Blue Dragon: Awakened Shadow

6
Longevidade : 7/10
Jogabilidade : 6/10
Gráficos : 8/10
Som : 7/10

Blue Dragon: Awakened Shadow é o terceiro título de uma franchise relativamente recente que têm enfrentado bastante críticas devido ao facto de mudar radicalmente o gameplay de cada título que lança. Embora por um lado se perceba a sua tentativa de encontrar um nicho de mercado onde se consiga afirmar como um título “must have”, até o conseguir fazer está a alienar os fãs actuais. E com as constantes mudanças dificilmente alguém acompanha o enredo do princípio ao fim, pois mudam os géneros e os novos títulos perdem o seu interesse para os jogadores menos flexíveis.

No meu caso, esta franchise apenas me despertou o interesse nos moldes em que se encontra actualmente. Blue Dragon: Awakened Shadow é um RPG de acção onde controlamos a personagem principal, que criamos no inicio do jogo, e partimos para a aventura, auxiliados por um máximo de duas personagens, dentro de um leque variado que vamos conhecendo no desenrolar no jogo.

A história dá seguimento aos eventos dos títulos anteriores, e os seus heróis, como Shu, Kluke e  Jiro, encontram-se agora a viver pacificamente na cidade de Neo Jibral. Desde então,  a cidade têm vivido tempos pacíficos, o que permitiu que até o mais comum dos habitantes tenha conseguido aprender como controlar as suas sombras, e usá-las para facilitar as actividades do seu dia-a-dia. Mas os tempos de paz e sossego estão a chegar ao fim, e um raio de luz misterioso propaga-se pelo céu e inexplicavelmente todos os habitantes perdem a sua habilidade de controlar as sombras. Ao mesmo tempo, acordamos numa espécie de cápsula, numa base subterrânea debaixo de Neo Jibral . Sem memória, ou qualquer ideia do que se está a passar na superfície, divagamos pelos corredores vazios até por obra do destino chegarmos a um elevador que nos leva à superfície. Já na superfície encontramo-nos com Shu, Jiro, Kluke e descobrimos que por alguma razão somos a única pessoa capaz de controlar a sua sombra, e que a conseguimos partilhar com os nossos amigos. Juntos partimos para a aventura, tentando recuperar a nossa memória perdida e desvendar o mistério à volta do desaparecimento das sombras.

Confusos? É normal, pois este é daqueles títulos onde sentimos que por várias vezes estão a assumir que  possuímos certos conhecimentos, não explicando certos pormenores importantes, e onde existem inúmeras referências a eventos passados que simplesmente desconhecemos.

A jogabilidade apresenta um dilema, visto que os controlos são bastante intuitivos e rapidamente estão a dominar os bloqueios, ataques e esquivos , o que é bastante positivo. Todavia, para derrotar inimigos mais fortes e os populares “bosses” torna-se obrigatório contarem com a ajuda dos vossos parceiros, e aqui reside um grande problema, pois a sua IA está muito fraca, fazendo com que o suporte que nos providenciem seja uma incerteza constante, totalmente fora do nosso controlo. Tendo em conta que uma das premissas do jogo é o de seleccionar convenientemente os nossos aliados para conseguir produzir uma melhor réplica face ao tipo de adversário, isto torna-se bastante desapontante pois os nossos aliados não produzem o comportamento esperado.

Os gráficos e as “cutscenes” estão a um bom nível tendo em conta as características da DS. Em termos de personalizações, ao criar o vosso personagem têm algumas propriedades que podem mudar, como o estilo do cabelo, olhos, etc.., mas parece que não houve um grande esforço para introduzir um mínimo de variedade. Por outro lado, o equipamento do nosso personagem reflecte o seu visual quer no decorrer normal do jogo como nas “cutscenes”, o que é muito interessante, mas que acaba por também ficar manchado pelo mesmo não acontecer com os nossos aliados. Ao longo do jogo podem também desbloquear novos penteados e emblemas, o que aumenta ligeiramente o nível de personalização.

O jogo conta com um sistema de “crafting” bastante interessante e simples de aprender e até mesmo dominar, o que nos leva por muitas vezes à caça de ingredientes específicos para melhorar o nosso equipamento, e ao mesmo tempo desperta o coleccionar que há em nós e passamos bastante tempo a criar equipamento diverso para completar a sua colecção ou simplesmente ver como fica a aparência do nosso personagem. Isto, e as side-quests permitem aumentar significativamente a longevidade do jogo, mas têm o efeito de dispersar a nossa atenção daquilo que é mais importante… o desenvolvimento da história principal.

No geral, Blue Dragon: Awakened Shadow é um bom jogo, mas contém bastante pormenores irritantes que nos impedem de ficar horas a fio a jogar, o que é suficiente para em última análise colocar algumas reticências para quem o está a pensar comprar, especialmente tendo em conta as outras alternativas presentes no mercado.

Autor: Jorge Fernandes Pesquise todos os artigos por

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