Bounty Train

Uma viagem ao início das ferrovias Americanas!

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Ora aqui está um título que me deixou nostálgico! Confesso que o instalei sem ter visto mais do que dez segundos de informação sobre ele, o que acabou por aumentar, em muito, a curiosidade. As palavras-chave que tinha na cabeça antes de o jogar eram: “Railroad Tycoon”; “compra”; “vende”; “re-style”. Parti, assim, à descoberta. Sendo eu ferromodelista e adepto do R. Tycoon, pensei que este título fosse ideal para mim. Não me enganei muito, tendo apenas errado ao imaginar que era um restyling de uma velha mecânica, visto que é mais que isso.

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Se tivesse que o descrever em poucas palavras, diria que se trata de uma mistura entre R. Tycoon, com umas pitadas de North & South, introduzindo uma economia de “compra barato e vende caro”, colocando-lhe, ainda, um sistema de combate de point n’ click e um plot para lhe dar um ar mais refinado. No fim, será esta mistura adequada? Sim!!! Como em todos os jogos, não se pode agradar a gregos e troianos e, por tal, alguns dos defeitos por mim apontados podem representar os elogios de outros, e vice-versa. Para muitos será: “Mais um Tycoon Manager?”, para outros: “Ena, um refrescante Tycoon Manager!”.

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Passo, porém, a dar a minha visão do título, no qual existe a possibilidade de se iniciar com um breve tutorial, que cumpre o objectivo de informar e oferecer uma visão rápida sobre o jogo. Rapidez é mesmo a palavra, já que os mínimos olímpicos são, literalmente, despejados em dois minutos, sendo que o resto terá de ficar por nossa conta. Tentativa/erro vai ser o nosso verdadeiro manual, para um jogo que, apesar de não ser difícil de se perceber, é complexo de dominar.

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A narrativa situa-se no século XIX, no início dos caminhos-de-ferro. Temos disponível um mapa do território americano, onde estão presentes várias cidades ligadas por linhas férreas, sendo que, para cada uma delas, é necessário pagar uma licença para a podermos utilizar. Em cada cidade existe uma estação terminal, onde podemos fazer um pouco de tudo, desde comprar e consertar carruagens, mercadoria, além de ser igualmente possível aceitar diversos tipos de desafios, desde transporte de mercadorias, pessoas, etc. É, ainda, possível contratar funcionários para o nosso comboio, factor de extrema importância, já que teremos que escolher muito bem os nossos empregados.

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Nas deslocações entre cidades podemos ser atacados por bandidos da pior espécie, os quais, em contrapartida, nos pedem dinheiro para não nos atacarem. Caso não aceitemos tal proposta, temos de nos defender usando o personagem principal e qualquer funcionário contratado. O inimigo ataca o comboio, tentando sempre entrar nele, de modo que, tanto podem ocorrer combates à distância, como corpo a corpo.

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Este sistema é simples e consiste em carregar num dos nossos personagens e seleccionar o alvo. Apesar do sistema ser simples, na realidade, os combates são particularmente complexos. A possibilidade de pagar para não ser atacado tem um preço alto, tendo em conta o lucro de cada viagem. No inico, é preciso ponderar bem cada decisão. Pagar para não ser atacado ou lutar e desembolsar o arranjo dos estragos no comboio? Mas lutar dá experiência, compensa ou não? Todas estas decisões irão depender da abordagem de cada viagem, pelo que será necessário fazermos as contas do lucro antes da viagem e verificar a margem para possíveis estragos.

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O jogo é algo difícil de situar em termos de género, tendo ficado na dúvida de como a Daedalic o queria rotular. Tem componentes de estratégia, RTS, RPG e, quem sabe, se não estarão outros envolvidos. E tem simulação? Bom, aí tenho que dizer que não. Apesar de se poder dar velocidade ao comboio, manipular as pressões ou travão, a realidade é que não se trata de um simulador. Para o ser, teria de o retractar como na realidade, sendo que teria de ser esse o objectivo principal do jogo. E não me refiro a este aspecto como sendo um ponto negativo, até porque, para aquilo a que o jogo se propõe, faz muito bem.

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Assim, estamos perante um jogo agradável, divertido, que faz puxar pela cabeça e que envolve planeamento. A mistura de gestão, RTS e RPG é saudável, além de bem conseguida. O nível de dificuldade é puxadito, principalmente no início, factor que rapidamente me levou à falência nos primeiros minutos, além de a única hipótese para perceber algumas mecânicas ser mesmo a tentativa erro.

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No fim, é o típico jogo para se jogar uma primeira hora sem qualquer preocupação, apenas observando a acção-reacção, efeito-consequência e, assim, descobrir as regras menos fáceis de identificar. Para os amantes de Railroad Tycoon é um must have! Quem vem apenas à procura de um RTS ou RPG, Bounty Train não será o mais indicado. Porém, se o que procuram é uma alegre e interessante mistura, então este é o jogo!

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Veredicto
Pura nostalgia dos velhos tempos dos jogos Tycoon, com mecânicas novas e saudáveis. Interessante e agradável de jogar.
Plataforma
PC
Produtora
Daedalic
Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

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