Captain Blood

8,5
Longevidade : 7/10
Jogabilidade : 8/10
Gráficos : 10/10
Som : 9/10

Na segunda metade dos anos 80 os gráficos dos jogos de computador davam saltos muito significativos, a cada ano que passava o detalhe gráfico era cada vez mais alto e requintado. No som, o discurso digitalizado ainda não era comum e ainda não tínhamos os ambientes sonoros de hoje em dia, mas o som começava a despertar cada vez mais o interesse do público. A meio dos anos 80 o cenário mudou completamente, os sons a 8 bits em stéreo entraram na corrida através dos Ataris ST e os Commodores Amigas, máquinas que com as novas arquitecturas 68000 (68K Motorola) vieram dar novo sangue ao mercado dos videojogos.

Foi em 1988 que uma editora Francesa deu ao mundo um jogo absolutamente fantástico para a plataforma Atari ST. Neste título era possível ver gráficos e som ao mais alto nível, foi das primeiras vezes que o público pôde chamar “Arte” a um jogo de vídeo. A introdução era absolutamente estonteante, quando a vi pela primeira vez em 1989 nem queria acreditar, gráficos belíssimos e a música de Jean Michele Jarre adaptada do álbum Zoolook davam ao jogador uma experiência áudio visual estupenda para a altura.

Passando ao título em si, temos um breve resumo da mirambolesca história que antecede o jogo:

Algures no Universo um salto de hiperespaço corre mal e são criados 30 clones do capitão da nave. Começa então a saga do capitão para recuperar os clones e os seus fluidos vitais usados nas clonagens para criar estes duplicados e recuperar assim o  sangue original. Nas suas viagens de busca “Blood”, o capitão, encontra uma fêmea “Oorxx” e a sua nave “Ark”. Consome os seus genes e instala a bordo uma rampa de nascimento de bio-mísseis para uso do capitão na exploração de planetas com o objectivo de encontrar os clones. Passados 800 anos de busca só faltavam 5 clones.

O jogo é passado no espaço onde o jogador toma o papel de Capitão Blood abordo da sua nave “Ark”. A acção decorre num universo de 32768 planetas dos quais alguns estão habitados por aliens, uns mais amigáveis outros nem tanto. O jogador tem a oportunidade de visitar qualquer planeta, mas numa visita aleatória a um deles provavelmente não vamos encontrar ninguém. Temos que começar pelo primeiro planeta a que temos acesso e obter informações com um alien local para termos acesso aos outros até que algum nos dê o paradeiro de 1 dos 5 clones que faltam descobrir. Com cada alien que encontramos temos a oportunidade de dialogar ,e é aqui que entra em cena o sistema de comunicação maravilha do jogo. Temos 150 ícons disponíveis que podem simbolizar verbos, objectos, acções etc… temos que combinar alguns ícons de forma a construir uma frase. Em vez de escolhermos uma frase pré-definida como em tantos outros jogos, aqui construímos a nossa frase, o que dá milhares ou milhões de combinações possíveis. Tanto o jogador como o alien comunicam da mesma maneira. Ao princípio não temos noção do que podemos construir como diálogo, mas a maneira como nos respondem dá-nos as pistas de aprendizagem deste método de comunicação. Parece estranho mas funciona muito bem. A comunicação é mesmo o mais importante neste jogo onde fazemos um pouco o papel de detective na busca dos 5 clones. Cada alien ou nos dá informação útil, ou negoceia informação, pedindo-nos que executemos determinadas tarefas, ou que o transportemos para outro planeta. Quando descobrimos os clones temos de os convencer a entrar a bordo da nave “Ark” para lhes podemos retirar os fluidos vitais. Temos de fazer o mesmo processo para os 5 clones.

 Enquanto não os encontramos a nossa personagem vai-se desligando da vida. A sua nave orgânica para impedir que o Capitão morra, começa a substituir-lhe os órgãos por ligações á própria nave, fundindo cada vez mais o homem com a máquina (orgânica). O tempo é vital e conforme vai passando vamos vendo a saúde a piorar. A maneira de representar a saúde do capitão é sob a forma do rato que representa o braço da personagem, este começa a tremer cada vez mais e a ficar difícil de controlar conforme o tempo vai passando, chegando a ser muito complicado de acertar nos ícons que queremos. Para além do rato o ecrã começa a ficar com riscos e pontos dificultando a visão.

Para além do sistema de comunicação totalmente inovador, o jogo tem também outro aliciante, cada vez que chegamos a um novo planeta, a nossa personagem que já não consegue sair da nave, pois já está ligada a ela fisicamente, tem de enviar os bio-mísseis orgânicos chamados de Oorxx para descobrir vida no planeta. Cabe ao jogador pilotar estes bio-mísseis ao longo da superfície até achar vida. A visão de jogo aqui é na 1º pessoa e em 3D, o efeito é como se navegasse-mos numa onda de rádio. Se encontrarmos alguém é por intermédio dos Oorxx que comunicamos e até teleportarmos alguém para bordo da nave.

Captain Blood  ao contrário de muitos jogos é impossível de chegar ao fim com o conceito de “tentativa-erro” em que carregamos em tudo até algo acontecer. Temos mesmo de pensar para avançar. É um jogo com um estilo único e com um brilhante interface de comunicação, é sem dúvida, um dos mais inovadores dos anos 80.

Mais informação sobre Atari ST no Museu PUSHSTART.

Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

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