Alisia Dragoon

7
Longevidade: 6/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 8/10
Som: 6/10

Elementos estratégicos na jogabilidade (os pets e o charging do ataque)

Dificuldade algo acentuada em certos níveis

Numa biblioteca tão extensa de jogos de plataformas e acção como a Mega Drive tem, é muito fácil 2 ou 3 escaparem pelas frinchas. Foi assim que Alisia Dragoon se tornou numa hidden gem e jogo de culto quando deveria ter sido, na minha opinião, um dos protagonistas do género. É verdade que há vários elementos comuns a outros títulos do mesmo tipo, no entanto são sempre os pormenores que marcam a diferença e que, muitas vezes, separam um jogo banal de um notável.

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Alisia Dragoon é, como já disse, um action platformer em que controlamos uma feiticeira cujo poder principal é disparar feixes de energia das mãos, semelhantes a raios eléctricos. Este ataque, apesar de ser o único que nos é permitido utilizar, possui uma mecânica interessante que lhe confere alguma variedade: existe uma barra que carrega com o tempo, enquanto não estamos a disparar, e que, quando enche, liberta um ataque mais poderoso que afecta todo o ecrã. Outra característica interessante é a presença de um pequeno dragão que nos segue e ajuda na tarefa de limpar o cenário de inimigos. Este pet pode ainda ser modificado durante o jogo de entre uma lista de 4 diferentes, cada um deles com uma habilidade distinta. Isto não é um simples gimmick, ao contrário do que se possa pensar, pois em muitas situações no jogo, ter o pet certo pode marcar a diferença, fazendo deles um elemento estratégico com bastante preponderância.

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Pormenores como estes fazem com que, em muitas ocasiões, Alisia Dragoon se assemelhe mais a um shmup do que a um jogo “normal” de acção, isto porque, tal como no primeiro, também não é incomum encontrarmo-nos em situações em que o ecrã se enche rapidamente de criaturas que temos de despachar rapidamente, de maneira a dar lugar à próxima vaga.  Em termos de grafismo, Alisia Dragoon não é nada de revolucionário, especialmente se tivermos em conta a grande quantidade de jogos semelhantes desta época, tanto em termos de temática como de género. No entanto, não deixa de ter cenários e personagens com sprites bem desenhadas e detalhadas, capazes de marcar alguma diferença.

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A dificuldade do jogo é também um dos factores a destacar, ou não fosse ele retro; mesmo o primeiro nível pode ser um desafio para alguns jogadores menos habituados às exigências dos jogos desta época, castigando qualquer erro ou distracção sem grande piedade. Para além disso, a dificuldade é gradual, o que quer dizer que, se acharmos o primeiro nível desafiante, é bom que façamos os alongamentos necessários pois os seguintes serão bem “piores”. Outra coisa que aumenta um bocado o nível de dificuldade (e, consequentemente, os níveis de frustração) é o facto de não haver qualquer tipo de checkpoint, save point ou sistema de passwords que nos permita recomeçar o jogo de um determinado ponto. Isto significa que um ecrã de game over faz com que tenhamos de recomeçar todo o trabalho árduo perdido ou simplesmente perder a vontade de continuar.

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Em última análise, Alisia Dragoon pode não ser um título para o jogador mais casual que procure um platformer fácil de apanhar o jeito ou um jogo de acção mais simplista; contudo, para jogadores mais experientes que queiram uma experiência interessante com um twist diferente dentro do género, é um nome a ter em conta. Merece, sem dúvida, mais atenção e reconhecimento.

Autor: Miguel Coelho Pesquise todos os artigos por

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