Burning Rangers

8
Longevidade: 6/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 9/10
Som: 10/10

Um conceito de jogo interessante, boa jogabilidade e apresentação

É um jogo muito curto, com apenas 4 níveis e um tutorial

A Sega Saturn foi uma plataforma algo ingrata para a Sega pelo menos no ocidente, devido à sua complexa arquitectura interna e algumas decisões menos boas por parte da Sega. Já em terras do Sol Nascente ainda teve bastante sucesso, com jogos a serem lançados até ao ano 2000, altura em que a Dreamcast estava na plenitude da sua força. Apesar de existir um grande número de jogos de qualidade lançados apenas no Japão, ainda houve espaço para alguns bons lançamentos por cá, perto do final de vida útil da Saturn no Ocidente. Este Burning Rangers é um desses “cantos do Cisne” da Saturn por estas bandas, tendo sido produzido pela Sonic Team.

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E em que consiste Burning Rangers? Nada mais nada menos que um jogo de acção na terceira pessoa, onde jogamos com bombeiros no futuro, equipados de jetpacks e armas laser que apagam fogos. Sim, o futuro vai ser awesome. Inicialmente podemos jogar com um entre dois novatos: Shou Amabane ou a menina Tillis. O primeiro nível é um tutorial bastante completo, o que me impressionou para a época. Aqui somos deixados numa instalação de treino dos Burning Rangers, onde nos ensinam todos os movimentos possíveis, desde o movimento básico e controlo de câmara, passando para o combate a incêndios e outras manobras. Depois a aventura começa a sério, com os Burning Rangers a receberem uma emergência num centro de investigação. Basicamente controlamos a personagem escolhida ao longo de vários corredores e salas em três dimensões, com a missão de apagar os incêndios e resgatar o máximo número de sobreviventes possível. Tal como os jogos do Sonic e os seus anéis, aqui existem uns cristais que dão energia à nossa personagem. Cada vez que sofremos dano, quer por fogo ou alguns inimigos, os cristais que capturamos são perdidos. Esses cristais são também necessários para resgatar os sobreviventes que encontramos, sendo utilizados como energia para a sua teletransportação. Para além disso temos de estar constantemente atentos ao fogo que nos rodeia, se não apagarmos os fogos que vão surgindo, os níveis vão ficando cada vez mais instáveis, até que explode tudo e é game over. Existem dois métodos de disparo: o standard, carregando apenas levemente no botão adequado, ou deixar o botão pressionado até a arma carregar, preenchendo uma barra de energia. Nesse momento ao soltar o botão é disparado um projéctil muito mais potente, apagando fogos bem mais rapidamente, ou infligindo mais dano a inimigos. Mas esta técnica deve ser utilizada com cuidado, pois ao contrário dos disparos normais onde ao apagar fogos são gerados cristais de energia, este disparo potente destrói esses cristais.

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Um outro perigo a ter especial atenção são os fogos espontâneos, que ocorrem logo em que o jogador atravessa algumas áreas. Desde cedo no nível tutorial somos alertados para ouvir uma espécie de “assobio”, bem como uma área a ficar avermelhada com o calor. Isso indica que poucos segundos depois irá haver uma explosão nesse local. Felizmente, nessa altura basta carregar para baixo no D-Pad, que a personagem escapa ilesa automaticamente. Mas a feature que sem dúvida mais me interessou foi “Voice Navigation System”. À medida que vamos progredindo nos diferentes níveis a “nossa chefe” e restante equipa vão-nos dando indicações com pistas para os nossos objectivos: “Vira na porta à direita!”, “deves ver um elevador nessa sala”, são algumas das dicas que vamos ouvindo automaticamente, bem como alguns diálogos que dão continuidade à história. Esse sistema ficou muito bem implementado, na minha opinião, dando ao jogador uma sensação de proximidade com os seus companheiros. Mas nem sempre devemos seguir essas indicações à risca, pois muitas das vítimas que devemos resgatar estão escondidas em outras salas, muitas delas com um acesso mais difícil. Com níveis algo complexos e todo o caos da catástrofe à nossa volta, sente-se a falta de um mapa a ser gerado em tempo real no ecrã. Para colmatar isso, é possível pedir indicações à restante equipa através de o toque de um simples botão.

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Visualmente é um jogo muito bom para os padrões da Sega Saturn. De todos os jogos de acção completamente em 3D que a consola da Sega possui, este é dos que tem os melhores visuais. Desde as cutscenes em anime que resultam bem melhor que o CGI da época, passando pelo próprio design das personagens, que na minha opinião está muito bem idealizado, até chegarmos aos gráficos do próprio jogo em si. Com níveis algo complexos, bastante variados entre si e a inclusão de algumas transparências e efeitos 3D que a Saturn não reproduz nativamente por hardware, tornam o jogo tecnicamente bem conseguido. É certo que possui as suas falhas, as vítimas e inimigos têm muito menos detalhe que os Burning Rangers, existe algum clipping de superfícies e objectos, e os efeitos de transparências não são perfeitos, mas ainda assim é um jogo bastante competente. E se visualmente é bom, o que dizer do som? Bom, para os padrões de 1998, devo dizer que achei o voice-acting bastante competente e natural. O “Voice Navigation System” foi uma ideia muito bem implementada e as músicas são fenomenais. A sério, a faixa título “Angels With Burning Hearts” está no mesmo patamar que outros clássicos como “Let’s Go Away” de Daytona USA ou “Conditioned Reflex” do Sega Rally. Ah, a SEGA dos anos 90…

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Mas Burning Rangers tem um grande defeito: A sua curta duração. Com 4 missões, mais o nível tutorial, chegamos rapidamente ao fim do jogo e a pedir por mais. Felizmente Burning Rangers possui um bom “replay value”. Após terminarmos o jogo a primeira vez, é activado um mecanismo que torna os níveis aleatórios, de cada vez que são jogados. Para além do mais é sempre um bom desafio resgatar todos os sobreviventes, alguns bem conhecidos como Claire e Elliot do jogo Nights ou mesmo desenvolvedores da Sonic Team como Yuji Naka. Esses sobreviventes enviam e-mails aos Burning Rangers, com cartas de agradecimento ou outras coisinhas como passwords que desbloqueiam material bónus, como artwork, a possibilidade de jogar os níveis com outras personagens ou mesmo um mini jogo bónus.

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Posto isto, Burning Rangers é um jogo obrigatório na biblioteca de qualquer fã de Sega Saturn. Tendo sido lançado em 1998, numa altura em que já pouca gente dava importância à plataforma no Ocidente, acabou por passar despercebido, não tendo gerado o sucesso que na minha opinião o merece. É um daqueles jogos que adoraria ver re-imaginado com os visuais actuais, já que a sua jogabilidade ainda se adequa perfeitamente aos padrões dos dias de hoje.

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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