Assassin’s Creed Unity

Conheçam Arno, o homem aranha da Revolução Francesa

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Há certos períodos e acontecimentos históricos que marcam uma nação e, muitas vezes, o mundo inteiro. A Revolução Francesa que se viveu no fim do século XVIII foi um período de grandes mudanças sociais e políticas que inevitavelmente tiveram um impacto enorme não só na França mas também em todas as mentalidades dos povos Europeus. Foi uma época tão importante que ajudou a criar movimentos sociais e políticos que originariam mais tarde as repúblicas e democracias liberais pelo mundo fora. Quando a Ubisoft anunciou que o próximo Assassin’s Creed se iria passar durante este período fiquei muito entusiasmado, finalmente havíamos voltado ao velho continente. Não que a história da América do Norte seja desinteressante, mas a Europa tem muitas histórias para contar e tem muitas coisas mais interessantes para serem exploradas, como por exemplo grandes cidades. Algo que faltava nos dois últimos jogos da série era sem dúvida um local icónico e reconhecível. As ilhas das Caraíbas ou até mesmo os primórdios das principais cidades da América do Norte eram algo desinteressantes. Aqui temos Paris, uma das maiores cidades não só europeia mas do mundo inteiro, e, por incrível que pareça, recriada à escala real daquilo que era a cidade no século XVIII. Para mim, que sou um bocado fanático por História, isto é algo de babar. Não imaginam a satisfação de andar pelas ruas e explorar monumentos conhecidos como Notre Dame ou o Panteão de Paris, naquela que é até agora a melhor recriação de uma histórica cidade num videojogo.

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A cidade é fantástica, nas ruas sente-se a tensão entre o povo e a nobreza, com ataques e manifestações constantes que podem acabar em tiroteios. Quando assim acontece é soberbo ver o povo a dispersar para se salvar e a tropeçarem uns nos outros no processo. A cidade sente-se viva, com uma quantidade de NPCs como não se havia visto antes. Para terem noção, é possível haver até 10000 pessoas no ecrã, e é comum estarem mais de 5000. A cidade é também mais interactiva com muitíssimos mais espaços interiores passíveis de ser explorados, para além dos túneis subterrâneos e muitas outras localizações. A quantidade de coisas para fazer é tão grande que sinceramente chega ao ponto de ser demasiado e de assustar o jogador. Há tanta caixa para apanhar e tanta missão secundária que, num mapa gigantesco, por vezes os ícones sobrepõem-se uns aos outros num mar de círculos e hexágonos, acabando por tapar completamente a geografia da cidade em si.

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Além das missões da história principal, regressam os enigmas para desvendar, desta vez uma cortesia de Nostradamus, e foi introduzido um novo tipo de missões onde temos de resolver assassínios. Estas são interessantes mas de um modo geral são demasiado fáceis e óbvias. A campanha principal conta com umas duas dezenas de horas de jogo e um enredo bastante interessante, principalmente, como sempre, se conhecerem a época histórica e os personagens envolventes. Estes personagens é outro dos aspectos que faltava aos últimos da franquia. Embora existissem algumas figuras históricas, estas eram para a grande maioria desconhecidas. Agora voltamos a ter personagens como Napoleão Bonaparte ou o Marquês de Sade.

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Se quiserem completar tudo preparem-se para ficar largas dezenas de horas em frente ao ecrã. Não só da plataforma onde estão a jogar mas também do vosso tablet ou iPad. Isto porque apenas é possível desbloquear certas coisas utilizando a aplicação Assassin’s Creed Unity: Companion. Este é para mim o aspecto mais absurdo do jogo. O tipo de mini jogos que vocês encontram nesta aplicação costumava estar dentro dos próprios jogos como é o caso dos barcos e navegação em Black Flag ou o envio de assassinos em missões em Brotherhood. A aplicação não traz nada de novo e é bastante aborrecida, com missões que chegam a demorar 24 horas na vida real, o que não faz qualquer sentido. Tudo podia muito bem ter sido incorporado no jogo e não vejo o que a Ubisoft ganha com tal coisa. Nem a Ubisoft nem o consumidor sinceramente.

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Os gráficos ajudam a que tudo ganhe vida em Unity. Muitas foram as vezes em que dei por mim simplesmente a contemplar a paisagem de uma cidade que nunca poderei ver na vida real. Os efeitos de luz, as texturas da cidade toda, os personagens, os interiores belos dos palácios renascentistas, todos foram trabalhados ao pormenor e é um autêntico orgasmo visual. Menos positivo é a prestação do jogo, que por vezes sofre um pouco com a instabilidade dos fotogramas por segundo. Numa era em que parece ser importante termos 60fps e onde os jogos tentam atingir esse objectivo, algo que se fica muitas vezes pelos 30 parece pouco fluido, quando comparado com outros títulos. Devo referir que não acredito que esta febre dure para sempre, inevitavelmente vamos começar a ver mais e mais jogos a ficarem-se pelos 30 frames, tal como acontecia até esta geração. Simplesmente porque com menos fotogramas é possível várias melhorias gráficas. Tanto na sexta como na sétima geração de consolas esta foi também uma febre inicial que foi abandonada assim que houve necessidade de o fazer.

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O combate está bastante diferente, e sinceramente, para pior. Em jogos anteriores era possível confrontar hordas de 20 ou mais inimigos, o que fazia com que o jogador muitas vezes simplesmente não desse grande importâncias às mecânicas de stealth pela facilidade com que podia despachar todos os inimigos em certo sítio. A Ubisoft Montreal quis mudar isso, forçando o jogador a ser mais cuidadoso e a jogar como este é suposto ser jogado, com calma e não à bruta. Como tal, o sistema de combate tinha de mudar, e de facto eles conseguiram o que queriam. Agora é muito mais difícil de combater com vários inimigos e dei por mim a ser imensamente mais cuidadoso, tentando sempre aproveitar todos os truques que tenho ao meu dispor, sem me expor ao inimigo. Mas a verdade é que embora o objectivo tenha sido cumprido, deixa um gosto amargo, porque, quando é realmente necessário agarrar na espada e combater, as coisas não correm lá muito bem. O combate foi simplificado, agora temos o famoso counter que já não é letal e é mais difícil de o conseguir fazer e um botão para rebolarmos e nos desviarmos. Até aqui tudo bem, o problema vem quando conseguimos executar o inimigo, e as animações deixam a desejar, além de não existir um verdadeiro sentimento de concretização devido à falta de impacto que os golpes parecem ter. Isto não acontece só no combate mas também nos ataques em stealth. Numa rápida menção ao sistema cooperativo, este é interessante quando jogado com amigos. No entanto, com alguém que não está a falar activamente connosco e que não percebe as nossas intenções, acaba por ser quase sempre uma trapalhice de todo o tamanho.

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Assassin’s Creed Unity é mais uma excelente adição a uma franchise que volta aos belíssimos cenários europeus que havia abandonado em Brotherhood. Se gostam desta série não vão ficar nada desapontados. Por último queria só referir que em relação aos imensos bugs que foram reportados nos primeiros dias em que o jogo saiu, eu pessoalmente não tive qualquer problema, provavelmente tive sorte. Liberté, Égalité, Fraternité!

up
 Veredicto                                                        
Mais um excelente jogo de uma série que volta à Europa. Agora é esperar que fique por cá… ou Japãp feudal!
 Plataforma        
 Playstation 4
 Produtora         
 Ubisoft Montreal

Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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