Beyond Duas Almas

7
Longevidade: 7/10
Jogabilidade: 6/10
Gráficos: 8/10
Som: 7/10

Expressões faciais de alto nível, interpretações dramáticas muito bem conseguidas.

Muito fácil. Interacção e jogabilidade em campo incerto.

Depois da Apresentação de Beyond Duas Almas no passado dia 19 de Setembro em que a PUSHSTART teve o prazer da presença de Guillaume de Fondaumière, director executivo da Quantic Dream,  apresentamos de seguida a análise do jogo.

A Quantic Dream foi buscar o sucesso de Heavy Rain, aproveitou o esqueleto e o conceito e implantou-lhe novos tecidos, vísceras e músculos. Apesar das semelhanças tenta entrar em outro género ou segmento sem nunca sabermos bem onde se coloca. Enquanto Heavy Rain tem um estilo de videojogo cinematográfico interactivo, Beyond Duas Almas (Beyond Two Souls, na versão original) tem menos a vertente visual do cinema e um enquadramento mais dramático e emocional com uma jogabilidade mais aberta. Não querendo parecer disparatado, um é cinema outro é teatro.

Estamos na presença de um título que engana muito, os primeiros minutos não fazem jus ao título, mas qualquer coisa nas expressões das personagens me dava a entender que devia esperar e dar mais tempo ao tempo. E é este espaço temporal que é a chave para este título.

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A base da jogabilidade de Beyond é semelhante ao Heavy Rain, com o decorrer da acção aparecem no ecrã quais os botões que devemos pressionar, ou uma só vez, repetidamente ou que devemos ficar a carregar. Pode ser um botão, mais que um ou uma sequência. Continuamos a ter movimentos nos sticks para desempenhar acções mas menos que no título que estamos a comparar. Antes para abrir uma porta fazíamos um movimento semelhante e agora é um simples toque na direcção. Por outro lado temos uma maior diversidade de acções a fazer, como combate corpo a corpo e tiro. Para além do controlo da personagem temos uma alma ligada a esta. Esta entidade é imaterial mas podemos controlar a sua movimentação no cenário pelos 3 eixos: esquerda/direita, frente/trás, cima/baixo. Esta alma tem a capacidade de interagir com o cenário, mas já lá vamos, é necessário passar primeiro à história do jogo.

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Jodie Holmes é uma criança adoptada de 8 anos que desde cedo descobre que tem uma alma/entidade sempre perto dela. Esta entidade não é visível, mas permite a Jodie interagir com o meio que a rodeia. Inicialmente com pouco ou nenhum controlo sobre esta entidade apelidada de Aiden, os seus pais adoptivos apercebem-se que algo se passa e recorrem à ajuda do doutor Nathan Dawkins e o seu assistente Cole Freeman de um departamento de actividade paranormal. Nathan em secções de treino consegue explorar as capacidades de Jodie, fazendo com que esta mova objectos e veja para além do limite visual por intermédio de Aiden. Jodie consegue ver pelos olhos imateriais de Aiden e comunicar com este a falar ou a pensar.

A criança cresce e começa a lutar por ter uma vida normal na sua adolescência, A convivência com outras pessoas da sua idade é difícil e acabam sempre em maus resultados devido ao temperamento projectivo de Aiden que nunca deixa de estar presente.

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Mais tarde, Jodie é informada que foi estabelecida uma ligação com o mundo dos mortos através de um portal chamado de infraworld, mas, não correu conforme planeado e várias entidades saltaram para o mundo dos vivos. Sendo a única pessoa com experiência a lidar com uma alma, Nathan a pedido dos seus superiores convence Jodie que a ajuda dela é fundamental.

Com o infraworld já controlado a CIA descobre que outro portal foi aberto num pais no Oriente e este tem de ser destruído, Jodie intervêm novamente sob a alçada da CIA depois de receber treino militar. Durante o treino conhece o agente Ryan Clayton e entre os dois estabelece-se um clima de romance.

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Toda a história do jogo vai decorrendo de forma não linear. Tanto jogamos tendo a personagem 8 anos, como mais à frente numa fase de adolescência. Estamos constantemente a saltar no tempo acabando aos poucos por ligar os acontecimentos. A cada mudança temporal é apresentada uma régua onde ficam marcados os acontecimentos para não nos perdermos na cronologia.

Depois de a acção passar pelos primeiros testes de Jodie com Natham e Cole, conseguimos controlar Aiden. Em vários momentos do jogo, conseguimos via botão alternar entre os dois. Aiden dá-nos a capacidade de passar através das paredes e ver o terreno de jogo bem como levitar e manipular alguns objectos para ajudar na progressão. Outra capacidade que Aiden tem é a de poder sufocar inimigos ou entrar na pele destes podendo comanda-los e levando-os sabotar a facção inimiga. A jogabilidade de Aiden é bastante simples, para além da movimentação (direcção) da alma pelo terreno feita pelo stick esquerdo podemos subir ou baixar com dois botões para o efeito. Para interagir com objectos ou outras personagens, temos apenas de pressionar um botão e movimentar os sticks na direcção apresentada no ecrã. Alias não só os comandos de Aiden que são simples mas também os de Jodie. O que temos para fazer é regra geral apresentado no ecrã, dando uma dificuldade baixa e pouca liberdade de escolha no desenrolar da acção. O movimento das personagens não é totalmente livre, estas percorrem determinado caminho ficando em muitas situações viradas automaticamente para onde devemos ir. Dei por mim muitas vezes a querer olhar em volta e não conseguir porque o jogo faz as transições de cena para cena posicionando-nos para o próximo evento.

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A jogabilidade parece pouco elaborada tendo em conta que o jogo tenta se afastar do conceito do Heavy Rain, aqui não damos apenas comandos rápidos para a história continuar, mas temos que comandar as personagens. Afasta-nos um pouco da história interactiva no sentido mais purista mas depois falha em alcançar um género mais “jogável” de livre escolha e movimento.

O ponto forte neste jogo, e que sem ele teria sido um falhanço tremendo, é o grafismo emocional das personagens. Filmado com actores em estúdio sendo convertido depois para animação gráfica temos um esplendor visual topo de gama. As filmagens foram efectuadas recorrendo a tecnologia de ponta em que os actores são filmados com várias pequenas esferas no rosto, que são mais tarde os pontos de referências para as expressões faciais na animação.

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Mas o sucesso não é só da passagem brilhante do real para a animação. A própria interpretação dos actores é muito boa destaco o doutor Natham (Willem Dafoe) e Jodie interpretada com 8 anos por Caroline Wolfson e na adolescência por Ellen Page. Esta última dá vida à personagem em várias etapas da sua vida, inocência, rebeldia e maturidade sempre com carga dramática. A performance é brilhante dando uma fabulosa expressão facial computorizada. Nota máxima neste campo. O restante grafismo é difícil de pontuar pois o jogo em cada período temporal salta para cenários completamente diferentes, uns bons outros nem por isso. Temos cenário dentro e fora de casa, floresta, deserto neve, até dentro de água jogamos. Mas nem todos estão bem construídos, o cenário da neve e alguns interiores de edifícios estão pouco detalhados. Algumas sombras estão fracas, nota-se por vezes que objectos redondos provocam sombras rectas Mas sem dúvida que o ponto forte reside nas personagens, com as suas movimentações super realistas e expressões que impressionam, o jogo vale por isso mesmo.

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Beyond duas almas é um jogo aconselhado para todos os que gostam de uma boa envolvência com as personagens e apreciam uma boa dose de carga psicológica.

Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

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