desilusões. Mas falo agora para os fãs, para todos aqueles que, como eu, não resistiram a comprar este aglomerado de más escolhas e péssima narrativa com as esperanças que todas as más críticas fossem apenas rumores. Mas não são.

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Colonial Marines continua após a história Alien 3, com os acontecimentos a decorrerem 17 dias depois da fuga de Ripley do planeta LV-426 e da sua estadia em Fury-161. Com o sinal da estação espacial Sulaco a ressurgir misteriosamente após o seu desaparecimento, um grupo de soldados, abordo da nave USS Sephora, é enviado para investigar o sinal de socorro e descobrir o que aconteceu com a tripulação. O que começa por ser uma simples missão de salvamento acaba por levar Winter, a nossa personagem, e os seus companheiros numa viagem até ao inferno quando descobrem a presença do famoso extraterrestre abordo da estação espacial. Agora, sem local para onde fugir, cabe a Winter descobrir os segredos escondidos em LV-426 e parar a propagação daquele que é o maior perigo do universo.

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Se o setting é apelativo, o seu desenvolvimento é absolutamente vergonhoso. E sim, vergonhoso, especialmente quando estamos perante uma sequela directa, e agora parte do cânone, do filme de 1986 (realizado por James Cameron). A história de Colonial Marines é tão mal estruturada, tão insípida, e até mesmo forçada em alguns dos seus momentos, que toda a sua experiência é contaminada por uma constante frustração – fomentada pelos plot points mais aborrecidos, sem força ou imaginação, protagonizados por personagens com a profundidade de um bocado de cartão. A falta de alma e personalidade são problemas que estão presentes em todos os pontos do jogo. A história é apenas o começo, a ponta do iceberg – se me permitirem usar esta expressão tão gasta – para uma produção tão faltosa e quase desrespeitosa que é difícil delinear o “porquê” do seu lançamento. É um jogo incompleto, uma produção despachada e sem tempo para limar e corrigir os seus problemas; é um jogo cuja base está corrompida pela falta de ideias e pela incapacidade de construir uma experiência não só inovadora como atractiva.

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A própria jogabilidade, no seu âmago um jogo de terror e acção na primeira pessoa, é o culminar de uma produção sem quaisquer ambições. Mesmo com a implementação de um sistema de evolução por níveis, que possibilita o desbloqueamento de novas armas e acessórios, e quatro modos de multijogador, sentimos que Colonial Marines é vazio, pouco envolvente ou atraente ao ponto de repetirmos a sua campanha. E quando estamos perante um jogo que é tão difícil de jogar como Colonial Marines, seja por causa do seu sistema de mira tão disjunto e impreciso ou pela repetição de objectivos e set-pieces pouco emocionantes, apercebemo-nos que não existem motivos fortes para o fazer.

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Talvez tenha sido um problema de orçamento, podemos até pensar que as ideias eram demasiado megalómanas para o tipo de jogo que queriam construir, mas sinto que isso sejam apenas desculpas o resultado final e a sua falta de ideias. Aliens Vs Predator, lançado em 2010 e desenvolvido pela Rebellion, é um jogo melhor em todos os sentidos – e se isto não é um aviso, então estou a falar para cegos, surdos e mudos. Quando estamos perante um jogo na primeira pessoa, especialmente inserido no género de acção, existem pequenos elementos básicos e inerentes à experiência que queremos que estejam presentes. Um deles é um sistema de mira competente; outro é sentirmos o poder das próprias armas, seja o seu coice ou o seu som; e por fim, uma diversidade de inimigos e desafios. Colonial Marines não consegue criar nenhum destes pontos eficazmente, com a jogabilidade a dificultar qualquer entretenimento que pudéssemos retirar da sua experiência. É tão difícil eliminar inimigos por causa dos bugs constantes que chega a ser desolador. A própria mira é incapaz de seguir os nossos movimentos e muitas vezes acaba por falhar o alvo até mesmo quando está centrada. E se este não é um problema que baste para nos afastar, o jogo ainda tem tempo de quebrar a própria progressão da campanha com bugs que nos obrigam a reiniciar a consola. É uma experiência frustrante do primeiro momento até ao seu final horrível – que deixa, pretensiosamente, a história em aberto.

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A nível visual, a série Alien sempre fascinou com as suas estruturas fantasmagóricas, quase cruéis e vivas, que nos alertam para um perigo constante e sempre presente – um desconforto permanente, como um arrepio na espinha que não conseguimos parar. H.R. Giger, director artístico e criador do design do xenomorph no primeiro filme (1979), é uma inspiração para todos os criadores de mundos surreais e distópicos, e o seu estilo é ainda hoje reconhecido por todo o mundo. Ainda que a sua influência esteja presente ao longo da campanha de Aliens: Colonial Marines, toda a direcção artística é colocada de parte quando o motor de jogo é tão datado e honestamente feio. Não parece que estamos perante um jogo de 2013, não quando nos deparamos com animações horríveis e robóticas; com cenários vazios e pixelizados, com texturas, essas sim assustadoras por serem insípidas e sem imaginação; mas acima de tudo, quando estamos perante um jogo que rivaliza com Duke Nukem Forever no que toca ao pior motor de jogo desta geração.

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Apesar dos seus problemas técnicos e narrativos, Aliens: Colonial Marines podia ter sido um jogo divertido, até envolvente, se tivesse conseguido captar o ambiente da série. Se tivessem parado para pensar no elemento mais importante dos primeiros filmes e tentado implementá-lo no seu jogo, a Gearbox podia ter conseguido criar um jogo faltoso, mas cujas falhas seriam secundárias se a experiência fosse verdadeiramente assustadora. E não é, longe disso, chega a ser até cómica por causa da horrível inteligência artificial. Os xenomorphs são apenas inimigos comuns, sem características pessoais, muito longe das suas versões cinematográficas, e cujas funções cerebrais estão mortas, defuntas. A experiência acaba por ser repetitiva e cansativa por causa dos padrões de ataque previsíveis dos xenomorphs e da sua teimosia em atacar-nos de frente e sempre com os seus braços abertos.

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Se o desafio fosse mais acentuado, se cada encontro com os extraterrestres fosse memorável e assustador, Colonial Marines podia ter sido o jogo que os fãs sempre quiseram. Como está, é apenas um jogo de ilusões, uma diversão de circo que nos deixa ver sem nunca tocar ou participar. É um jogo que nos pede para fechar os olhos perante os seus problemas técnicos e imaginar, com muita força – como se fossemos uma Dorothy a querer regressar ao Texas – que estamos perante um título que vale a pena. Mas Colonial Marines não sabe o que é, e por essa mesma razão não consegue ser mais que uma desilusão e uma experiência que não se deve repetir.

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Como fã, sinto que a Gearbox fez um dos piores jogos possíveis, um projecto capaz de ferir o nome e o legado de uma série que admiro. A minha curiosidade foi a única que me trouxe até aqui, fui avisado e até aconselhado a parar por pessoas amigas, mas não ouvi, não quis, e tive o que merecia. Se esta crítica, mesmo depois de um ano, conseguir persuadir-vos a não comprar este jogo, fico satisfeito. Este tipo de erros não deve ser recompensado, nunca. Guardem o vosso dinheiro para os primeiros Aliens Vs Predator (PC e Mac) ou para Alien: Isolation, aquele que eu gosto de chamar – “a vossa última oportunidade de fazer algo verdadeiramente bom” (eu sei que o nome é muito longo, mas ainda estou a trabalhar nele).

 

Visto por: Ivo Leitão

 

Porquê Gearbox? Porquê? É a pergunta com que fiquei na cabeça ao longo de toda a campanha do jogo. Sendo eu fanboy da saga do xenomorfo mais fofinho da galáxia fiquei naturalmente bastante expectante com este Colonial Marines, especialmente sendo uma sequela oficial do filme de James Cameron. Com a Gearbox já com provas dadas no desenvolvimento de FPS, a qualidade estaria assegurada. Como me enganei. Após imensas polémicas de atrasos e desvios de dinheiro, este jogo saiu para o mercado com imensos bugs. A versão PC pelo menos lá foi sendo corrigida, mas não deixa de ser uma enorme desilusão de um jogo que tinha potencial para ser muito melhor.

Pontuação: 6

Visto por: André Santos

 

É um título fraco, muito fraco. A verdade é que ainda não foi desta que o franchising Alien conseguiu um jogo francamente à altura. Praticamente não existe uma história, ainda para mais imersiva e envolvente, e mesmo para os fãs da saga, como eu, é difícil resistirmos a tantas ideias tão mal aproveitadas. Fora isso, há a possibilidade de vestirmos a pele de um xenomorph, acção, algumas sequências (poucas) até são bem conseguidas e variedade de armas contra um level design deplorável, e uma jogabilidade repetitiva e por demais previsível. Alien Isolation promete… esperemos que cumpra!

 

Pontuação: 2

Visto por: Tiago Lobo Dias

 

Tenho uma grande admiração pelas pinturas do Giger. Cheguei a ter posters enormes das suas pinturas. Sempre achei genial o trabalho que ele fez para o Alien, bem como com a mobília da saga Dune. A cada título Alien salta-me sempre à memória o seu grafismo inicial. Este Colonial Marines é no mínimo embaraçoso. Não consegue de maneira nenhuma levar-nos a beber esse universo espectacular. Do grafismo ao som, da jogabilidade ao ambiente, é tudo fraquinho. Alguns jogos não deviam passar do papel. Não acredito que as expectativas dos seus criadores tenham sido positivas. O dinheiro por vezes (muitas…) fala mais alto e depois temos estes resultados desastrosos.

Pontuação: 4

 

Autor: Joao Canelo Pesquise todos os artigos por

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