Bit.Trip Beat

7
Longevidade: 6/10
Jogabilidade: 7/10
Gráficos: 6/10
Som: 8/10

Versão inovadora de Pong | Festa visual e sonora

Apenas 3 níveis, para jogadores com muita experiência

Irei debruçar-me nas próximas edições sobre a Bit.Trip Saga, um conjunto de jogos independentes da Gaijin Games com o CommanderVideo como protagonista e que, como muitos jogos indie, possuem um estilo retro 8-bit tanto a nível visual como a nível sonoro. Toda esta saga tem como principais características a música e o ritmo. Características estas que irão ser realçadas de forma diferente em cada um dos jogos. Os jogos são: Bit.Trip Beat, Bit.Trip Core, Bit.Trip Void, Bit.Trip Runner, Bit.Trip Fate, Bit.Trip Flux e o mais recente que já não consta no pack, mas que irei analisar na mesma, o Bit.Trip Presents Runner 2: Future Legend of Rhythm Alien.

Começo então por falar sobre o Bit.Trip Beat nesta edição. Neste primeiro jogo a história… não existe. Sabemos que existe um tal de CommanderVideo e que é explorador do espaço. Já a jogabilidade, essa pode ser reconhecida por muita gente. Estamos basicamente perante uma versão avançada do jogo Pong de 1972. A isso juntamos um jogo de ritmo e temos Bit.Trip Beat. Tal como no Pong temos uma barra à nossa disposição enquanto tentamos acertar no pixel que vem na nossa direcção. Graças à forma como controlamos essa barra, que é através do stylus da 3DS, podemos regular a sua velocidade fácil e intuitivamente.

Mas o que é que isto tudo tem a ver com a música? Facto é que à medida que vamos acertando nos Beats, vamos criando sons diferentes. Somos nós que criamos a batida, somos nós que construímos a música. À medida que avançamos no nível, a música também vai evoluindo. A complexidade desta está relacionada com a nossa própria perícia e sempre que falhamos um Beat, ouvimos um seco “poc” como resultado. A certa altura, e não estaríamos nós num jogo de ritmo, começam a surgir Beats por todos os lados. Na horizontal, na diagonal, em modo parkour, às vezes param a meio e retomam o caminho passados segundos… A única maneira de lhes acertar é estarmos atentos à música e ao seu ritmo. As batidas vão “dirigindo” os nossos dedos para cima e para baixo, vão fazer a nossa mão dançar. O truque é acompanhar com os dedos aquilo que estamos a ouvir. Se conseguirmos imergir nesta dança, passamos a achar o jogo bastante mais fácil de completar. Se olharmos apenas para a imagem, então não temos qualquer hipótese.

Felizmente podemos contar também com a ajuda das várias cores que os Beats apresentam. Olhando para a cor, conseguimos prever as características desse Beat. Mas o visual nem sempre nos ajuda, antes pelo contrário. Para além dos inúmeros Beats que nos aparecem à frente, temos também um cenário com explosões e as confusões visuais (propositadas) que essas trazem. É possível jogar em 3D, mas desta vez este efeito não joga a favor do jogo. Se já com ele desligado se torna particularmente difícil acompanhar tudo o que se passa no ecrã, o 3D só nos vai trazer uma camada extra de preocupações. Se o deixarmos, no entanto, ligado no mínimo, não apresenta qualquer problema.

Já deu para perceber que Bit.Trip Beat é um jogo bastante difícil, mas muitíssimo engraçado ao mesmo tempo. É uma verdadeira festa que se está a passar diante dos nossos olhos e à volta dos nossos ouvidos, principalmente se usarmos phones (que considero obrigatório neste tipo de jogos).

Se deixarmos escapar muitos Beats, o ecrã torna-se minimalista e monocromático. O preto e o branco passam a ser as únicas cores presentes (mesmo à Pong) e a música… nem sinal dela. Se perdermos neste modo mais facilitado, então perdemos o nível, se recuperarmos os pontos, voltamos ao modo normal.

O jogo possuí apenas 3 níveis. Parece pouco e realmente só tinha a ganhar com mais níveis. Mas não se enganem, estes 3 níveis demoram a ser completados. O meu pensamento inicial foi do género: “Ui, eu acabo isto num instante!” Mas o nível continuava e continuava. Cada nível demora em média 15 minutos a ser completado, mas cuidado, é necessário termos a nossa concentração ao máximo, pois se começarmos a fazer muitos erros voltamos ao minuto número 1. Eu pelo menos ainda levei alguns dias a acabar o jogo. Sempre que derrotava o boss final de cada nível, lançava um breve suspiro, pois chegar ao fim de um nível sem checkpoints é mais difícil do que aparenta ser. Manter a concentração ao máximo (mas máximo mesmo) é trabalho árduo e, apesar de estarmos a adorar o jogo, chegamos a uma certa altura em que damos por nós a pedir por uma pausa.

Bit.Trip Beat é uma óptima modernização do jogo Pong e consegue criar inovação numa jogabilidade que já existe há mais de 40 anos e o facto da banda sonora ser constituída por soundsamples retirados directamente da Atari 2600 e NES só nos traz uma onda de nostalgia ainda maior.

Autor: Luis Teixeira Pesquise todos os artigos por

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