Baldur’s Gate

6
Longevidade : 9/10
Jogabilidade : 6/10
Gráficos : 4/10
Som : 4/10

Hoje em dia é provável  que conheçam a Bioware, criadora de RPG’s como Star Wars: Knights of the Old Republic e Mass Effect, mas em 1998 esta não passava de um pequeno estúdio Canadiano cujo único jogo no seu historial era o Shattered Steel, um simulador de mechs para o PC que não impressionou nem vendeu.

Felizmente esta decidiu mudar o seu rumo lançando em 1998 um jogo baseado na licença Dungeons and Dragons intitulado “Baldur’s Gate”, este foi um importante contributo para história dos RPG ocidentais, pois a sua fórmula ajudou a redefinir um género estagnado.

Visão geral do jogo

Se já jogaram alguns dos jogos da Bioware então Baldur’s Gate vai parecer-vos familiar e arcaico ao mesmo tempo, temos de criar a nossa personagem principal, através desta iremos interagir com os vários NPC’s do jogo que nos dão quests principais e secundárias para cumprimos, no entanto nem todas estas envolvem batalhas, frequentemente podemos fazer uso da diplomacia para nos safarmos de uma situação complicada.

O jogo concede bastante liberdade ao jogador, podemos explorar a Sword Coast a nosso belo prazer, formar uma equipa que pode ir até 6 membros se assim o quisermos  as linhas de diálogo dão-nos liberdade na escolha de respostas e sofremos consequências pelas nossas acções, ou seja se formos malévolos mais facilmente ficamos ricos, mas também seremos mal vistos pelos habitantes de Faerun, por outro lado ser bonzinho poderá não ser tão lucrativo mas pelo menos não somos criminosos em fuga.

Jogabilidade

A jogabilidade de Baldur’s Gate foi uma jogada arriscada, as regras Dungeons and Dragons funcionam num sistema de combate por turnos, no entanto a Bioware decidiu inventar um método que misturasse tempo real com jogos por turnos, como introduziu tempos de reacção que serviam como “turnos” apesar do jogo em si controlar como um RTS, actualmente este sistema de controlo é usado principalmente em MMORPG’s, quem jogou World of Warcraft ou Guild Wars já deve estar a habituado a este método de controlo, mas em 1998 foi considerado revolucionário e com boa razão.

Outro aspecto interessante de Baldur’s Gate são os membros da nossa equipa, estes têm de ser “descobertos” e persuadidos a juntarem-se a nós, em alguns casos só se aceitam juntar a ti se os ajudares numa demanda pessoal, no entanto isto não quer dizer que se dêem bem contigo ou com os restantes membros, frequentemente ouvimos conversas ou discussões entre estes e se as tuas acções ou decisões forem contra as crenças de alguns membros estes podem abandonar-te levando algum do teu precioso equipamento.

As linhas de diálogo e poder de decisão concedido ao jogador também foi algo inovador para altura, em todas as conversas podemos escolher as várias respostas que queremos dar e estas produzem efeitos diferentes dependendo de várias factores, como a conversa em si, a impressão que causámos ao outro NPC e de certos atributos que tornam a nossa capacidade de intimidação ou de persuasão mais fáceis de concretizar.

Claro que com cada acção vem a sua reacção e isto é reflectido na nossa fama, quanto mais famosos formos mais simpáticos serão os aldeões e mais baratos serão os preços na lojas, no entanto alguns membros malévolos e até neutros da nossa equipa serão tentados a abandonar-te isto porque estes podem estar mais interessados em fazer dinheiro e não em salvar vidas, claro que o inverso também acontece, se formos infames isto quer dizer que extorquirmos, roubámos e assassinámos muitos aldeões e como tal corremos o risco de sermos perseguidos pela lei.

De facto a única crítica que tenho a dar à jogabilidade prende-se com o path-finding,  ou seja a nossa equipa tem imensas dificuldades em encontrar os melhores caminhos para os locais onde cliquei, muitas vezes perdendo-se no caminho.

Gráficos

Os gráficos do jogo foram muito elogiados na altura, mas eu pessoalmente sempre os considerei pouco práticos, este usa um motor de jogo que todas as personagens e fundos e objectos pré-renderizado em em 3D e depois passados para 2D (da mesma forma que os fundos e os cenários dos Final Fantasy para a PS1), infelizmente a perspectiva isométrica torna o jogo dificil de navegar, muitas vezes não sei se o que estou a ver é uma sombra ou um buraco, se é uma parede ou o chão e se o terreno pode ser caminhado ou não, este problema é ainda acentuado pela resolução baixa a que o jogo corre, criando alguma granulação em conjunção com todos os outros problemas.

O motor de jogo de Baldur’s Gate foi uma produção conjunta entre a Bioware e a Black Isle Studios (Fallout, Planescape: Torment, Icewind Dale) como tal se já jogaram os jogos desta é possível  que reconheçam o grafismo, no entanto Baldur’s Gate foi dos primeiros jogos a usar a Infinity Engine e como tal muitas das soluções para os problemas mencionados ainda não tinham sido criados.

Som

A banda sonora do jogo simplesmente não convence, existem demasiados momentos em que não há música e quando esta aparece são sempre as mesmas, é verdade que algumas até são memoráveis, mas ouvimo-las tanta vez que rapidamente ficamos fartos, os efeitos sonoros também são irritantes, especialmente os da floresta rapidamente vão ficar fartos de ouvir as mesmas águias e os mesmos pássaros.

Longevidade

Se tentarmos explorar Faerun e fazer todas as quests o jogo parece interminável e mais do que isso frequentemente sentimos a necessidade de recomeçar o jogo e tentar fazer as mesmas quests mas com diferentes resoluções este é um jogo para durar.

Em resumo

Baldur’s Gate foi revolucionário em 1998, mas 12 anos depois o jogo mais parece uma peça de museu, a liberdade, as linhas de diálogo, os gráficos, a música, a exploração, é tudo muito semelhante aos outros jogos da Bioware, mas muito mais básico e arcaico.

Autor: Goncalo Tordo Pesquise todos os artigos por

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