Carrier Command

8
Longevidade : 9/10
Jogabilidade : 9/10
Gráficos : 9/10
Som : 4/10

Bom 3D para anos 80 | Simulação e estratégia juntas

O som é fraquinho

Lançado em 1988 para o Atari ST e Commodore Amiga, fez um furor monumental com o seu ambiente 3D. Pouco se tinha visto neste campo, há 25 anos o conceito estava muito pouco desenvolvido. O jogo misturava simulação de veículos com estratégia em tempo real, o que era algo muito pouco comum para a época.

Usando gráficos vectoriais sem qualquer tipo de texturas, apresentava uma grande fluidez gráfica, com um 3D bastante bom.

A acção decorre no futuro quando uma equipa de cientistas desenvolveu dois porta-aviões robotizados para colonizar um arquipélago de 64 ilhas. No início da operação um dos porta-aviões (ACC Omega) é roubado por uma organização terrorista com vista a usá-lo para conquistarem o arquipélago. O objectivo do jogo é usar o outro porta-aviões (ACC Epsilon) para colonizar as ilhas e destruir o inimigo.

Existem dois modos de jogo: Strategy” e Action. Em ambos o objectivo é o mesmo, o que muda são as condições iniciais. No primeiro modo começamos com uma ilha e o inimigo com oito, e os porta-aviões estão bem afastados um do outro. No segundo modo começamos com várias ilhas já funcionais, bem como o adversário, e o nosso porta-aviões está situado no meio do mapa, permitindo um confronto mais rápido.

 

O ACC Epsilon dispõe de oito aviões Manta (Multirole Aircraft for Nautical Tactical Assault) controlados remotamente e oito veículos anfíbios “Walrus” (Water And Land Roving Utility Shuttle), embora apenas quatro de cada possam ser controlados em simultâneo. Controlo este que tem de ser efectuado a uma certa distância do porta-aviões pois, para além desse limite, perdemos o controlo dos veículos.

Tanto uns como outros podem ser controlados na 1ª pessoa, como se uma câmara estivesse dentro deles, ou podem ser programados para ir de um ponto a outro. Quando são ordenadas para regressar ao porta-aviões, ficam perto deste, esperando ordem para aterrar (Mantas) ou entrar para o Épsilon (Walrus). As Mantas são mais apropriadas para combate e os Walrus para transporte de carga entre ilhas.

Quanto ao próprio porta-aviões, possui um sistema automático de reparação em que o jogador pode escolher a prioridade de itens a reparar. Esta ordem é muito importante pois, sob ataque, pode ditar a diferença entre sobreviver e ser aniquilado. Um item avariado em mais de 50% não pode ser utilizado e, mesmo que tenha um valor inferior, pode funcionar mas com menos rendimento.

Em armamento, o Épsilon está equipado com um canhão laser que, apesar de não ter limite, se disparado aquece e temos de o deixar arrefecer antes de nova sessão de disparos. Temos também ao dispor mísseis que são lançados depois do lançamento prévio de uma sonda para o ar para análise dos alvos em redor. Temos ainda flares anti-mísseis que podem ser usados quando somos atacados.

No cenário envolvente, temos várias ilhas que podem ser aliadas, inimigas ou neutras.

Para conquistar uma ilha neutra temos de levar num Walrus equipamento com um centro de comando para estabelecer o controlo da ilha. Temos hipótese de escolher a finalidade: recursos, fabrica ou defesa. As ilhas de “recursos” vão fornecer matéria-prima retirada do solo que será usada para construção. Ilhas “fábrica” vão transformar matéria-prima em produtos acabados, tais como combustível ou mesmo veículos. Tanto os “recursos” com “fábrica” possuem algumas defesas. As ilhas “defensivas” são apropriadas para uma defesa mais forte da região, mas não produzem nada.

 Para capturar uma ilha inimiga temos que destruir o centro de comando da ilha e enviar outro para o seu lugar.

Uma estratégia que parece inicialmente adequada será manter um balanço entre os vários tipos de ilha para evitar quebras de combustível e garantir a produção de veículos, pois vamos perder vários atacando as ilhas. O confronto directo entre porta-aviões não é fácil pois, para começar, o inimigo tem mais velocidade que nós, o que torna as coisas mais difíceis.

O jogo requer algum treino para dominar, apesar de um interface simples e de um bom manual, tem muitas acções que podem ser feitas e o controlo dos veículos em simultâneo demora o seu tempo a aprender.

O jogo foi extremamente bem recibo pela crítica, atingindo em várias revistas notas acima dos 95%. O primeiro contacto pode ser negativo devido aos gráficos muito vectoriais onde não existe qualquer tipo de texturas ou linhas curvas. Mas depois de jogarmos um pouco percebemos que temos nas mãos algo extremamente bem elaborado e complexo. A fluidez do jogo é muito boa para a componente simulação e componente estratégia bem planeada. Tendo em conta que tem quase 25 anos, eu diria que é um dos jogos mais técnicos dos anos 80.

Mais informação sobre Atari ST no Museu PUSHSTART.

Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

Deixe aqui o seu comentário