Army of Two: The Devil’s Cartel

5
Longevidade: 6/10
Jogabilidade: 5/10
Gráficos: 5/10
Som: 5/10

É bom não ter nada de muito mau

É mau não ter nada de muito bom

Existem certos jogos que surpreendem o público por não ter uma sequela, mas também existem jogos que surpreendem por terem uma sequela. O original Army of Two foi um dos casos que surpreendeu por ter uma sequela, era apenas um jogo medíocre, um third-person shooter que pouco fazia para agradar. No entanto as vendas razoáveis garantiram o financiamento de uma sequela que conseguiu corrigir alguns problemas, embora tenha continuado a ser extremamente genérico. Army of Two: The Devil’s Cartel parece não fugir à regra e continua a ser um jogo que nada ou pouco faz para agradar. Depois de uma introdução algo confusa a dois dos personagens com menos personalidade, e mais vazios de que tenho memória, a acção começa imediatamente. E se há coisa que não falta neste jogo é acção. Desde o início até ao fim do jogo, a acção quase nunca para, há sempre barris a rebentar, inimigos a disparar, carros a explodir… enfim, há sempre qualquer coisa a acontecer. Toda esta acção, ou a maior parte dela, desenrola-se em cenários abertos com inimigos a vir de várias direcções. Estas secções são intercaladas com corredores que nos levam aos espaços abertos, ou seja, a estrutura do jogo, do inicio ao fim, é, matar inimigos em espaço aberto, encontrar a porta que leva ao corredor, chegar ao fim do corredor e abrir a porta para o novo espaço aberto.

AOT (3)

Este level design perdura durante as 7 ou 8 horas da campanha, que na sua grande maioria é bastante desinteressante. Para tornar as coisas um pouco mais repetitivas, os inimigos são sempre os mesmos, com raríssimas variações. Isto leva a que as tácticas que usamos, quando necessárias, sejam sempre iguais, tornando a experiência ainda mais repetitiva. A falta de utilidade de uma estratégia definida para progredir leva a que o co-op não seja divertido, este passa a ser apenas uma coisa que se pode fazer, um extra desnecessário e desinteressante. Visto que Army of Two: The Devil’s Cartel foi construído com o propósito de ser uma experiência co-op, o jogo falha exactamente na sua premissa principal, o que é um grave problema. Salvo raríssimas excepções em que os jogadores são separados e têm de se apoiar um ao outro em situações diferentes, o co-op é feito da forma menos criativa possível – meter duas pessoas no mesmo sítio e alguns inimigos para derrotar. O jogo tenta quebrar a monotonia com momentos em que conduzimos veículos, ou disparamos de um helicóptero, mas esses momentos não são suficientes para nos querer fazer jogar o resto. Algo que pode ajudar uma jogabilidade monótona é uma história interessante, que agarre o jogador, que faça com que este queira jogar para saber o que vai acontecer a seguir. Mas até nisto o jogo não consegue brilhar, oferecendo uma história nada criativa que é apenas uma desculpa para existir uma campanha. Durante o decorrer do jogo podemos optar com caminhos diferentes, o que acrescenta alguma longevidade, mas o problema é o jogador querer repetir este ou aquele nível para ver um corredor diferente. Existe a possibilidade de fazer upgrade às armas, mas a verdade é que a utilidade disto é quase nula, podemos muito bem chegar ao fim do jogo sem qualquer upgrade.

AOT (7)

Algo que merecia um pouco mais de atenção, principalmente num shooter, é o som das armas e a sensação de disparo. As diferenças entre as armas de Army of Two: The Devil’s Cartel, e armas de paintball ou bisnagas de água são muito ténues, não oferecendo ao jogador uma boa sensação de disparo, falhando em mais um aspecto essencial para este tipo de jogo. Devido à sensação de disparo ser tão vazia, acabamos por muitas vezes desperdiçar munições, mas tal não é problema pois estas são mais abundantes do que necessário. Isto faz também com que o uso de outras armas seja uma mera curiosidade, não é necessário trocarmos de arma porque a que nos dão serve perfeitamente, e as balas também raramente acabam para querermos apanhar outra arma. Uma coisa boa de ter imensas munições, é que podemos destruir o cenário sem nos preocuparmos muito, este é um ponto positivo, os cenários são altamente destrutíveis, acrescentando alguma opção ao podermos destruir os covers onde estão escondidos os inimigos. Os gráficos são funcionais, mas datados, em 2013 vê-mos outros jogos com gráficos bastante superiores e ficamos com a sensação que Army of Two: The Devil’s Cartel é um jogo de 2008. Os cenários também têm sempre o mesmo tema, não variando em termos de texturas e criando sempre o mesmo tipo de ambiente.

AOT (5)

No final, este não é um jogo que faça alguma coisa de extremamente mal. Não tem bugs que o tornem não jogável, as mecânicas de shooting não são horríveis, a câmara não é um problema, os inimigos não são super ignorantes etc. Mas também não é um jogo que faça alguma coisa especialmente bem, não há nada que se destaca, nada que fique na memória e que nos faça lembrar do tempo que dispensámos a jogá-lo. Army of Two: The Devil’s Cartel é um jogo que se esquece facilmente, é algo que não vamos falar aos amigos, e que daqui a um mês não nos vai trazer nenhuma memória. Este é um bom exemplo de recursos que poderiam ter sido usados para fazer algo único e diferente e não mais um cover shooter que define a mediocridade nos videojogos.

Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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