Braid

9
Longevidade : 8/10
Jogabilidade : 10/10
Gráficos : 8/10
Som : 8/10

Está cada vez mais em voga o conceito de “jogo Indie”, mas o que é isso afinal? É um tipo de jogo normalmente de baixo orçamento feito por equipas muito pequenas mas que por essa mesma razão é um trabalho sem um elevado risco económico. Os autores deste tipo de projectos dão largas à sua imaginação e criam obras únicas mostrando que com poucos meios conseguem criar jogos extremamente interessantes e inovadores.

Braid é um desses jogos. Profundamente inspirado por clássicos como Super Mario Bros, apresenta todos os clichés e homenagens ao género, desde os saltos de plataforma em plataforma, aos saltos em cima dos inimigos e até a piadinha de depois de conquistar o castelo do Boss aperceber-se que a princesa está noutro castelo dá o ar de sua graça (um pobre canalizador chamado Mario já passou por esse problema também).

Mas isso tudo é apenas a “parte normalzinha” do jogo, quase como uma chapada de luva branca a dizer “esses jogos resumiam-se a isso…mas este ainda tem história, filosofia e viagens no tempo”.

A mecânica e objectivo principal do jogo está em saber manipular o tempo para encontrar chaves e avançar pelos estranhos cenários, sendo um misto de jogo de plataformas e quebra-cabeças. Esta manipulação temporal é explorada quase ao extremo sendo muito mais complexa do que a que ocorre em jogos como “Prince of Persia – Sands of Time”.

E existe uma história profunda neste jogo! Através de uma pequena biblioteca, vamos sendo informados de pedaços do enredo que se desvendam no último nível de forma surpreendente. O final ainda assim é “aberto”, ou seja, sujeito a interpretações, quase como a série Lost, temos pano para mangas para filosofar sobre “o que raio se passou ali afinal?”

É um jogo para pessoas inteligentes ou que pelo menos nos faz sentir inteligentes depois de dar muitas cabeçadas na parede até desvendar os seus mistérios e avançar nos níveis.

Em 2006 ganhou o prémio “Innovation in Game Design” no Independent Games Festival apresentando-se numa versão com gráficos simples e inacabados. Só com um ano de desenvolvimento é que o grafismo final ficou acabado, mas a espera valeu a pena, os níveis parecem quadros pintados à mão demonstrando que há muito terreno para explorar no campo da estética dos jogos.

Se quiserem uma experiência diferente e puxar um pouco pelos vossos neurónios, Braid é uma excelente opção.

Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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