1989 era o ano, tinha 14 anos e a única maneira de estar informado sobre videojogos era comprando as revistas estrangeiras, Crash, Computer+ Video Games ou Your Sinclair entre outras, ou vendo o Ponto por Ponto na RTP, apresentado pelo Raúl Durão e Paulo Dimas – este último um entusiasta de videojogos que passava toda a energia nos seus comentários e análises.
Raúl Durão, falecido em Outubro de 2007, era um visionário para a época. Ter uma rubrica de videojogos nesta época era audaz para um apresentador da televisão do estado, apenas Luis Pereira de Sousa tinha sido bem sucedido nessas andanças aquando o lançamento do ZX Spectrum (1982), com o seu programa ZIG ZAG.
Foi em 1989 que se assistiu ao maior espectáculo do mundo com os Pink Floyd a actuar em Veneza e em directo para todo o mundo. Um evento mediático até em Portugal. Battle Squadron surgia para o Commodore Amiga e Sega Megadrive, e simplesmente arrebatou o título de melhor shoot´em up vertical da altura. Algumas revistas da época chegaram a cotar com percentagens acima dos 100%, como foi o caso da Amiga Computing com 109%, uma vez que tinha atribuído a XENON 2 100% na sua review e não antecipava como seria possível fazer melhor. Outros diziam para colocar o Amiga ou Megadrive dentro de um caixote arcade e tinham uma das melhores arcades de sempre no estilo dos shooters.
Caros leitores, na esperança de vos ter carregado com a atmosfera da época, vão à Apple Store no vosso iPad e busquem pelo nome do jogo, instalem-no, agarrem no vosso iPad, carreguem no ícone do jogo Battle Squadron e… fechem os olhos. Que recuar no tempo fantástico! De repente andámos 23 anos para trás e somos brindados com uma música estupenda e cheia de ritmo com a demo do jogo a correr; nada se perdeu, ganhámos um shooter puro e duro para a plataforma da Apple que recria muito bem a época e torna este jogo intemporal.
Battle Squadron para o iPad ou iPod e iPhone promete ainda uma versão para breve de 2 jogadores em rede, trazendo uma funcionalidade que só a tecnologia actual permite e que, para um adepto deste estilo de jogo, e em particular deste, agradece.
Podemos contar no ecrã principal com um quadro com vários botões: um para contar a história do jogo, outro para instruções de jogo e outro para consulta de resultados; temos ainda possibilidade de ouvir as várias músicas do jogo dentro do menu de definições.
Quem jogou no Commodore Amiga ou Megadrive não vai encontrar diferenças, excepto que pode dividir o ecrã e jogar a dois no mesmo iPad. O jogo é muito rápido e cheio de acção; a banda sonora é ritmada, o que ajuda muito a dar atmosfera ao jogo, com os dedos no ecrã ou com o joystick para iPad joga-se de forma muito confortável na versão single player. Battle Sqadron One está também disponível para outras plataformas tal como Android.
Ao jogar este jogo vem-me sempre à memória a crítica deste no Programa da RTP Ponto por Ponto e a crítica de Paulo Dimas. Era perto das 16h30, desligo a televisão e vou a correr para para o Centro Comercial PalmeirasShopping, em Oeiras, o maior da zona da grande Lisboa a seguir ao Shopping Amoreiras, e lá estava o jogo em modo demo no Commodore Amiga exposto com o seu monitor. Na época uma caixa de disketes Sony com 10 unidades custava a módica quantia de 10 Contos (50€). Ups, lá foi eu raptado pela máquina do tempo de novo.
Voltando ao ano de 2012, digo-vos que aconselho vivamente a compra deste jogo, principalmente para os amantes dos shooters; é obrigatório para os amantes do Commodore Amiga e imprescindível para fins terapêuticos se forem amantes do retro e da época de 80.
Recriado pela Cope-Com com add-ons como a partilha de resultados do Facebook, este é um dos melhores exemplos de como manter um excelente jogo e apimentando-o com tecnologias actuais para assim ir afinando o tempero e tornando-o ainda mais agradável ao palato 23 anos depois.








